icons.title signature.placeholder Carlos Alberto Vieira
14/06/2014
07:03

Os jogadores ingleses que reconheceram o gramado da Arena da Amazônia, ontem, e que hoje enfrentarão a Itália, às 19h de Brasília (18h de Manaus), podem não saber, mas o seu país tem muito a ver com o futebol do Amazonas.

Foram os ingleses que fundaram o primeiro clube, o Manaós Athletic. Também foram os primeiros campeões estaduais, títulos em 1914 e 1915, com um time formado exclusivamente por cidadãos britânicos.

- No fim do século retrasado eles chegaram para abrir indústrias, construir ferrovias. Se estabeleceram numa região nobre da cidade e, para o lazer, criaram um complexo que esportivo neste local e até hoje está aberto - disse Milton Oliveira, presidente do ex-Manaós e atual Bosque.

A seleção inglesa passou em frente ao Bosque, que fica a apenas 2km de distância da Arena. Talvez os jogadores, se olharam pela janela, tenham se interessado mais no restaurante que fica ao lado, com seu letreiro enorme e que ofusca a entrada principal do clube - um muro vermelho, cor da Inglaterra - com um estacionamento logo na entrada. Neste estacionamento ficava exatamente o campo no qual o Manaós deu a sua primeira volta olímpica.

- Muita coisa mudou, mas ainda mantemos algumas estruturas até hoje - disse, apontando um local chamado Recanto Inglês, que conta com móveis e estruturas da época - disse Milton.

A influência inglesa não foi apenas no futebol. Foi ali que surgiu uma hípica e segundo o diretor Jean Israel, a primeira quadra de tênis do Brasil (está registrado, diz). Os condomínios ao lado? Bosque dos Ingleses e Parque dos Ingleses.

- Há esse lado histórico para a cidade. A presença inglesa é marcante. E também no futebol - disse o prefeito Arthur Virgílio.

O Bosque inglês, hoje, está cheio de bandeirinhas do Brasil e detalhes que lembram a Seleção Brasileira. Mas, ali, a Inglaterra pode se sentir pertinho de casa. Literalmente.

Com a palavra, Milton Oliveira, presidente do Bosque Clube (ex-Manaós)

Este clube foi muito importante para Manaus. Acabou sendo o primeiro legado esportivo da cidade, pois quando os ingleses foram embora, deixaram a estrutura para os brasileiros. Aqui no Bosque Clube temos uma obrigação: manter o passado aceso. Por isso há o recanto. A estrutura é a mesma há 101 anos. Ali era o local que eles se reuniam após os jogos, trocavam a roupa. Nosso cuidado é para que sempre esteja arrumado. O mesmo acontece com a quadra de tênis ao lado. É nova. Mas fica no mesmo espaço. O antigo campo, infelizmente tivemos de aposentar. Mas construímos um novo nos fundos, pertinho dos igarapés que os ingleses usavam.

TORCIDA PARA A INGLATERRA EM MANAUS

Em Manaus, quando se pergunta sobre qual a seleção que ele prefere ver vencedora há uma tendência para o lado... inglês.

- Esses torcedores ingleses estão curtindo tanto a nossa cidade que seria legal ver eles contentes - comentou a vendedora Marialva, que trabalha no Mercado Municipal grudado na entrada principal da área portuária.

A cidade está tomada. Andrew e David circulavam pelo mercado municipal em busca de iguarias amazônicas; John queria provar pirarucu; uma dupla desfilava de cocar. Uma senhora queria comprar ervas. Pareciam estar em Londres, embora muitos não entendessem o que eles falavam.

- Já estão integrados com a nossa paisagem. E não fazem bagunça - disse o policial Oliveira, que trabalha próximo do Bar do Armando, na região do Teatro Amazonas, área boêmia, e sempre está lotado: de cada dois clientes, um é inglês.

- Fazem alegria do comércio. Comem no restaurante chique e no vendedor de churrasquinho. São alegres e gostam de gastar dinheiro - analisou Frederico, que trabalha em um restaurante do centro da cidade.

Com torcedores generosos, eles ganharam os manauaras, que estão pendendo em torcer por eles, que vão sair em tropa para alegrarem novas cidades.

A simpatia pela Inglaterra também foi percebida pelo técnico da seleção inglesa.

- Ontem fui com alguns os jogadores ao shopping. Tivemos até que parar o passeio, tamanha a alegria e histeria. Bonito. Tivemos até de abortar o passeio - disse o treinador Roy Hogdson.