icons.title signature.placeholder João Matheus Ferreira
19/06/2014
07:30

Poucas pessoas ficaram sabendo, mas o jogo entre Espanha e Chile, no Maracanã, pela Copa do Mundo, não foi a única partida realizada no Rio de Janeiro durante a última quarta-feira. A pouco mais de 25 quilômetros do Maior do Mundo, os modestos Barra da Tijuca e Barra Mansa duelavam, em Moça Bonita, pelo triangular final da Série B do Campeonato Carioca. Tão pertos e tão distantes. Apesar do enorme contraste, dentro de campo havia uma semelhança entre as quatro equipes: a vontade de sair vencedor. Afinal, para muitos estes jogos foram como final de Mundial.

As principais diferenças, aliás, estão nos números. Enquanto o Maracanã recebeu 74.101 pessoas para ver os espanhóis e os chilenos, Moça Bonita teve somente 900 torcedores e "míseros" R$ 6.500,00 de renda. E olha que a diferença no preço dos ingressos era gigantesca. Para ver a Copa, é necessário entrar em um sorteio e desembolsar entre R$ 60 e R$ 350. Já na Segundona Carioca, basta pagar R$ 10 (R$ 5 meia) e desfrutar da partida, mas na arquibancada de cimento.

Para completar, a soma da folha salarial de Barra da Tijuca e Barra Mansa é R$ 70 mil. Um valor que não pode, nem deve, ser comparado com o que recebem, mensalmente, os astros da Espanha: Xavi, Fàbregas, Iniesta, Sérgio Ramos e companhia. Entretanto, os jogadores do Barra Mansa terminaram o dia tendo mais motivos para comemorar do que os espanhóis. Afinal, venceram por 2 a 1 e ficaram em uma boa condição no triangular final da Segundona. Já os astros estão fora da Copa.

- Essa é a Copa do Mundo de quem quer chegar na Série A. A Federação acabou permitindo esses jogos paralelos e isso nos atrapalha. Torcemos para o Brasil, torcemos para o futebol brasileiro, mas a nossa Copa do Mundo é essa aqui - disse o técnico Wilson Leite, do Barra Mansa.

Poucos torcedores acompanharam o jogo, mas todos estavam bem animados (Foto: Rossana Fraga)

Autor de um dos gols do Barra Mansa - o outro foi de Audren, e o do Barra da Tijuca foi contra, de Brasinha - o atacante Kaike reafirmou as palavras do técnico e lembrou que alguns jogadores até queriam "folga" no jogo do Brasil, mas houve um consenso para todos seguirem concentrados. Afinal de contas, a Série B do Carioca é a Copa do Mundo do time Sul-Fluminense

- Esse assunto foi dito na segunda-feira, porque alguns queriam uma folga na tarde para ver o jogo da Seleção, mas nos reunimos lá no nosso estádio e chegamos ao consenso de que a nossa Copa do Mundo era essa daqui. E queremos ganhar - disse o atacante Kaike, após a vitória.

No lado do Barra da Tijuca, que acabou sendo derrotado, mas está na vice-liderança do triangular, com três pontos - Barra Mansa tem quatro e Tigres do Brasil tem um - o técnico Rogério Fidélis lembrou que os jogadores estão concentrados há dez dias para "ganhar a Copa".

- Para nós é uma Copa do Mundo, tanto que estamos concentrados desde o início do triangular. É a vida de muitos jogadores, inclusive a minha, que está começando agora. Temos que ver esse triangular como uma Copa do Mundo - disse o treinador da equipe da Zona Oeste.

AO REDOR DE MOÇA BONITA, FOCO NA COPA

Enquanto a bola rolava em Moça Bonita, a reportagem do L!Net deu uma volta no estádio e, num bar bem ao lado, algumas pessoas assistiam pela TV ao jogo entre Espanha e Chile, no Maracanã. O curioso é que tinha gente que nem sabia que havia uma partida bem ao lado deles.

- Está tendo jogo aí? Sabia não. Quem está jogando? - indagou Manoel Silva Santos, dono do Bar do Deda, que fica exatamente ao lado de Moça Bonita.

Dentro do estádio, porém, os 900 torcedores presentes estavam bastante animados. A maior parte era do Barra da Tijuca e ficaram cantando e apoiando durante quase todo o jogo. Já a torcida do Barra Mansa chegou com o jogo começado, mas também gritou e apoiou. No fim, uma felicidade "padrão Fifa" no lado Sul-Fluminense. Não é Copa, mas é futebol.

No bar ao lado do estádio, foco em Espanha e Chile (Foto: Rossana Fraga)