icons.title signature.placeholder Eduardo Mendes, Maurício Oliveira e Thiago Salata
08/07/2014
11:26

Quem acompanhou de perto a trajetória da carreira de Oscar e viu o que ele foi capaz de fazer na final do Mundial Sub-20, sabe que o meia pode, sim, compensar a ausência de Neymar, como fez em 2011 - marcou três gols na final contra Portugal, que era favorita ao título (3x2). Para o zagueiro Bruno Uvini, capitão daquela Seleção e hoje no Santos, Oscar não apareceu ainda porque joga para o grupo e não dá a mínima para o que falam dele na mídia.

- No Mundial Sub-20, por exemplo, mesmo ele não tendo se destacado tanto quanto Phillippe Coutinho e Henrique, que foram os dois que entraram na lista dos melhores do torneio, era muito importante para o time porque se doava ao máximo, como faz na Seleção da Copa. Podem ter certeza de que, na hora que a equipe precisar, ele vai aparecer com a qualidade que tem, como aconteceu no Sub-20. Tem capacidade para isso - diz Uvini, que o conhece desde criança, quando jogavam juntos em escolinhas de Campinas e de São Paulo.

- É um cara que não faz questão alguma de aparecer para a mídia ou para a torcida, mas que é muito diferenciado.

O técnico Ney Franco, comandante na época e hoje no Flamengo, acha que ele pode render mais atuando com liberdade para criar e não aberto pela direita, marcando o lateral adversário como vinha fazendo para liberar Neymar.

- De repente ele pode atuar mais centralizado, é uma posição em que pode ajudar mais. Mas mesmo tendo 22 anos, ele tem muita personalidade. Fez um jogo contra a Croácia muito bom, aberto ou pelo meio, foi assim que ele se destacou mais. Ele dá opção ao treinador porque faz várias fiunções. Pode ser usado até mais atrás, como segundo volante se for preciso, mas vai muito bem como meia de ligação. Foi assim inclusive que fez o gol contra a Croácia.

Veja, abaixo, outras impressões de Ney Franco sobre o Mundial Sub-20 de 2011, que não teve Neymar, e sobre Oscar:

BATE-BOLA COM NEY FRANCO

L!Net - O que lembra daquele Mundial em 2011?
Antes do Mundial, a gente teve uma base muito boa montada para o Sul-Americano. Perdemos dois jogadores para o Mundial, Neymar e Lucas, mas remontamos o time com Philippe Coutinho e Dudu, que hoje está no Grêmio. Basicamente, jogamos no 4-2-3-1, nos dois torneios. Acho que foi uma Seleção que se encaixou fácil numa forma de jogar, unindo a qualidade técnica dos atletas com a parte tática.

L!Net - Quanto a ausência de Neymar pesou depois do Sul-Americano?
A gente manteve a estrutura de jogo, o que foi importante, mas naquele caso a saída dos dois jogadoires deu muita força para os demais jogadores porque Neymar e Lucas tinham ido disputar a Copa América. E todos perceberam que podiam ir para a Seleção principal também, que podiam ser chamados pelo Mano Menezes.

L!Net - Acha que Oscar aparece mais quando tem de ser protagonista? Surpreendeu a atuação dele no Mundial e principalmente na final?
Não surpreendeu. Eu lembro que, antes da final, eu dei uma entrevista, dizendo que não entendia como o Oscar não tinha sido colocado na lista dos melhores do Mundial. Da Seleção, o Henrique estava e acabou sendo eleito o craque do Mundial. Em um determinado momento da final, ele começou como meia, mas nós estávamos perdendo por 2 a 1 e eu decidi tirar um volante e recuar o Oscar. Então, ele trabalhou como segundo volante, recuado, e ajudou na virada do jogo.

L!Net - Havia alguma alternativa para o 4-2-3-1?
Teve um momento contra a Espanha que eu, mesmo sem fazer substituição, coloquei o Casemiro como terceiro zagueiro e liberei os dois laterais para o time encaixar no jogo. A alteração funcionou bem.