icons.title signature.placeholder Thiago Salata
12/06/2014
12:48

Ruas tranquilas, como em uma manhã de domingo sem futebol. Alguns poucos carros buzinando com passageiros gritando "Brasil!". Vários vendedores de bandeiras em seus postos tradicionais. Assim estava o estádio Cícero Pompeu de Toledo na manhã ensolarada de outono desta quinta-feira.

Morumbi x Itaquera. São Paulo x Corinthians. Quando a Copa do Mundo foi anunciada no Brasil, em 2007, era no estádio tricolor que se esperava que a abertura do Mundial neste dia 12 de junho de 2014 fosse realizada. Acordos políticos, disputas de bastidores e problemas para tirar do papel a reforma casa são-paulina minaram o sonho do então presidente tricolor Juvenal Juvêncio. Andrés Sanchez, ex-presidente do Timão, entrou em cena a partir de 2010.


A Copa do Morumbi virou a Copa de Itaquera. Qual é mais é longe do centro? Que bairro é melhor? Quem tem mais infraestrutura. Debates com tais perguntas acirraram a rivalidade em São Paulo nos últimos. Polêmica hoje esvaziada, assim como está o estádio tricolor, a 32 quilômetros de distância da Arena Corinthians.

- Foi melhor para a gente a Copa não ser aqui no Morumbi. Com a fiscalização da Fifa, seríamos retirados - disse Leandro Almeida, vendedor de bandeiras na Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao Morumbi. Nem tudo são flores.

- Mas o movimento está fraco. Em dia de hoje na última Copa, fizemos R$ 6 mil. Vamos ver hoje - afirmou, entre uma venda e outra. A bandeira grande do Brasil custa R$ 80, mas por R$ 60 ele a negocia. Bandeiras do Brasil tradicionais, e outras com o escudos de São Paulo, Corinthians e Palmeiras no centro.

Eram 10h09. A reportagem tomou um táxi na praça. Só oito minutos, e viagem a R$ 22 reais (bandeira 2), até a estação Butantã do metrô, linha amarela. Seu Emídio, taxista, festejava o fato inusitado de ter levado um grupo de croatas de um hotel na Avenida Giovanni Gronchi até outro ponto próximo. Mais croatas se reuniram para partir de transporte público até o palco da abertura.

Dois carros de polícia e vários soldados faziam a segurança na estação, torcedores ali embarcavam. Até a vendedora de bilhetes vestia uma camisa da Seleção. Começava a mudar o clima do calmo Morumbi à efervescente Itaquera.

Mais e mais torcedores embarcaram a cada estação, até a Luz, onde se pega o trem "Expresso Copa" direto para Itaquera. Jornalistas, torcedores de várias nacionalidades. "Que dia! Que dia!", vibrou sozinho um peruano subindo na escada rolante. Muitos policiais no trajeto, sinalização perfeita. Croatas, em seu dialeto incompreensível, misturados a brasileiros: adultos, idosos e crianças.

Um croata quase gritou, pegou sua câmera e registrou a primeira foto da Arena Corinthians quando esta "surgiu" na janela do trem. Às 11h07, 58 minutos do embarque do táxi no Morumbi, a reportagem pisou no bairro da partida. Buzinaço, gritos de "vai, Brasil!", argentinos empolgados, equatorianos sorrindo. Até que um grupo de croatas se juntaram, pulando, com seus gritos tradicionais na saída da estação. Foram "abafados" pelos brasileiros em poucos segundos. Só quem tem ingresso ou é credenciado passa pela barreira rumo à entrada do estádio.

Às 17h, tem mais uma abertura de Copa do Mundo. Brasil x Croácia. São Paulo x Corinthians, neste dia 12, não é o que mais importante. Ficou para trás.