icons.title signature.placeholder Thiago Ferri
21/12/2013
15:54


Cerca de 200 torcedores da Portuguesa, entre eles figuras ilustres como o cantor Roberto Leal e o maestro João Carlos Martins, fizeram um protesto no centro de São Paulo contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que, em primeira instância, retirou quatro pontos da equipe no Brasileirão. A medida, como consequência, rebaixou a Lusa para a Série B do Brasileirão, beneficando o Fluminense, que se salvou da degola pela punição ao clube rubro-verde.

Os lusitanos se aglomeraram inicialmente no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), bloqueando três faixas da Avenida Paulista no sentido Consolação e fizeram a volta, indo sentido o centro. A previsão era de que o protesto seguisse até a Fundação Cásper Líbero, antes de voltar para o Masp, mas este foi encerrado quando o grupo voltou à frente do museu. O novo presidente do clube, Ilídio Lico, que assume o cargo em 2014, iria participar, mas teve problemas e por conta disto não compareceu.

O cantor Roberto Leal, português radicado no Brasil, também fez parte do ato. Outro lusitano ilustre, o maestro João Carlos Martins, marcou presença. Uma Kombi carregando instrumentos musicais e com o nome do sindicato dos padeiros seguiu o protesto na avenida e, com um microfone, os mais ilustres falaram com a torcida.

- Todos os times de São Paulo gostam da Portuguesa. É o segundo time de todo mundo, a namoradinhaç. Glória de São Paulo, glória do futebol brasileiro - disse o maestro, seguido por Roberto Leal.

- O mundo está de olho no Brasil, que será sede da Copa do Mundio. Temos que dar o exemplo para o mundo neste caso - avisou o cantor.

Maestro e cantor se misturaram com a multidão na Paulista (FOTO: Reginaldo Castro)

Os torcedores usaram baterias e entoaram gritos como: Fluminense vai se f..., chegou a hora de pagar a Série B", "Vergonha" e "Ão ão ão, ganhou no tapetão". Em faixas, lusitanos chegaram a pedir ajuda à Fifa, em inglês: "Fifa, puna a corrupção no futebol brasileiro", além de críticas como "STJD vergonha nacional", "Chega! Futebol sem inFLUência", e "Justice on futebol. Yes, we can", lembrando da frase da campanha eleitoral de Barack Obama quando disputou a presidência nos Estados Unidos.

- Sou torcedor apaixonado pela Portuguesa. O protesto é justo e válido. O STJD é um braço político da CBF, e eles estão atrelados a interesses dos grandes. Acho que a Lusa tem que ir pra Justiça Comum, a desportiva não funciona, pensa em coisas grandes - declarou Aníbal Carvalho, engenheiro e torcedor Lusa.

O Bom Senso F.C., liderado por alguns dos principais jogadores que atuam no Brasil, foi lembrado. Nesta semana, em carta, o movimento lamentou que o Brasileirão tivesse terminado com uma decisão na Justiça. Durante o protesto o movimento foi também citado, quando os torcedores sentaram no meio da avenida, lembrando o gesto da reta final do Brasileiro.

Também foi possível ver rivais com camisas de Corinthians, Palmeiras e Santos ajudando na manifestação. Fernando Capez, procurador de Justiça licenciado e deputado estadual em São Paulo (PSDB), esteve presente no local e protesta junto dos torcedores da Portuguesa. Ele disse que é "dever" do torcedor da Portuguesa entrar na Justiça Comum para protestar contra a medida.

Não houve registro de atos de violência, o protesto foi acompanhado pela Polícia Militar, que não precisou tomar nenhuma providência mais drástica. Os torcedores já haviam realizado uma manifestação exatamente uma semana atrás, no mesmo local. 

Atualizada às 19h00