icons.title signature.placeholder Raphael Martins
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08/07/2013
16:58

A crise econômica continua a pegar em cheio o futebol português. Reflexos de um país em recessão são visíveis no futebol local e prova disto é a baixíssima participação dos clubes da Liga Sagres no mercado de transferências. Dos 16 clubes da Primeira Divisão, apenas Benfica, Porto e Sporting gastaram alguma quantia em reforços. As demais 13 equipes, com os cofres vazios, tiveram de optar por buscar jogadores a custo zero.

Mesmo assim, entre os que investiram, as chegadas estão muito longe dos nomes badalados de outros mercados europeus mais intensos. Porto e Benfica, campeão e vice da última temporada, mostraram mais uma vez que estão dando as cartas no futebol português. Juntos gastaram 33,9 milhões de euros (R$ 98,4 milhões). Já o Sporting, considerado o terceiro grande, apresenta números bem mais modestos, com pouco mais de um milhão de euros (R$ 2,9 milhões).

No entanto, a medida que passam as temporadas, o cinto vai apertando e nesta toada pode pegar em cheio até mesmo os grandes clubes. Isso porque os alicercer nos quais se sustentam, principalmente Porto e Benfica, são tão frágeis quanto a economia portuguesa.

Em Portugal, assim como no Brasil, uma das principais fontes de renda são as cotas de TV. Como possuem maior torcida, Porto e Benfica levam mais dinheiro. Essa dinâmica, no entanto, mudou na última temporada. Isso graças à diretoria benfiquista, que não quis renovar com a Olivedesportes, empresa detentora dos direitos de transmissão no país. O Benfica passou a ter seus jogos em casa transmitidos pela Benfica TV, canal oficial do clube e que transmite em sistema de TV por assinatura.

- A Benfica Tv foi uma saída encontrada pelo Benfica. Na temporada passada o canal não rendeu lucro algum ao clube. Espera-se que a situação se inverta nesta temporada, pois os assinantes de TV a cabo terão de pagar 20 euros (R$ 58) pela assinatura da Benfica TV. Além disso o canal comprou direitos de exclusividade de campeonatos estrangeiros, como Inglês, Grego, Brasileiro e a Major League Soccer - disse ao LANCENET! o jornalista português Gonçalo Lopes.

A estratégia do Benfica é aproveitar o grande contingente de sócios e de torcedores. Além de possuir a maior torcida do país, os Encarnados possuem o maior número de associados no mundo: são 160.398.

PEQUENOS SOFREM COM COTAS DE TV

Sobre o assunto, o presidente do Estoril, Tiago Ribeiro, lamentou a falta de concorrência no país. Somado ao fato dos canais de TV aberta não terem condições de competir com a Olivedesportes, os clubes portugueses não têm outra opção senão dançar conforme a música. No entanto, o dirigente alertou que a mentalidade de seus colegas terá de mudar.

- Não há concorrência, se tivesse MediaPro, Sky, querendo comprar... mas não. Cada vez mais perdemos espaço. E claro, no nosso caso, a gente vive muito graças aos grandes. Mas não pode deixar só os grandes decidirem. Os pequenos têm que fazer os grandes crescerem, para eles crescerem também. E acho que fica muito essa discussão de pequenos contra grandes, que não leva a nada. Falta inteligência - explicou o presidente do Estoril, cujo clube disputará a próxima Liga Europa.

Aliás, nem mesmo uma participação em competição continental é garantia de investimentos. O Paços de Ferreira, por exemplo, disputará pela primeira vez a Liga dos Campeões. Não gastou um centavo sequer em contratações. Uma delas é a do lateral-esquerdo Fernando, revelação do Fluminense, que foi emprestado ao clube português.

COMO DE PRAXE, PORTO SE DESTACA PELAS VENDAS

Já o Porto se sustenta em sua política de gastar pouco para contratar revelações que possam, no futuro, serem revendidas por quantias muito mais altas. Até o momento, neste mercado, os portistas tiveram o ingresso de 70 milhões de euros (R$ 203,3 milhões) com as vendas de James Rodríguez e João Moutinho para o Monaco e gastaram 16,8 milhões (R$ 48,8 milhões) para contratar quatro jogadores.

As incorporações foram o zagueiro mexicano Reyes, do América do México, o volante Herrera, também mexicano, do Pachuca, o meia brasileiro Carlos Eduardo, do Estoril, o atacante Ricardo Pereira, do Vitória de Guimarães. Nada que possa empolgar o torcedor, mas que condiz com a política dos últimos anos dos Dragões. Porém até mesmo este tipo de política tem os seus defeitos.

Cada vez mais os clubes portugueses estão reféns de fundos de investimento. Sendo assim, as rendas com as negociações são repartidas entre todos os proprietários dos direitos dos atletas. Algumas vezes cabe às equipes apenas uma pequena parte do montante total.

