icons.title signature.placeholder TÊNIS NEWS
15/02/2015
10:44

Fabiano de Paula não é o único carioca que disputará uma vaga na chave principal do Rio Open, mas Christian Lindell, que nasceu, mora e treina no Rio de Janeiro, mas defende as cores da Suécia e não pretende tentar defender novamente o verde e amarelo.

O tenista que treina na Acioly Tennis Team, academia de Ricardo Acioly, é filho de pai sueco e passou a defender o país nórdico quando juvenil por lhe ser oferecido apoio para sua carreira.

Atual número 242 do mundo e em seu melhor momento da carreira, Christian despontou aos 19 anos no fim de 2010 quando por pouco não derrotou Thomaz Bellucci em um challenger em São Paulo. A campanha no evento encheu os olhos da mídia e da Confederação Brasileira de Tênis que o incluiu no projeto Olímpico que acabou durando menos de um ano em 2012.

 

Lindell atuou alguns meses pelo Brasil, em poucos torneios, e logo em seguida voltou a defender as cores suecas. O atleta de 23 anos revelou os motivos e mágoas que o fizeram deixar rapidamente o projeto.

 

"Eu me arrependo totalmente. Não deveria ter feito isso. A promessa da CBT era sensacional se fosse verdade e me deixei levar pelo impulso de querer jogar pelo Brasil de uma porta se abrir pra mim, mas me arrependo totalmente", disse Lindell que detalhou: "Projeto Olímpico nem existe mais, acabou depois de um ano, não é ? O projeto para jogar pelo Brasil era por ele, tudo o que a CBT me prometeu não foi verdade, nada. Eles, e não vou aqui citar nomes, queriam mandar em onde eu iria treinar, em calendário, em tudo. Era ou isso ou eu sairia do projeto. Não tenho nada contra, é o jeito da CBT, mas pra mim não servia. Eu tinha a opção de jogar pela Suécia com uma ajuda muito melhor. Eu teria que treinar em Itajaí (SC) - no Itamirim Clube de Campo -, era ou isso ou sairia do projeto, aí falei, 'tá bom, vou sair'. Nem cheguei a treinar lá, foi coincidência que fiquei no clube pois teve um future lá e em Floripa e estava viajando essas semanas com o Marcos Daniel, mas nunca cheguei a treinar lá".

 

Lindell vive ultimamente seu melhor momento com a conquista de futures pela Europa em 2014, vitória em ATP e participação em dois duelos da Copa Davis contra a Romênia e Letônia. E sequer pensa voltar a jogar pelo Brasil mesmo se for chamado novamente no futuro: "O processo de jogar pelo Brasil se encerrou há muito tempo, coloquei um ponto final nisso. Não surgiu nenhum contato mais nada, até porque também já joguei a Copa Davis pela Suécia, mas essa história encerrou. Nunca mais. Não tem volta."

 

Se por um lado se arrepende de ter buscado jogar pelo Brasil pelas promessas da CBT, Christian só sente falta do calor da torcida brasileira já que na Suécia "os fãs são secos em relação aos brasileiros".

 

Christian pouco disputa eventos no Brasil. Ele tem apoio da federação local durante viajens principalmente para a Europa e ainda tem direito à companhia do capitão da Copa Davis local, Frederik Rosengren, para alguns torneios. Nas últimas semanas vem experimentando a sensação de jogar os ATPs por aqui onde esteve no quali do Brasil Open, perdendo na segunda rodada e buscará, neste domingo, vaga na chave do ATP 500 carioca.

 

Mas apesar disso, ele relata ter tido bom apoio do público brasileiro mesmo jogando com a bandeira do país europeu: "Eu nunca jogo em casa, então chamei uma galera pra vir hoje. O pessoal vê que sou brasileiro, outros gritando 'Vamos Christian' e logo identifica e torce. Por exemplo,agora no Brasil Open que enfrentei um romeno, o Adrian Ungur, a torcida tava pra mim, contra o João Sorgi, que é brasileiro, tinha bastante gente torcendo por mim. A quadra não tava cheia, não sei como seria se estivesse. Se tiver uma situação de quadra cheia no Rio de Janeiro acho que terá muita gente torcendo por mim, se for outro lugar acho que não e seria justo. "

 

Christian, que é o número 2 sueco atrás de Elias Ymer, apontou que um objetivo traçado para o ano foi conquistado, o de ter ranking para jogar o quali de Roland Garros, em maio. De acordo com seus cálculos, os pelo menos dez pontos marcados pela final do quali no Rio lhe darão direito para a vaga. Ele deseja terminar o ano no top 200 e ao menos disputar os qualies também em Wimbledon e no US Open.

 

Neste domingo o tenista enfrenta o argentino Facundo Arguello por vaga na chave principal no Jockey Club e quer evitar euforia pela chance de jogar pela primeira vez um torneio 500: "Seria demais passar o quali e jogar a chave, mas nem vou pensar isso não pra não colocar pressão até porque ele é melhor ranqueado que eu, mas acredito que tenha condições de vencê-lo, recuperar fisicamente pra entrar bem".