icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
29/04/2014
08:07

Os três clubes de maior torcida do Brasil (Flamengo, Corinthians e São Paulo) apresentaram recentemente os seus respectivos balanços financeiros referentes a 2013. Os demais clubes brasileiros ainda vão publicar os seus números, mas de posse dos dados já disponíveis, é possível tirar algumas conclusões interessantes.

Os clubes não contaram no ano passado com as luvas destinadas pela TV Globo, cifras que já foram contabilizadas nos balanços de 2012, o que de certa forma escondeu uma situação bastante complicada. Os clubes apresentaram um incremento muito forte em suas receitas por conta do aporte feito pela emissora, fato que não se repetiu no ano passado.

O São Paulo foi a agremiação que apresentou a maior receita: R$ 364,7 milhões, um aumento da ordem de 28% em relação a 2012 e que foi ocasionado diretamente por conta da transferência de Lucas para o Paris Saint-Germain. O Tricolor paulista somente com transferências amealhou R$ 148 milhões no ano passado, contra R$ 46 milhões obtidos em 2012.

Desconsiderada a receita provocada pela venda ou empréstimo dos seus atletas, o faturamento do São Paulo atingiu R$ 217 milhões, valor 8% inferior ao registrado em 2012. O feito do clube foi ter conseguido equilibrar suas finanças, apresentando um superávit expressivo e aida reduzir o seu nível de endividamento. Os gastos do São Paulo com o seu Departamento de Futebol atingiram R$ 248 milhões, uma elevação da ordem de 31%.

O Corinthians, por sua vez,fechou 2013 com um recuo em suas receitas. O clube registrou a entrada de R$ 316 milhões em seus cofres, o que significou uma redução de 12% em relação a 2012. As perdas do clube do Parque São Jorge só não foram maiores porque o clube obteve um aumento significativo de sua receita com as transferências de seus atletas, que saltaram de R$ 33,8 milhões para R$ 69,1 milhões. Excluindo-se essa fonte, a receita do Corinthians foi de R$ 247 milhões, valor 24% inferior ao registrado em 2012. As despesas do Corinthians com o seu Departamento de Futebol somaram R$ 248 milhões, enquanto o superávit despencou mais de 87%.

O dado mais alarmante sobre o Corinthians, no entanto, foi a constatação de que as dívidas fiscais contraídas pelo clube simplesmente triplicaram de 2012 para 2013. Os impostos somam a impressionante cifra de R$ 169 milhões, o que derruba a tese de que o Timão, que possui a segunda maior torcida do país, tem em sua gestão um modelo a ser seguido pelas demais agremiações do futebol brasileiro.

O único representante carioca do grupo, o Flamengo, foi o único que registrou um crescimento explorando a sua própria marca. O rubro-negro não arrecadou um único centavo com a transferência dos seus jogadores e ainda assim fechou 2013 com uma receita da ordem de R$ 273 milhões, valor 29% superior ao registrado em 2012.

Na comparação com a realidade vivida por São Paulo e Corinthians, o campeão da Copa do Brasil 2013 superou os rivais paulistas sem considerar as receitas geradas pelas transferências de jogadores. O maior mérito do clube carioca foi explorar a marca Flamengo junto à sua apaixonada torcida. O crescimento das contas apresentadas pelo rubro-negro foi impulsionado por novos R$ 16 milhões gerados pelo seu programa de sócio-torcedor, R$ 48 milhões referentes à venda de ingressos e outros R$ 53 milhões proporcionados pelo marketing do clube. O Flamengo tem uma dívida gigantesca, é verdade, mas a atual gestão capitaneada pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello conseguiu, em curto prazo, reduzir o nível de endividamento do clube, com o pagamento de impostos que estavam em atraso. Os gastos do rubro-negro com o futebol atingiram R$ 180 milhões, enquanto o déficit experimentou um recuo de 68%.

Os resultados apresentados por Corinthians e São Paulo mostram que sem as luvas da TV, os dois clubes paulistas acabaram buscando nas transferências dos seus jogadores o equilíbrio necessário às suas finanças. Talvez a exceção fique por conta do Flamengo, que revelou um crescimento, apesar dos seus graves problemas financeiros. O rubro-negro pagou seus impostos em atraso, sem, contudo, abrir mão de suas principais estrelas.