icons.title signature.placeholder Marcello Vieira e Sérgio Arêas
19/12/2013
06:41

A permanência do Fluminense na Primeira Divisão após a punição à Portuguesa pela escalação irregular de Héverton, situação prevista em regulamento, gerou um sentimento coletivo de repúdio não apenas ao Tricolor, mas também aos torcedores do clube. Desde a decisão do STJD, ações que beiram à irracionalidade são relatadas. Algumas delas, inclusive, são casos graves de polícia.

Em São Paulo, um jovem de 13 anos que, traumatizado, pediu para não ser identificado, estava no clube que frequenta com a camisa do Fluminense quando foi agredido por um grupo de adolescentes e teve o uniforme roubado. Na Rua Santa Clara, em Copacabana, outro torcedor saiu vestido com a camisa do Flu e foi agredido por três pessoas. Um menino de 11 anos caminhava quando um carro parou, uma pessoa jogou água nele e gritou: "Eu deveria é te meter a porrada, seu fdp! Seu time é de ladrão!" e foi embora.

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O tricolor Pedro Mesquista, de 31 anos, saiu com a filha de três anos vestida com a roupa do Fluminense em Jacarepaguá e relatou uma situação constrangedora.

– Uma pessoa me abordou e disse que minha filha estava linda. Nisso, uma senhora, não era uma adolescente, era uma idosa que estava ao lado, disse "não está linda nada. Com essa blusa de m. você nunca vai estar linda". Fiquei revoltado! – disse o pai, indignado.

Cabe lembrar o caso de Rafael Sobis que, hostilizado no Galeão, teve de ir para uma área reservada.

Em entrevista ao LANCE!Net, o presidente Peter Siemsen responsabilizou alguns formadores de opinião.

– Estaremos de olho em todos os formadores de opinião que denegrirem a imagem do clube e de seus torcedores. O que está sendo feita é uma grande injustiça com as próprias mãos – afirmou.

Guerra ao Fluminense

Assim como Peter Siemsen, o advogado Mário Bittencourt classificou os ataques aos torcedores como lamentáveis. Para ele, existe uma guerra contra o Fluminense em andamento.

– Lamento que isso esteja acontecendo. Isso só prova que parte da opinião pública acabou transformando isso numa guerra contra o Fluminense, sendo que o clube não tem absolutamente nada a ver com tudo o que aconteceu. Aliás, foi o que se tentou fazer durante toda a semana passada, que foi inibir e constranger o Flu a brigar pelos seus direitos, mas assim como o Flu não se inibe e não se constrange em lutar pelos seus direitos, tenho certeza que nosso torcedor não vai se inibir de usar nossa camisa.

Ataque ao clube e contra-ataque

Uma mobilização entre torcedores do Brasil gerou o site 19 contra 1. O objetivo do site é conferir pontos aos times, jogadores e árbitros que mais prejudicarem o Fluminense no próximo ano durante a disputa do Campeonato Brasileiro. Derrotar o clube carioca em seus domínios, por exemplo, vale 150 pontos, enquanto colocar a equipe das Laranjeiras na lanterna rende 200. Massacrados pela opinião pública, os tricolores prometem fazer um abraço à sede do clube, nas Laranjeiras, neste sábado ao meio-dia. O ato visa pedir moralidade da imprensa e lembrar que moralidade é respeitar as normas assinadas pelos 20 clubes.

Peter diz que Flu já foi punido

Bastante chateado com o rumo que a repercussão da permanência do Tricolor na Primeira Divisão tomou, o presidente Peter Siemsen lembrou que o Fluminense é um clube cumpridor das regras mesmo quando elas prejudicam a própria instituição.

– É bom lembrar também que por várias vezes o Fluminense foi prejudicado por ter jogado em locais distantes em partidas nas quais os outros clubes haviam sido punidos. E nós tivemos ainda de pagar todas as despesas de deslocamento para jogar contra Vasco, Santos e Corinthians. Nós fomos prejudicados, quando na verdade o clube punido não era o Flu.