icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
14/03/2014
07:10

Assistimos esta semana às partidas de volta das oitavas de final da UEFA Champions League, a competição de futebol mais lucrativa do planeta. A  força da Champions é comprovada pelo elevado faturamento de 1,2 bilhão de euros (quase R$ 4 bilhões)  por ano em direitos de TV e patrocínios, o que representa um montante superior, inclusive, ao da Copa do Mundo da Fifa, que começa daqui a 3 meses.

Deste montante gerado, cerca de 900 milhões de euros (R$ 2,9 bilhões) são pagos para os 32 times participantes. A competição conta com os maiores times do planeta e uma imensidão de craques de diferentes nacionalidades, que são responsáveis em produzir audiências gigantescas em todos os países do mundo.

O mercado brasileiro se transformou em um foco importante da competição, desde a ação de empresas patrocinadoras por aqui e também na transmissão das partidas, que deixaram de ser exclusivas dos canais por assinatura e contam com a transmissão na tv aberta.

O horário das partidas no Brasil, no meio da tarde, atingem um número muito grande de jovens brasileiros, cada vez mais apaixonados pelos times europeus e seus ídolos. A partida entre Barcelona e Manchester City foi transmitida pela TV Globo e pela Band, além da tradicional transmissão nos canais por assinatura.

Isso significa que os gigantes da Europa estão ocupando um lugar que historicamente sempre foi dos clubes brasileiros. Basta uma caminhada pelas diferentes cidades do Brasil para perceber isso. Meninos e meninas de diferentes idades vestidos com as camisas dos clubes europeus, no lugar dos uniformes dos times brasileiros. E os ídolos destes garotos muitas vezes são estrangeiros e não mais brasileiros.

A garotada brasileira, nossa futura geração de torcedores, está cada vez mais distante das tradicionais equipes brasileiras e, ao mesmo tempo, cada vez mais próxima das marcas dos clubes europeus, especialmente durante a disputa da Champions.

A falta de ídolos, competições de baixa qualidade, falta de apelo de marketing dos times, desorganização do nosso futebol, calendário apertado, violência presente nos estádios, entre outros fatores, têm sido decisivos para que os gigantes da Europa conquistem corações e mentes dos nossos jovens torcedores.

Muitos pais, inclusive, incentivam seus filhos a usarem camisas dos clubes europeus, com medo da violência das torcidas organizadas, fazendo com que esse ambiente de insegurança interfira ainda mais no nosso combalido mercado.

A geração do videogame e redes sociais só pensa nos times europeus e vivencia suas marcas em diferentes plataformas. Segundo dados do site Futebol Business, Barcelona e Real Madrid só perdem em número de fãs no Facebook no Brasil para Corinthians, Flamengo e São Paulo. Muito em breve, os dois clubes espanhóis deverão assumir por aqui a terceira e a quarta posições. E um dia a liderança. Seremos uma Indonésia, uma China, um Japão. Parece absurdo, mas não é.

Isso significa dizer que se o mercado brasileiro não reagir, em pouco mais de dez anos, com a consolidação desse processo, o chamado país do futebol terá um número ainda mais expressivo de jovens torcedores, fãs declarados dos principais times europeus.

O maior problema é que os dirigentes do futebol e os próprios clubes brasileiros não acreditam nesse processo e paracem não esboçar nenhuma reação, dificultando ainda mais qualquer mudança dessa tendência. Um grande desafio para o futuro do futebol brasileiro.