icons.title signature.placeholder Lucas Faraldo Knopf
11/06/2014
09:00

Na véspera da partida de abertura da Copa do Mundo, a Arena Corinthians segue sem acordo de naming rights (direitos nominais, em tradução livre). As negociações lideradas por Andrés Sanchez, ex-presidente do Timão e homem-forte da construção do estádio, devem ser concluídas apenas depois do Mundial. Para Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, a passagem do torneio internacional pelo Brasil será benéfica ao clube alvinegro na busca por um acerto do novo nome de sua arena.

– Para o clube, neste momento em que está desesperado para fechar, a Copa vai dar uma visibilidade grande para a Arena. Haverá um bilhão de pessoas vendo o jogo de abertura, mais não sei quantos milhões nos outros jogos... Isso gera uma visibilidade grande para o clube e para o estádio – afirmou o especialista, lembrando os seis jogos que acontecerão no estádio corintiano durante o Mundial.

O fato de o Corinthians não ter firmado os naming rights de sua arena antes da Copa do Mundo, por sua vez, não deve causar grandes impactos nas negociações do clube. Somoggi citou a Allianz Arena, de Berlim, como exemplo para explicar que a Fifa proíbe a exposição de marcas como nomes de estádios de Copa do Mundo. Em 2006, a arena do Bayern de Munique foi chamada de Estádio Olímpico de Berlim.

– Não faria diferença nenhuma do ponto de vista do uso da marca (os naming rights serem fechados antes ou depois da Copa), porque é proibido pela Fifa a exposição de marcas. Não teria diferença marcadológica. Na Alemanha, por exemplo, todos os estádios tiveram de tirar seus nomes para a realização da Copa do Mundo – comentou o consultor.

Nesta quinta-feira, Brasil e Croácia se enfrentam na Arena. Outros cinco jogos da Copa acontecerão no estádio alvinegro: Uruguai x Inglaterra (19 de junho), Holanda x Chile (23 de junho), Coréia do Sul x Bélgica (26 de junho), uma oitavas de final (1º de julho) e uma semifinal (9 de julho).

VALORES

Andrés Sanchez esteve, desde o último sábado, nos Emirados Árabes, onde conversou com executivos locais para tentar negociar os naming rights da Arena Corinthians. O clube alvinegro não aceita receber menos do que R$ 400 milhões por um período de 20 anos de contrato. Para Somoggi, tal exigência é irreal, se for levado em consideração os valores conhecidos atualmente mundo afora.

– Assim como achei os valores do naming rights do Palmeiras exagerados (R$ 300 milhões por 20 anos), acho o do Corinthians completamente fora da realidade para os padrões nacionais. Se fechar acima de R$ 400 milhões, como foi divulgado em alguns lugares, estarão rasgando dinheiro. Considerando que no mercado norte-americano, o maior do mundo em termos de naming rights, nenhum acordo chega a valores desse patamar, essa estimativa sobre o estádio do Corinthians é bastante elevada – analisou o consultor.

O "favorito" a fechar acordo com Andrés Sanchez e, consequentemente, Corinthians, é o fundo árabe Abu Dhabi Investiment Authority, ligado às empresas aéreas Emirates e Etihad.