icons.title signature.placeholder Caio Carrieri e Thiago Ferri
29/03/2014
07:13

Neste domingo, Gilson Kleina faz o seu centésimo jogo como técnico do Palmeiras (ele tem 54 vitórias, 20 empates e 25 derrotas). Algo que por pouco se tornou impensável há um ano, quando ele viveu sua maior crise no clube: os 6 a 2 em Mirassol.

A partida no dia 27 de março gerou uma forte turbulência e a diretoria precisou bancar sua permanência. Desde então, técnico e clube passaram por uma “revolução”.

A fase é outra. O time está bem e é um dos favoritos ao título paulista. Contra o Ituano, na semi do Estadual, o treinador fará sua principal partida pelo Alviverde, com a chance de recolocar o time na decisão do campeonato e fazê-lo voltar a vencer a competição desde 2008.

Com um novo elenco e mais respaldo interno (veja abaixo), o comandante tem o respeito dos jogadores. Após o desastre em Mirassol, já havia sido feito um pacto com Kleina, e no fim da Série B, quando criou-se a novela por sua renovação, os atletas fizeram coro pela sua permanência.

Acertada, segundo o seu capitão, Fernando Prass.

– Tem situações e entendimentos que só conseguem ser tomadas da melhor forma com o tempo e conhecimento de cada atleta. O Gilson conhece bem o clube e o grupo de jogadores. Por isso fica mais fácil para ele saber quem responde melhor em certo momento da partida – disse.

Prass enaltece método de trabalho de Gilson Kleina

Na quinta, Kleina venceu o primeiro mata-mata pelo clube, e agora terá uma série de decisões – são três jogos até a final do Paulista, e na quarta decide a classificação na Copa do Brasil contra o Vilhena. A amizade do renovado Palmeiras pode ser o diferencial deste momento.

– Quando o Gilson ficou no Palmeiras, sempre foi se falado da continuidade. E a manutenção dos jogadores também foi importante para a sequência. Muitos times foram campeões sem amizade, mas se você conseguir, facilita. E nós conseguimos. Ajuda na hora de “dar a mão” na dificuldade – concluiu Fernando Prass.

Elementos da virada na Academia

1) Apoio do elenco
Gilson Kleina já foi muito contestado pela torcida em diversos momentos, mas o apoio interno do elenco sempre foi irrestrito. O mesmo vale para os demais funcionários da comissão técnica que já estavam no clube antes da sua chegada, em setembro/2012.

2) Grupo mais forte
Basta comparar o plantel atual com o de um ano atrás para constatar que o treinador tem em mãos opções muito mais qualificadas atualmente. Alan Kardec, Bruno César, Mendieta e Lúcio são nomes que desembarcaram no Palestra Itália posteriormente à tragédia em Mirassol.

3) Força do Pacaembu
A liga existente com o estádio é muito grande, com apoio dos torcedores em jogos como mandante. São 22 partidas de invencibilidade no Pacaembu – a última derrota foi na eliminação na Libertadores do ano passado para o Tijuana (MEX), por 2 a 1. Dentro da baixa média de público que assola o futebol brasileiro, o Verdão tem o segundo melhor número do Estadual: 12.858 pagantes por jogo, apenas atrás do Corinthians, que tem 14.978 de média.

4) Diretoria e pacto
Paulo Nobre bancou Kleina há um ano e jogadores e comissão técnica fizeram um pacto pela recuperação da equipe após o fatídico Mirassol. Além do respaldo ao treinador, a diretoria honrou os salários em dia desde que assumiu a gestão, em janeiro de 2013. É verdade que Kleina se irritou ao saber pelo LANCE! em novembro que o Palmeiras havia tentado contratar Bielsa. O treinador engoliu o sapo e focou no trabalho.

5) Referências em alta
Os principais titulares vivem grande fase neste início de 2014. Prass se mostra cada vez mais decisivo com defesas surpreendentes, Wesley segue como motor do time, Valdivia deixou as lesões para trás e Kardec é artilheiro do Paulistão, com nove gols.