- É uma ilusão, um falso poderia financeiro. Os clubes dependem dos fundos de investimento, inclusive o Porto. Por exemplo, no caso do João Moutinho, o Porto o comprou por oito milhões de euros (R$ 23,2 milhões) e vendeu por 25 milhões (R$ 72,6 milhões). Mas, antes disso, já havia vendido 65% dos direitos do jogador a um fundo de investimenos. No fim das contas o Porto lucrou de dois a três milhões de euros (R$ 5,8 milhões a R$ 8,7 milhões) - afirma Gonçalo Lopes.

Quanto aos direitos televisivos, o Porto fica com o maior contrato da atualidade. O valor por temporada é o de 18 milhões de euros (R$ 52,2 milhões). Algo muito aquém, por exemplo, ao que ganham os grandes clubes do futebol brasileiro. O mesmo vale para os patrocínios, que dão à Benfica e Porto, por exemplo, receitas que giram entre 30 milhões a 40 milhões de euros (R$ 87,1 milhões a R$ 116,1 milhões).

- Eu dei uma vez a ideia, na época que eu estava na Segunda Liga, de juntar 20, 25 times, e tentar negociar um patrocínio coletivo para os uniformes. Isso já foi feito no Brasil na Copa União, por exemplo, e conseguiria mais dinheiro. Ninguém quis saber, os interesses eram outros. Mas isso era algo que poderia ser viável. Não tem patrocinador porque não as coisas do jeito que estão não possuem credibilidade. Tem clube que corre o risco de começar o campeonato e não terminar por falta de jogadores - argumentou o presidente do Estoril.

NA TEMPORADA RETRASADA, CLUBE FOI À FALÊNCIA

Tal situação descrita por Tiago Ribeiro ocorreu na temporada 2011/12, quando o União de Leiria entrou em campo com apenas sete jogadores para enfrentar o Feirense. O destino final do clube foi a falência. Algo, que pelo visto, pode se repetir com outros clubes menores portugueses. Aos grandes resta um panorema de apequenamento, como já ocorre com o Sporting.

Os Leões de Lisboa passam há anos por uma crise institucional e econômica. Dentro das quatro linhas já não conseguem os resultados de outrora, tanto que no último Campeonato Português terminou na sétima colocação e ficou fora das competições continentais.

- No caso do Sporting é mais complicado ainda, porque a situação política é tão instável que os investidores não querem se envolver mais com o clube - diz Gonçalo Lopes.

Para a próxima temporada, os reforços do Sporting foram o lateral-esquerdo Jefferson (custou R$ 1,1 milhão), ex-Fluminense e que pertencia ao Desportivo Brasil, o zagueiro Maurício (R$ 1 milhão), ex-Sport, e o atacante Salim Cissé (R$ 871 mil), ex-Vitória de Guimarães.

No futebol português a luz parece quase não aparecer no fim do túnel.

A crise econômica continua a pegar em cheio o futebol português. Reflexos de um país em recessão são visíveis no futebol local e prova disto é a baixíssima participação dos clubes da Liga Sagres no mercado de transferências. Dos 16 clubes da Primeira Divisão, apenas Benfica, Porto e Sporting gastaram alguma quantia em reforços. As demais 13 equipes, com os cofres vazios, tiveram de optar por buscar jogadores a custo zero.

Mesmo assim, entre os que investiram, as chegadas estão muito longe dos nomes badalados de outros mercados europeus mais intensos. Porto e Benfica, campeão e vice da última temporada, mostraram mais uma vez que estão dando as cartas no futebol português. Juntos gastaram 33,9 milhões de euros (R$ 98,4 milhões). Já o Sporting, considerado o terceiro grande, apresenta números bem mais modestos, com pouco mais de um milhão de euros (R$ 2,9 milhões).

No entanto, a medida que passam as temporadas, o cinto vai apertando e nesta toada pode pegar em cheio até mesmo os grandes clubes. Isso porque os alicercer nos quais se sustentam, principalmente Porto e Benfica, são tão frágeis quanto a economia portuguesa.

Em Portugal, assim como no Brasil, uma das principais fontes de renda são as cotas de TV. Como possuem maior torcida, Porto e Benfica levam mais dinheiro. Essa dinâmica, no entanto, mudou na última temporada. Isso graças à diretoria benfiquista, que não quis renovar com a Olivedesportes, empresa detentora dos direitos de transmissão no país. O Benfica passou a ter seus jogos em casa transmitidos pela Benfica TV, canal oficial do clube e que transmite em sistema de TV por assinatura.

- A Benfica Tv foi uma saída encontrada pelo Benfica. Na temporada passada o canal não rendeu lucro algum ao clube. Espera-se que a situação se inverta nesta temporada, pois os assinantes de TV a cabo terão de pagar 20 euros (R$ 58) pela assinatura da Benfica TV. Além disso o canal comprou direitos de exclusividade de campeonatos estrangeiros, como Inglês, Grego, Brasileiro e a Major League Soccer - disse ao LANCENET! o jornalista português Gonçalo Lopes.

A estratégia do Benfica é aproveitar o grande contingente de sócios e de torcedores. Além de possuir a maior torcida do país, os Encarnados possuem o maior número de associados no mundo: são 160.398.

