icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Marcio Porto
19/11/2014
18:42

A turbulenta relação entre São Paulo e Penalty alcançou, talvez, sua maior crise nesta quarta-feira. Um cartaz assinado pela fornecedora de material esportivo vazou para a imprensa e assegurava que Rogério Ceni anunciaria sua aposentadoria dos gramados no próximo dia 25. O clube e as pessoas que trabalham no projeto de despedida do goleiro-artilheiro, porém, negam que a decisão já tenha sido tomada, alegam que nem sequer sabiam da publicação e acusam a marca de amadorismo.

O cartaz também servia para anunciar o lançamento da última camisa da carreira de Ceni. Para os tricolores, se esse fosse o único tema abordado no material, não haveria nenhum problema, já que uniforme deve ser usado pelo camisa 01 mesmo que ele mude de ideia.

- Estou repugnando veementemente. Nenhum patrocinador pode falar em nome do clube. Não foi previamente autorizado pelo São Paulo, nem pelo atleta. Foi uma falta grave. Não tem cabimento. Já falei com o presidente (Carlos Miguel Aidar) e com todo mundo envolvido. É um absurdo - disparou o vice-presidente de comunicação e marketing, Julio Casares.


Cartaz com anúncio de coletiva de 'adeus' de Ceni (Foto: Reprodução)

De acordo com o Tricolor e com pessoas que trabalham com o goleiro, Rogério tomou conhecimento do cartaz na concentração em Medellín, onde nesta quarta-feira os são-paulinos enfrentam o Atlético Nacional (COL) pela semifinal da Copa Sul-Americana. O Mito ficou surpreso.

O São Paulo tem tomado muito cuidado para não apressar ou forçar o adeus de Ceni. Mesmo porque o próprio goleiro não gosta de tratar do assunto enquanto o time briga pelos títulos do Campeonato Brasileiro e da Sul-Americana.

Na programação feita pelo clube e pela Penalty, estava prevista para esta semana uma entrevista coletiva de Ceni para o lançamento do uniforme especial. No entanto, como a delegação tricolor só chegará ao Brasil na madrugada de sexta-feira, o evento foi adiado para a próxima semana.

- A coletiva de anúncio do uniforme iria acontecer, mas nós nem sabemos se ele irá parar ainda. Não tem cabimento - explicou Casares.

Esse não é o primeiro atrito entre Penalty e São Paulo em apenas dois anos de parceria. Em 2013, a fornecedora chegou a atrasar o pagamento e a entrega de materiais para o clube. Já neste ano, boatos sobre uma rescisão antecipada do contrato, que termina em dezembro de 2015, abalaram a relação. No mês passado, os parceiros convocaram reunião com a imprensa no Morumbi e tentaram esfriar a crise.

Enquanto a marca brasileira administrada pelo Grupo Cambuci tenta recuperar a confiança do Tricolor e dos torcedores com o lançamento das camisas de 2015 ainda neste ano, o São Paulo segue sendo alvo do interesse de outras fornecedoras. As alemãs Puma e Adidas e a americana Under Armour surgiram como grandes forças na disputa para vestir o time.

A reportagem tentou entrar em contato com a Penalty, mas os diretores da empresa envolvidos no projeto não atenderam aos telefonemas nem responderam mensagens no celular.