icons.title signature.placeholder Bruno Grossi
15/06/2014
11:19

Imagine a dificuldade que um norte-americano encontraria se, há quase quartenta nos, resolvesse implantar o futebol americano, o da bola oval, em qualquer país que tenha o futebol como maior esporte. A árdua tarefa foi vivenciada em caminho inverso por Francisco Marcos, português de Bombarral que trabalha desce a década de 1970 popularizar o 'soccer' nos Estados Unidos.

- Tive que ensinar a mídia americana o sobre o que era o futebol. Comparei com o futebol americano para eles entenderem a tática. Foi um trabalho muito duro e muito gratificante. Preguei no deserto para verem que a bola era redonda mesmo - disse dirigente de 68 anos ao LANCE!Net.

Francisco chegou aos Estados Unidos aos 16 anos para terminar o colegial e cursar a universidade de Hartwick, em Oneonta, no estado de Nova York. Amante do futebol, sobretudo do Sporting (POR), logo conseguiu implantar o futebol entre os colegas, ganhou bolsa da faculdade por praticar o esporte e criou publicações internas para falar do 'soccer' na terra do 'football'.

As primeiras oportunidades para trabalhar com o esporte profissional apareceram com a North American Soccer Leagues (NASL), liga criada e impulsionada pela presença de lendas como Pelé e Franz Beckenbauer. Nas franquias do Tampa Bay Rowdies e do Dallas Tornado, ganhou visibilidade como gestor e conseguiu selar parceria com o São Paulo em 1979. O caminho, no entanto, foi atrapalhado por obstáculos.

- Houve uma onda de entusiasmo, mais de 70 ml por jogo do New York Kosmos com Pelé. Parecia que o futebol tinha triunfado. A liga, porém, morreu em 1985, não era a hora ainda, mas também não foi um falso alarme. Foi um prólogo da saga, pois alguns times não desistiram - lembrou.

Em 1986, a solução foi criar a United Soccer Leagues. A USL, a princípio, era formada por times de futsal e teve o brasileiro Tatu, ex-São Paulo, como maior expoente. Aos poucos, a entidade ganhou força, se expandiu e trocou as quadras pelos gramados. A proximidade da Copa do Mundo de 1994 empolgou dirigentes e investidores, fazendo o 'soccer' ganhar novo fôlego.

Francisco, então, passou a atuar em diversas áreas. Foi embaixador da Fifa junto à Seleção Brasileira tetracampeã mundial e criou o primeiro torneio profissional de futebol feminino. Os serviços prestados ao esporte fizeram o português virar figura admirada nos Estados Unidos e de prestígio no US Soccer, a federação norte-americana de futebol, ao chefiar seleções de base em torneios oficiais.

Passadas quatro décadas de entrega ao futebol, Francisco Marcos viu o esporte se estabelecer na terra do Tio Sam. No último ano, a Major League Soccer (MLS) vendeu os direitos de transmissão do maior campeonato do país por U$ 750 milhões. O fato deixa o português cheio de orgulho por ter semeado o esporte em meio à forte concorrência do basquete, beisebol e futebol americano e saído bem sucedido.

- Obviamente me sinto orgulhoso. Sou um dos pioneiros, ao lado de 20 ou 30 pessoas que fizeram esse trabalho duro todos os dias por quase 40 anos, casados com o futebol. É muito gratificante chegar a esse ponto. Valeu a pena irmos tão longe. Tenho uma boa vida graças ao futebol. O futebol tomou conta de mim. Tenho vários prêmios, virei sócio vitalício na federação norte-americana. Ganhei até un anel por isso. Estou no salão da fama da federação amadora também. Tudo parte do reocnhecimento do trabalho de uma carreira - vibra Francisco, aposentado da vida de dirigente e hoje consultor da USL.