icons.title signature.placeholder Bruno Grossi
23/11/2014
07:00

O destino parece sempre conspirar a favor de Rogério Ceni. Seja pelo centésimo gol diante do Corinthians ou pelo milésimo jogo no dia do aniversário de 21 anos no São Paulo, o acaso tem sido uma das armas do Mito e voltará a acompanhá-lo às 17h deste domingo, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Contra o Santos, rival que já derrotou duas vezes para ser campeão paulista (2000 e 2005), o goleiro-artilheiro fará o último clássico da vida como jogador profissional. O palco? Mato Grosso, o Estado em que Ceni cresceu e nasceu para o futebol com o título estadual de 1990 pelo modesto Sinop, do interior.

Em mais de 24 anos de carreira, o camisa 01 foi ao Mato Grosso para entrar em campo apenas duas vezes. A primeira foi em 1996, quando ainda era reserva de Zetti. Na Copa Master da Conmebol, ganhou chance durante a vitória por 7 a 3 sobre o Botafogo no estádio José Fragelli, em Cuiabá. Quatro anos depois, o Mito foi até Sinop, onde seu pai, Eurydes, ainda cuida de uma fazenda.

O jogo valia pela Copa do Brasil e o Tricolor não teve piedade do clube que projetou aquele que se tornaria seu maior ídolo de todos os tempos ao aplicar goleada por 4 a 0.

Ceni exibe taça de campeão do Mato Grosso de 1990 em seu memorial em Sinop-MT (Foto: Marco Aurélio Jr.)

Hoje, a lenda são-paulina fará o clássico de número 177 para encerrar os duelos contra arquirrivais em vantagem. Mesmo que seja derrotado pelo Santos na moderna Arena Pantanal, Ceni poderá se orgulhar de ter acumulado mais vitórias do que derrotas em clássicos: o placar atual é de 64 a 62, com 50 empates.

A tarde deste domingo em Cuiabá tende a reservar grandes emoções a Ceni. Do reencontro com amigos e familiares  ao adeus aos grandes jogos contra os rivais paulistas. Para quem se acostumou a crescer nessas partidas, resta a esperança de que o São Paulo bata o Atlético Nacional (COL) na quarta-feira e chegue à final da Copa Sul-Americana, em que encontraria um dos gigantes River Plate e Boca Juniors.

Na cabeça do ídolo e de todos os torcedores são-paulinos, a cobrança de falta certeira na decisão do Campeonato Paulista de 2000 passará em repetição contínua enquanto Ceni der os últimos passes, passos e pulos em um clássico. Na quente Cuiabá, o Mito sentirá o calor de casa e a iminência da aposentadoria. Mas como tem o destino como aliado, as lágrimas do adeus devem ser de alegria para Rogério.