icons.title signature.placeholder Caio Carrieri
06/11/2013
09:04

Herói e vilão. Jogador e torcedor. Homem e pré-adolescente. Bruno viveu de tudo desde 1997 no Palmeiras, aonde chegou ainda menino (13 anos), formou-se como profissional e também delineou seu perfil pessoal. Essa intensa trajetória, no entanto, pode acabar em menos de dois meses, embora o goleiro confie que permanecerá representando o clube em 2014.

O camisa 1 figura na lista de 13 jogadores do atual elenco cujos contratos se encerram em dezembro. Sempre exaltado internamente pela postura exemplar no dia a dia, Bruno lembra a dificuldade financeira que o clube atravessa e avalia como justa a valorização pedida à diretoria para permanecer.

- Ninguém conhece o Palmeiras como eu. Todo tipo de situação eu já passei aqui dentro. Acho que posso ser muito importante para o Palmeiras. Sei do meu lugar, sei das minhas condições. Vou ser e sou muito importante para o clube. Tenho condições de ficar e tenho certeza que vai dar tudo certo. É o meu desejo, eu amo esse clube e quero ficar aqui - declarou, ao LANCE!Net.

O arqueiro diz que pede apenas a compensação de um valor que já estava previsto no acordo vigente em caso de ele atingir um número mínimo de jogos por temporada, mas que não foi reajustado nos últimos anos em que teve chances.

- Não pedi nada de mais, mesmo porque eu sei o que acontece com o clube. Sou da casa, tenho 17 anos de clube. Não pedi nada de mais. Pedi o que eu acho justo e mereço - declarou o jogador de 29 anos, que não tem empresário e conta com o auxílio do pai em negociações.

Criticado por torcedores pela falha na derrota por 2 a 1 para o Tijuana (MEX), no Pacaembu, onde o Palmeiras foi eliminado das oitavas de final da Copa Libertadores, Bruno reconhece o erro, mas usa seu histórico no Verdão para se defender e o avalia como positivo. O título da Copa do Brasil de 2012 e o prêmio de melhor goleiro da competição são as maiores glórias da carreira. Caso não realize o desejo de seguir no Palestra Itália em 2014, Bruno se imagina em ação na Europa.

- Se eu pudesse escolher um país para jogar, queria muito jogar na Inglaterra. Sei falar inglês e isso poderia facilitar, além do passaporte italiano. Tenho vontade de jogar na Europa até para viver outras culturas. É uma situação que acho que todo jogador deveria passar.

Confira um bate-bola com Bruno:

LANCE!Net: Como está a negociação?
Bruno: Eu fui procurado bem no começo do ano, mesmo antes de eu jogar. Eles fizeram uma proposta para mim, eu fiz a minha contraproposta. Eles pediram para esperar, para ver como as coisas iriam acontecer. Por enquanto está nisso, eles não deram nenhuma resposta da minha contraproposta.

Qual vai ser o tamanho de frustração, se não ficar no centenário?
Frustração vai ser de abandonar um clube no qual eu fui criado, que eu tenho uma identificação muito grande. De se encerrar esse ciclo. Não pelo centenário. Acho que o futebol é muito dinâmico. Hoje estou aqui e amanhã posso estar do outro lado do mundo.

Qual o balanço que você faz do seu histórico no clube?
Acho que foi muito positivo. Eu tive um erro, que foi esse ano. É uma falha, todo mundo comete. Acontece. Ninguém queria que acontecesse, ainda mais nas oitavas da Libertadores, mas no jogo de ida foi 0 a 0 e eu fiz uma excelente partida. Um jogo antes, nas quartas de final, contra o Santos, foi um dos melhores jogos pelo Palmeiras. Nós conseguimos empatar 1 a 1, mas infelizmente perdemos. Fiz alguns dos meus melhores jogos pelo Palmeiras nesse ano, mesmo depois da eliminação na Libertadores. Fiz um Campeonato Brasileiro muito bom no ano passado, infelizmente fomos rebaixados.

Antes mesmo de você estrear, Marcos dizia que você era melhor do que ele e do que o Cavalieri. Esse rótulo pesou muito para você?
Ouvir isso do Marcos é sacanagem, né? Fantástico. Não vejo como uma responsabilidade a mais, porque ela já existe e é muito grande ao jogar pelo Palmeiras. É muito difícil. Só quem joga aqui dentro sabe o que a gente passa.


Os atuais goleiros do Verdão

Fernando Prass
Chegou no começo do ano e passou grande segurança. Aos 35 anos, é titular absoluto e não jogou só quando se lesionou ou foi poupado. Tem contrato com o clube até dezembro de 2015.

Fábio
Terceiro goleiro do elenco, não jogou pelo profissional até agora e, aos 23 anos, tem contrato até agosto de 2017.

Raphael Alemão
Foi mal nos dois jogos que fez em 2012, e tornou-se a quarta opção no gol. Aos 25 anos, tem contrato até junho de 2017, e foi emprestado ao Marília para 2014.

Deola
Aos 30 anos, está emprestado ao Vitória desde 2012, quando perdeu espaço, mas volta ao Verdão no fim deste ano. Seu contrato é válido até o fim de 2015.