icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
26/11/2014
00:24

O Conselho Deliberativo do Santos, em reunião na noite desta terça-feira, aprovou por maioria o orçamento para 2015. Depois de dois anos de déficit, a previsão para o ano que vem é de fechar no azul, com superávit de R$ 712 mil. O clube prevê arrecadação de R$ 47 milhões com venda de jogadores, R$ 33 milhões com patrocínio (sendo R$ 18 milhões com o master), entre outras receitas. Além disso, o Peixe não projeta nenhum título na temporada, mas a chegada à final do Paulistão, quartas de final da Copa do Brasil e boa colocação no Brasileiro.

Questões duvidosas, como a redução dos gastos de direito de imagem de R$ 18 milhões para R$ 77 mil também foram comentados. Neste item, por exemplo, a justificativa foi de que tal despesa segue sendo prevista, porém em outro local da planilha orçamentária.

Alguns conselheiros, como Leandro da Silva, Rodrigo França e Vagner Lombardi contestaram o orçamento e pediram que ele fosse reprovado. Por outro lado, Pedro Luiz Nunes Conceição, ex-diretor de futebol e membro do Comitê de Gestão, subiu ao púlpito para defender o documento e disparou contra candidatos à presidência do clube, que, segundo ele, mentem para criticar a atual administração.

Por outro lado, um dos temas mais polêmicos da reunião da noite, o pedido de autorização da diretoria para negociar atletas, foi retirado da pauta do encontro. O estatuto determina que o Comitê de Gestão peça para o Conselho caso vá vender, comprar ou emprestar jogadores a três meses da eleição. O conselheiro Nabil Khaznadar, candidato à presidência pela chapa Avança Santos, foi quem fez o pedido para o assunto não ser discutido, sob o argumento de que não há negociações em andamento. A oposição, no entanto, argumenta que essa foi uma decisão estratégica, já que a solicitação poderia ser vetada e, assim, representar uma derrota política do grupo situacionista.

Depois, o próximo assunto debatido foi o dos "sócios fantasmas", caso denunciado em julho pelos grupos Terceira Via e Resgate Santista, com a apresentação de carteirinhas de associados falsos, com nomes pitorescos como Al Capone, Augusto Pinochet, entre outros.

Pelo episódio, a Comissão de Inquérito e Sindicância (CIS) do clube sugeriu censura escrita (punição branda, abaixo de suspensão e exclusão) ao ex-presidente Luis Alvaro Ribeiro, o ex-gerente de marketing Armênio Neto e o ex-gerente jurídico Fabio Gonzalez. O entendimento é de que eles foram os principais responsáveis pelo contrato com a CSU, que administra o programa Sócio Rei.

Além disso, o conselheiro Orlando Rollo, candidato à presidência do clube pela chapa Pense Novo Santos, também deveria receber a mesma punição. Isso porque a CIS entendeu que ao denunciar o escândalo em entrevista coletiva Rollo teve "postura exagerada e encenada" e utilizou o caso com objetivos eleitorais. Roberto Mohamed, presidente da comissão, enfatizou que tal pena não indica qualquer envolvimento de Rollo ou seus pares no caso.

Por sua vez, o candidato à presidência do Peixe se defendeu alegando ser vítima de perseguição política

- Se querem me punir, que façam pelo caminho correto. O estatuto determina que 20 conselheiros me acusem, mas apenas o Nabil (Khaznadar) assinou o pedido. O acusado não foi ouvido nessa história, e nem estou me atendo aos prazos estatutários que não foram cumpridos. Isso será levado ao judiciário - bradou.

No entanto, em votação nominal, o parecer da comissão foi reprovado, por 52 votos a 50. Dessa forma, os envolvidos ficam livre de qualquer punição.