icons.title signature.placeholder Bernardo Cruz e Thiago Correia
14/12/2013
07:37

O Mundial de Clubes começa neste sábado para o Guangzhou Evergrande, que enfrenta o Al Ahly. Duelo entre os campeões de Ásia e África. E a partida pode começar a consagrar ainda mais um brasileiro: Muriqui. Ex-jogador do Atlético-MG, também presente no torneio, ajudou a tirar o seu time da Segunda Divisão, e agora está no Marrocos. Depois da subida, o clube se estruturou, trouxe Marcelo Lippi para ser o técnico, e vieram Conca e Elkeson para fortalecer o time.

– Para mim é um momento importante, estou desde a Segunda Divisão, estou aqui... É muito importante ver o trabalho bem feito, e que será coroado com a participação no Mundial. Tínhamos o nosso objetivo que era vencer na Ásia, e depois vir ao Mundial. Temos a possibilidade de levar o nome do Guangzhou para o mundo. Todos estão empolgados, esperando fazer um bom campeonato, e elevar o nome do futebol chinês – disse Muriqui ao LANCE!Net, que já se satisfaz com o pódio:

– O terceiro lugar é uma colocação muito boa. Se olhar para um time chinês, asiático, talvez as pessoas olhem e não vejam tanta força.

   
Em seu centésimo jogo (Foto: Divulgação)

O tempo de estrada na China é tão longo e a posição dele no clube é tão privilegiada, que sua relação com o presidente Liu Yongzhuo é próxima desde que chegou. O que, aliás, ajudou na adaptação no país.

– Nunca tive problema com ninguém na China. Desde que cheguei, tive adaptação tranquila. Temos uma relação bacana. Sempre que pode, ele vem observar, procura estar perto. Não dá todos os dias, até porque ele não é presidente do clube apenas, mas do grupo, que não se limita só a futebol, tem outras atividades. Não tem tanto tempo para estar com a gente. Não tem muita cobrança quando perde, ele motiva muito, tenta tirar o lado positivo sempre.

Ele até lembra das suas principais diferenças que sentiu quando saiu do Brasil para esta aventura na China.

- Só dificuldades mesmo com língua e culinária. Sai do Brasil, tem arroz e feijão, e na China não, o arroz é diferente, tipo uma papa, e não tem feijão. Então foi difícil no início um pouco, fiquei concentrado. E no idioma era difícil, não falava nem inglês, nem mandarim, mas aí aprendi inglês, entendi um pouco do chinês.

Treinador consagrado
Para Muriqui, um dos principais trunfos do Guangzhou é Marcelo Lippi, técnico com títulos de Copa do Mundo e Liga dos Campeões no currículo. Para o atacante, é um verdadeiro divisor de águas no time.

– Ele trouxe muita qualidade, antes dele era uma coisa, e depois ficou totalmente diferente. Ele ganhou tudo, Copa, Champions... Quando chegou, trouxe o seu conhecimento, não só da parte técnica e tática, mas também fora de campo, na estrutura. Aprendemos muito, o time melhorou muito, trouxe conhecimento e visibilidade para nós.

Marcelo Lippi recebeu muitos elogios de Muriqui (Foto: Jung Yeon-Je/ AFP)

BATE-BOLA
Muriqui
Atacante do Guangzhou Evergrande, ao LANCE!Net

Você ainda pensa em jogar na Europa?
Se eu disser que eu não queria jogar na Europa, estaria mentindo, todos sonham. Quando surgiu a oportunidade de vir, tive que escolher entre família e o lado profissional. Sabia que era um projeto que poderia não dar certo depois de cinco meses, mas eu sabia também que era ambicioso, então topei. Tenho conseguido ter grandes atuações, grandes títulos que o clube não tinha. Temos que fazer escolhas na vida, vim para um centro que não é dos mais badalados, hoje vejo que acertei. Estou feliz e conquistei grandes coisas.

Se o Guangzhou cair para o favorito Bayern de Munique em uma possível semifinal, a sua torcida passa toda para o Atlético-MG?
Eu quero ser campeão, sei que é extremamente difícil. Mas se não conseguirmos chegar, quero que o Atlético-MG vença. Queria jogar contra eles, seria gratificante, mas estamos em lados opostos. Não quero jogar contra eles na disputa de terceiro lugar, queria semifinal ou final. Acho que eles têm chance, nem é necessário eu chegar e falar alguma coisa, o Cuca é inteligente, é um jogo pau a pau, com o Atlético-MG tendo chances de vencer.

Pretende visitar a delegação do Atlético-MG?
Eles só entram na semifinal. Vamos ver o cronograma, para ver se dá para ir ao hotel. Minha família vai estar também, quero estar com eles. Mas tendo a chance, quero ir lá visitar.

Você pensou a jogar pela seleção chinesa? E pelo Brasil? Ainda está em seu pensamento?
Tive algumas situações que me chamaram para conversar, nada oficial. Eu poderia jogar, não era uma decisão fácil, mas passou o tempo e nem criei expectativas. E agora não penso mais nisso. E para o Brasil, é difícil, sempre surge jogador da minha posição. Quem sabe no futuro, vamos trabalhar.

O sucesso de Muriqui na China
Segunda Divisão
Muriqui foi contratado em 2010 para jogar a Segunda Divisão e atuou metade do torneio. Em 14 jogos, fez 13 gols e virou ídolo do clube.

Sequência de títulos
Com o Guangzhou na elite, emplacou logo três títulos do Campeonato Chinês, além de uma Copa e uma Supercopa da China. Neste período, fez 103 jogos e marcou 59 gols.

Campeão da Ásia
O auge veio com a Liga dos Campeões da Ásia. Foi o artilheiro do torneio.