icons.title signature.placeholder Raphael Martins
13/07/2014
19:38

Resignação. Esse foi o sentimento dos argentinos após a derrota de sua seleção para a Alemanha na final da Copa do Mundo. Após o jogo, apenas aplausos, cantos e depois o silêncio da multidão que se aglomerou no Parque San Martín indo embora. Não houve choro, mas sim um discurso quase uníssono de reconhecimento pelo que os jogadores fizeram neste Mundial.

A confiança máxima que se viu nos últimos dias, e até mesmo na manhã deste domingo, contrastou com uma humildade plena quando o sonho foi embora. "Jogamos bem, caimos lutando", se ouvia de um. Ou então, de outro mais raivoso um, "ao menos não levamos de sete". Alguns analisam que esta geração, apesar de ser pior, chegou mais longe que qualquer uma outra.

Não se pode culpá-los de não empurrar a sua seleção. Estar no Parque San Martín na tarde deste domingo foi como estar em um estádio de futebol. Quantos haviam? 50, 80, 100 mil, não se sabe ao certo. Mas pareciam 40 milhões. Sofreram e aplaudiram cada defesa de Romero, pularam em cada chance perdida. Até comemoram um gol, porém anulado. 

Certamente foi o jogo que, pessoalmente, menos assisti e analisei. Mas foi o que mais senti. A emoção, o passionalismo e a loucura com que os argentinos torcem é incrível. Ao redor da praça, quem não conseguiu chegar próximo do telão improvisava, ouvia no rádio, se espremia para tentar enxergar um pedacinho de televisão dentro de um bar lotado. Teve até carro na calçada que virou arquibancada.

Agora, ainda dá para ouvir a musiquinha dizendo que "Maradona es más grande que Pelé", há carros buzinando e fogos de artifício. Há festa, apesar do vice-campeonato. Agora imagine se a Argentina tivesse conquistado a Copa?