PEQUENOS SOFREM COM COTAS DE TV

Sobre o assunto, o presidente do Estoril, Tiago Ribeiro, lamentou a falta de concorrência no país. Somado ao fato dos canais de TV aberta não terem condições de competir com a Olivedesportes, os clubes portugueses não têm outra opção senão dançar conforme a música. No entanto, o dirigente alertou que a mentalidade de seus colegas terá de mudar.

- Não há concorrência, se tivesse MediaPro, Sky, querendo comprar... mas não. Cada vez mais perdemos espaço. E claro, no nosso caso, a gente vive muito graças aos grandes. Mas não pode deixar só os grandes decidirem. Os pequenos têm que fazer os grandes crescerem, para eles crescerem também. E acho que fica muito essa discussão de pequenos contra grandes, que não leva a nada. Falta inteligência - explicou o presidente do Estoril, cujo clube disputará a próxima Liga Europa.

Aliás, nem mesmo uma participação em competição continental é garantia de investimentos. O Paços de Ferreira, por exemplo, disputará pela primeira vez a Liga dos Campeões. Não gastou um centavo sequer em contratações. Uma delas é a do lateral-esquerdo Fernando, revelação do Fluminense, que foi emprestado ao clube português.

COMO DE PRAXE, PORTO SE DESTACA PELAS VENDAS

Já o Porto se sustenta em sua política de gastar pouco para contratar revelações que possam, no futuro, serem revendidas por quantias muito mais altas. Até o momento, neste mercado, os portistas tiveram o ingresso de 70 milhões de euros (R$ 203,3 milhões) com as vendas de James Rodríguez e João Moutinho para o Monaco e gastaram 16,8 milhões (R$ 48,8 milhões) para contratar quatro jogadores.

As incorporações foram o zagueiro mexicano Reyes, do América do México, o volante Herrera, também mexicano, do Pachuca, o meia brasileiro Carlos Eduardo, do Estoril, o atacante Ricardo Pereira, do Vitória de Guimarães. Nada que possa empolgar o torcedor, mas que condiz com a política dos últimos anos dos Dragões. Porém até mesmo este tipo de política tem os seus defeitos.

Cada vez mais os clubes portugueses estão reféns de fundos de investimento. Sendo assim, as rendas com as negociações são repartidas entre todos os proprietários dos direitos dos atletas. Algumas vezes cabe às equipes apenas uma pequena parte do montante total.

- É uma ilusão, um falso poderia financeiro. Os clubes dependem dos fundos de investimento, inclusive o Porto. Por exemplo, no caso do João Moutinho, o Porto o comprou por oito milhões de euros (R$ 23,2 milhões) e vendeu por 25 milhões (R$ 72,6 milhões). Mas, antes disso, já havia vendido 65% dos direitos do jogador a um fundo de investimenos. No fim das contas o Porto lucrou de dois a três milhões de euros (R$ 5,8 milhões a R$ 8,7 milhões) - afirma Gonçalo Lopes.

Quanto aos direitos televisivos, o Porto fica com o maior contrato da atualidade. O valor por temporada é o de 18 milhões de euros (R$ 52,2 milhões). Algo muito aquém, por exemplo, ao que ganham os grandes clubes do futebol brasileiro. O mesmo vale para os patrocínios, que dão à Benfica e Porto, por exemplo, receitas que giram entre 30 milhões a 40 milhões de euros (R$ 87,1 milhões a R$ 116,1 milhões).

- Eu dei uma vez a ideia, na época que eu estava na Segunda Liga, de juntar 20, 25 times, e tentar negociar um patrocínio coletivo para os uniformes. Isso já foi feito no Brasil na Copa União, por exemplo, e conseguiria mais dinheiro. Ninguém quis saber, os interesses eram outros. Mas isso era algo que poderia ser viável. Não tem patrocinador porque não as coisas do jeito que estão não possuem credibilidade. Tem clube que corre o risco de começar o campeonato e não terminar por falta de jogadores - argumentou o presidente do Estoril.

NA TEMPORADA RETRASADA, CLUBE FOI À FALÊNCIA

Tal situação descrita por Tiago Ribeiro ocorreu na temporada 2011/12, quando o União de Leiria entrou em campo com apenas sete jogadores para enfrentar o Feirense. O destino final do clube foi a falência. Algo, que pelo visto, pode se repetir com outros clubes menores portugueses. Aos grandes resta um panorema de apequenamento, como já ocorre com o Sporting.

Os Leões de Lisboa passam há anos por uma crise institucional e econômica. Dentro das quatro linhas já não conseguem os resultados de outrora, tanto que no último Campeonato Português terminou na sétima colocação e ficou fora das competições continentais.

- No caso do Sporting é mais complicado ainda, porque a situação política é tão instável que os investidores não querem se envolver mais com o clube - diz Gonçalo Lopes.

Para a próxima temporada, os reforços do Sporting foram o lateral-esquerdo Jefferson (custou R$ 1,1 milhão), ex-Fluminense e que pertencia ao Desportivo Brasil, o zagueiro Maurício (R$ 1 milhão), ex-Sport, e o atacante Salim Cissé (R$ 871 mil), ex-Vitória de Guimarães.

No futebol português a luz parece quase não aparecer no fim do túnel.