icons.title signature.placeholder LANCEPRESS!
22/07/2014
12:06

A volta de Dunga à Seleção Brasileira levanta uma série de questionamentos a todos os torcedores. No momento em que o país exigia uma reformulação no futebol canarinho, após a vexatória goleada por 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014, o treinador eliminado nas quartas de final do Mundial de 2010 é resgatado. Junto com ele, chegam lembranças extremas. De um lado, as conquistas da Copa das Confederações de 2009, da Copa América de 2007 e o primeiro lugar nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Do outro, seu estilo de jogo bastante defensivo, sua tendência em centralizar as decisões da Seleção e as picuinhas com a imprensa.

Como a opção por Dunga é vista, quatro anos depois de sua primeira passagem no Brasil e em um momento tão crítico para a Seleção Brasileira? Saiba a opinião de cada colunista do LANCE!.

ÁLVARO OLIVEIRA FILHO

Mais uma vez, o futebol brasileiro perde uma grande oportunidade de mudar sua filosofia de jogo. Em vez de encararmos a goleada por 7 a 1 sofrida para a Alemanha como um marco de reformulação, tratamos como um resultado normal e houve uma mera troca de treinador. Não entro no mérito de o Dunga ser bom ou ruim, mas precisamos de mudança de pensar nosso futebol, e ela não virá através de um técnico que já passou anteriormente pela Seleção Brasileira.

ANDRÉ KFOURI

A oportunidade foi perdida. A chance de iniciar o projeto de recuperação da Seleção Brasileira foi desperdiçada pelas pessoas que se consideram suas proprietárias. Anunciar o novo técnico menos de duas semanas depois de o Brasil ser varrido da Copa do Mundo em seu próprio quintal foi muito pouco tempo para fazer uma escolha de tamanha importância.

CARLOS ALBERTO VIEIRA

Dunga é sério, um líder que ninguém discute e se dedica com afinco. Assim falarão os que gostaram da escolha. Dunga é turrão, teimoso, agressivo quando acuado e mal educado com a imprensa, falarão os que não gostaram. Não me coloco em nenhum dos dois extremos, mas tenho muitas dúvidas. A CBF queria uma revolução e coloca um treinador que não é um inovador tático (não foi na Seleção e não no Internacional) nem denota uma mudança radical para o nosso futebol. A CBF diz que queria um técnico que saiba trabalhar com os treinadores da base e Dunga nunca fez isso (Rogerio Lourenço disse que, quando era o responsável pela Sub-20, jamais conversou um minuto sequer com Dunga). O novo-velho treinador terá de mudar muito para conseguir reconstruir o orgulho da Seleção. Pode chegar lá, mas os indícios não levam a isso.

EDUARDO TIRONI

Acho o trabalho de Dunga bom, mas não para o atual momento da Seleção Brasileira. Depois da goleada sofrida para a Alemanha, nós estamos tentando buscar o futebol bonito e vistoso, pelo qual se consagrou o Brasil. Sob o comando do Dunga, não vamos retomar isto.

HUMBERTO PERÓN

A volta de Dunga significa um retrocesso para um país que precisava de renovação em seu futebol. Trata-se de um treinador com padrões táticos obsoletos e que já mostrou em sua primeira passagem que tem risco de, mais uma vez, não revelar nenhum grande jogador para a Seleção Brasileira.

MAURO BETING

Não é o melhor nome como treinador, mas é o pior nome para a CBF ganhar um apoio da opinião pública hoje. É difícil entender o motivo da escolha, não pela pessoa dele, mas pelo contexto no qual vive o futebol brasileiro. Creio que Dunga vá expiar por pecados que não são dele, como o problema de entressafra de jogadores pelo qual passamos. Ele pode dar certo no comando? Pode. Mas a grande tendência é de que dê errado.

ROBERTO ASSAF

Por cinco vezes, a Seleção Brasileira apostou na regressão de treinadores campeões mundiais, e em nenhuma delas, a prática mostrou que a volta não costuma trazer bons resultados. Ao promover o retorno de Dunga, que parou com o Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, as críticas serão retomadas. É interessante que a CBF e o próprio técnico estejam pronto para ouvi-las, e a entidade não dê poderes absolutos para Dunga, como deu a Luiz Felipe Scolari. Mas se Dunga vai se sair bem nesta segunda empreitada, só o tempo dirá.

VALDOMIRO NETO

Por mais que Dunga passe a sensação de que fez um bom trabalho e a derrota para a Holanda na Copa de 2010 soe como acidental, a Seleção Brasileira precisava buscar uma nova mentalidade na escolha de seu novo treinador. Os exemplos de Carlos Alberto Parreira e Felipão comprovam que trazer de volta técnicos já virou uma rotina sem final feliz.

VITOR BIRNER

Embora eu tenha discordado de algumas convocações dele, é inegável dizer que, em 2010, Dunga fez um dos melhores trabalhos pela Seleção Brasileira em Copa do Mundo após 1986. O Brasil era bastante consistente, forte e comprometido. Só que agora, o técnico chega com muitos desafios pela frente. O maior deles é unir novamente a Seleção à torcida: ele é realmente o nome ideal para isto? Além disto, Dunga traz uma incógnita, pois seu trabalho seguinte, no Internacional, não foi bom. Ele também deve estar ciente de uma coisa: em 2010, o modelo era a Espanha, e hoje prevalece o futebol alemão toque de bola, que ocupa espaços e tem menos necessidade de marcar. E o mais instigante: em um momento no qual havia apelo para que a Seleção Brasileira avançasse, José Maria Marin buscou o nome de Dunga no passado.