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16/04/2014
16:42

O ex-presidente do Corinthians e responsável do clube pelo estádio de Itaquera, Andrés Sanchez, falou sobre a invasão de integrantes de facções da torcida corintiana ao CT Dr. Joaquim Grava. Andrés afirmou que em sua gestão recebia membros de organizadas para ajudar nas caravanas (ônibus que levam as uniformizadas quando o time joga fora de casa), mas negou dar ingressos para as facções, embora tenha demonstrado não ser totalmente contra isso.

- Eu sempre fazia isso quando tinha jogo importante ou em final de campeonato. Por exemplo, se fosse um jogo em Porto Alegre, iria uma caravana com 50 ônibus? Eu pagava 25 dos ônibus. Era público, não precisava esconder nada. Se eu quisesse dar ingresso de graça para a torcida, também podia dar, porque o clube é privado. Eu dou ingresso para um monte de autoridade que pede, porque não posso dar para a torcida? Quem tem que me questionar nesses casos são o Conselho Deliberativo e os sócios do Corinthians - disse, em entrevista ao SporTV, na tarde desta quarta-feira.

Questionado sobre as atitudes das torcidas organizadas dentro e fora dos estádios, Andrés disse que o problema não é apenas do clube, mas da sociedade.

- Se lá no estádio o cara acerta um um soco no outro, que culpa eu tenho? Que culpa tem o clube? Portão fechado, punição ou multa, para que isso? O clube não pode ser punido pelo que o cidadão fez. Hoje em dia, aqui no país, sai briga em todo o lugar. Tem que usar como exemplo o reflexo da sociedade. Nesse país tem ladrão, tem assassino, tem traficante. Não é só nas torcidas. Quem invadiu o CT não foi torcida, foi um grupo de vândalos, de animais. E as autoridades conhecem, sabem quem são, têm que ir lá e prender - afirmou.

Depois de dizer que os invasores são vândalos e animais, Andrés se corrigiu.

- Eu recebo todo mundo, tem que receber, são seres humanos. Não é porque o cara invadiu lá (o centro de treinamento) que eu vou deixar de receber - disse o ex-presidente. - Acho que tem que ter uma mudança cultural, social e de educação de todos os torcedores. Mas nem todos são animais.

SOBRE A INVASÃO

No início de fevereiro, mais de cem torcedores invadiram o CT Dr. Joaquim Grava, onde o elenco do Timão treinava para o Campeonato Paulista. Eles foram acusados de agredir e roubar funcionários e de danificar carros de jogadores e patrimônio do clube.

Dias depois, alguns dos invasores foram identificados e presos, mas o juiz Gilberto Azevedo Morais Costa, da 17ª Vara do Fórum Criminal da Barra Funda, rejeitou a denúncia feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do Ministério Público, e expediu alvará de soltura para os três que já haviam sido presos. Os torcedores Tiago Aurelio dos Santos Ferreira, Gabriel Monteiro de Campos e Tarcísio Baselli Diniz, além de Fernando Wilson de Carvalho, que tinha mandado de prisão emitido e que estava foragido, foram beneficiados pela decisão do juiz.