icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
16/03/2014
08:01

Dia 14 de março de 2013: Clemilda Fernandes é atropelada por um caminhão durante um treinamento em Goiânia, fratura duas vértebras, tem perfuração no pulmão e escoriações no corpo.

Neste domingo, 16 de março de 2014: a atleta vai competir na prova de estrada nos Jogos Sul-Americanos do Chile, dias após conquistar uma medalha de bronze na disputa contrarrelógio nessa mesma competição.

Um ano após o grave acidente, Clemilda está recuperada. O susto e a difícil recuperação ficaram para trás. Se até o ano passado ela ainda sofria com dores de cabeça e algumas outras pelo corpo, em 2014 ela se diz totalmente recuperada hoje.

– Não sinto mais nada. Não tenho dores ou qualquer outra queixa. Nem a cabeça tem doído mais. Às vezes, as dores vinham com força. O que ainda tenho são cicatrizes nas costas. Faço uma recuperação para tentar diminuí-las – afirmou ao LANCE!Net.

Sem lugares específicos para os treinamentos no Brasil, a ciclista não teve outra alternativa a não ser voltar a treinar nas ruas. As mudanças na rotina foi mesmo no dia a dia, com trabalhos específicos de fisioterapia e fortalecimento muscular.

Mesmo com a gravidade do acidente, Clemilda voltou a treinar um mês logo após o ocorrido. Durante sua recuperação, contou com o auxílio do fisioterapeuta Robson Porto, que trabalha no Atlético-GO.

O resultado veio com o título nacional na disputa contrarrelógio, em junho. Mas momentos antes do mundial, em setembro, em Florença, ela voltou a ter alguns problemas.

– Fui campeã brasileira 50 dias após o acidente. Disputei o Pan-Americano e embarquei para a Europa. Estava me sentindo bem. Mas peguei uma virose. Me preciptei, acredito que treinei demais. Participei do Mundial, mas não tive um grande resultado – disse a ciclista.

Após um 2013 para esquecer mesmo com o título nacional, Clemilda vê o ano atual como um renascimento. No começo da temporada, ficou com a terceira colocação na Volta de San Luís, na Argentina. Após os Jogos Sul-Americanos, o foco é a Copa do Mundo.

Uma medalha ela já garantiu nos Jogos. E neste domingo pode ter outra.

Frustração sem o Prêmio Brasil Olímpico

Se não bastasse o grave acidente e a virose antes do Mundial, Clemilda Fernandes teve outra frustração no ano passado: perdeu o Prêmio Brasil Olímpico, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no ciclismo de rua para Rafael Andriato.

– Tinha como um dos objetivos conquistar o Prêmio Brasil Olímpico. Mas não deu. Agora, quero conquistar em 2014 – disse a atleta.

Atualmente, Clemilda é a princila ciclista brasileira e da América do Sul. Na última atualização do ranking mundial, em fevereiro, ela aparecia na 26ª colocação.

O ACIDENTE:

No dia 14 de março, Clemilda Fernandes treinava em uma rodovia em Goiânia quando foi atropelada por um caminhão. O motorista não prestou socorro. Com escoriações e um corte profundo na cabeça, ela foi internada na UTI de um hospital da cidade. Após ficar em observação por 24 horas, a atleta foi para o quarto. Depois, foi constatada a fratura de duas vértebras e a perfuração do pulmão. Com dificuldade de respirar e com líquido no local, os médicos quiseram operar a ciclista, mas ela não aceitou. Após oito dias de internação, pediu liberação para se tratar em casa. Ainda fez um trabalho de fisioterapia para voltar a competir o mais rapidamente possível.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM CLEMILDA FERNANDES:

LANCE!Net: Qual expectativa para a segunda prova nos Jogos Sul-Americanos?
Clemilda Fernandes: A expectativa é grande. Treinei muito para essa disputa, fiz um treinamento específico. Estou muito bem. Vou tentar buscar a medalha de ouro, se for possível.

L!Net: Está totalmente recuperada do acidente sofrido ano passado?
CF: Graças a Deus, consegui me recuperar bem. O fisioterapeuta Robson Porto trabalhou comigo nesse tempo. Hoje, ainda faço fisioterapia uma ou duas vezes por mês.

L!Net: O que mudou na sua rotina?
CF: Ano passado, tive de mudar muita coisa no treinamento, o trabalho na academia. A fisioterapia me ajuda muito, me sinto mais forte. Agora, a rotina tem sido igual. Os grandes objetivos são a Olimpíada e o Pan-Americano de 2015.

L!Net: O que houve antes do Mundial?
CF: Fui competir na França e estava muito frio, com muita chuva. Meu corpo ainda não estava forte. Então, competi doente algumas etapas. Eu não me senti bem.