icons.title signature.placeholder Aurino Leite, Felippe Rocha e Gabriel Rodrigues
08/12/2013
10:07

Como Roberto Dinamite, atual presidente do Vasco e também deputado estadual (PMDB) pelo Estado do Rio de Janeiro, não deu as caras e muito menos respondeu aos questionamentos do LANCE!Net, como mostrado na última sexta-feira, todas as frentes políticas do clube não tiveram dúvidas em apontar o iceberg da crise que vive o Cruz-Maltino. E ela tem nome e sobrenome: Cristiano Koehler.

O diretor-geral, embora tenha plenos poderes para mandar e desmandar no clube, com o aval do presidente Roberto Dinamite, é "persona non grata" entre conselheiros, sócios, torcedores e funcionários.

Não só pelo alto salário – o L!Net apurou que o gaúcho Koehler recebe R$ 120 mil de salário e mais R$ 10 mil de auxílio-moradia e seus diretores Gustavo Pinheiro (jurídico), Miguel Gomes (administração e planejamento) e Jorge Almeida (financeiro) ganham entre R$ 30 mil e R$ 40 mil por mês –, como também por não cumprir o que prometeu na sua apresentação, no dia 25 de janeiro: "Serei o líder de um processo de reestruturação".

Menos de um ano depois, além do descaso com o patrimônio do Vasco, a diretoria atual pode amargar mais um rebaixamento do time para a Série B do Campeonato Brasileiro. Conselheiro do clube e presidente da Cruzada Vascaína, Leonardo Gonçalves é taxativo em apontar o culpado.

– Não vejo problema em ter dirigente remunerado. A questão é o valor pago. Eu acho muito caro. E pelo trabalho que estão fazendo, é caríssimo. Mas eles fogem nesses momentos de dar satisfação – reclamou.

Eurico Miranda, presidente do Conselho de Beneméritos, segue a mesma linha de pensamento.

– Qual a capacidade que esses indivíduos têm para ganhar esse salários? Nem multinacional paga isso. O Koehler pode ser PHD em administração, mas o salário é ofensivo – afirmou.

E em enquete promovida pelo L!Net, 82% dos torcedores pediram a renúncia de Roberto Dinamite do cargo de presidente do Vasco. Apenas 18% foi a favor da sua permanência. Votaram 559 pessoas.

Cristiano Koehler: "Não vou entrar no jogo político"

Procurado pela reportagem e ciente das críticas recebidas pelas frentes políticas, Cristiano Koehler se defendeu, mas preferiu não desenvolver sobre o assunto. Segundo ele, qualquer manifestação agora pode gerar perda de foco do importante jogo de hoje.

– Neste momento, vamos nos concentrar na partida, que é muito importante, uma batalha. Mas eu não vou entrar no jogo político criado em decorrência de objetivos diversos. Eles têm informações do trabalho que estamos realizando.

Com a palavra:

Leonardo Gonçalves
Presidente da Cruzada Vascaína

O Vasco está largado, uma bagunça total

Não ter vice-presidente é um erro de gestão. Podem ter os diretores, mas tem que ter um vice vascaíno, um sócio do clube. E isso é só mais um atenuante. O Dinamite não tem a menor capacidade de gerir o Vasco.

Um dos erros desse ano, que fez  chegar onde chegou, foi a falta de um vice no futebol. Só chegou quando já estava indo para o brejo.

Não tem no marketing e nas finanças, onde, por exemplo, o orçamento de 2014 era para ser entregue até 30 de novembro e ainda não fez isso. Isso é gravíssimo, pode comprometer o próximo ano.

A verdade é que o Vasco está largado, uma bagunça. Tem que ter alguém que mande. Quem tem que determinar as diretrizes do Vasco é o presidente do clube, não pode ser um diretor que ontem estava no Grêmio, hoje está no Vasco e amanhã pode estar no Flamengo. Tem que ser um vascaíno.

Bate-Bola:

Eurico Miranda
Presidente do Conselho de Beneméritos do Vasco, ao LANCE!Net

O senhor concorda com a ausência da figura do vice-presidente em algumas pastas?

Você conhece alguma instituição que não tenha um vice presidente de finanças? Todas têm, menos o Vasco. Isso há mais de um ano. Estatutariamente, tem que ter um vice de finanças que assine junto com o presidente. O Vasco não pode assinar um cheque, porque é preciso ter duas assinaturas.

O que o senhor acha da centralização de poder dada ao diretor Cristiano Koehler?

Ele pode ter PHD em administração, mas você tem que fazer um estágio naquilo que vai administrar. Uma instituição como o Vasco tem seu estatuto, seus departamentos. Basicamente, tem que conhecer as tradições do clube.

O que falta ao Vasco?

Falta comando, comando total. Tem gente até dando sugestão de botar o histórico Parque Aquático abaixo para virar estacionamento. É um absurdo este tipo de coisa.