icons.title signature.placeholder Daniela Caravaggi
15/11/2013
15:13


Quem é o cara para você? Para as meninas de São Leopoldo (RS), que defenderam o colégio Gustavo Schreiber, jogando fustal nos Jogos Escolares da Juventude, na etapa de 12 a 14 anos, ele é muito mais que um pai de sangue. Elas estudam na escola particular da cidade, com 100% de bolsa, justamente por causa dele. Mas quem é o cara? Por meio dessa simples pergunta, uma história de superação, amor e vontade foi contada. Essa é a história do projeto "do cara", Renato Luiz Moreira.

Professor de educação física, Renato se aposentou para criar o "Esporte para todas", e, com isso, ganhou muitas filhas-atletas. Elas enchem o peito de orgulho e se emocionam em falar daquele que as deu uma chance de vida melhor. Ele é técnico de futsal, e, graças a uma parceria com o colégio Gustavo Schreiber, proporcionou mais de 30 bolsas integrais para as garotas. 

- Não tem como explicar porque ele é o cara. Ele simplesmente é. O Renato é um pai para nós, nos dá conselhos e nunca deixa a gente seguir o caminho errado - disse Patricia, que participou do vídeo produzido pelo Comitê Olímpico Brasileiro, que queria encontrar um professor que fosse "o cara".

Não tinha pessoa melhor para ganhar esse título. Renato afirmou que sempre sonhou em fazer um projeto como esse, mas que nunca tinha tido a oportunidade. Ele diz que o "Esporte para todos" é sustentado por R$ 290,00 e que ganha uma ajuda de custo da escola para desenvolvê-lo.

O professor explicou que começou com o projeto em uma escola Estadual, mas como o colégio ia apenas até oitava série e as meninas se formariam, buscou ajuda em outro lugar para elas continuarem treinando e estudando.

- A oportunidade apareceu em São Leopoldo. Vi a carência dessa vila e resolvi fazer o projeto por conta própria, em uma escola Estadual, mas chegou uma hora que não tinha condições de sustentar. As meninas teriam de sair da escola que ia apenas até a oitava série. Foi aí que liguei para o dono do Gustavo Schereiber, que gentilmente me sedia as quadras. Ele queria me ajudar e deu bolsa para elas. Agora, o filho dele também ajuda na parte admnistrativa e minha mulher é psicóloga do time - disse o professor, ao LANCE!Net.

Renato diz que a Vila de São Leopoldo é muito violenta. Ele conta que no começo do projeto, das dez meninas que ele treinava, sete tinham os pais em presídio, por homicídio ou tráfico de drogas. Um dia, um deles, que havia sido solto da prisão, foi até o professor conversar. 

- Quando ele veio conversar comigo. fiquei com medo. Achei que tinha falado algo para filha dele que ele não tinha gostado. Mas ele foi para me agradecer. Ele falou que era grato pelo trabalho que havia feito e eu fiquei muito feliz. As meninas tinham costume de ficar à tarde no shopping, na rua. Agora, elas passam a tarde jogando bola. Ele veio me agradecer por isso - lembrou e finalizou:

- Elas são as minhas filhas. Eu quero vê-las crescendo na vida, quero que continuem estudando. Se eu vejo que estão perdendo o ano, eu tiro o dinheiro do projeto para pagar um reforço escolar. Recebi a notícia que fui considerado "o cara" com muita emoção. Choro cada vez que eu vejo o vídeo que elas fizeram. Foi um sonho realizado, com algo que queria fazer há muito tempo e consegui só agora.

*A repórter viaja a convite do COB