icons.title signature.placeholder Eduardo Moura
27/11/2013
08:03

Titular absoluto do Grêmio, Bressan ascendeu de maneira rápida no futebol brasileiro. Menos de um ano depois de deixar o Juventude e a Série D do Brasileirão, brilha no Tricolor e lidera desarmes, rebatidas, passes, lançamentos e jogos entre os defensores no clube gaúcho. Cobiçado pelo futebol europeu - tem passaporte italiano -, o camisa 15 revela que quer ficar no Grêmio em 2014 e que vive seu o melhor momento vestindo azul, preto e branco. Ainda se surpreende como tudo aconteceu de maneira tão rápida na carreira. Depois de iniciar o ano já jogando, na primeira decisão, admite que teve uma queda de rendimento, na metade do Brasileiro. Cresceu novamente, com a ajuda de trabalhos específicos dos auxiliares Roger e Victor Hugo Signorelli baseado nas estatísticas.

Segundo dados da parceria LANCE!/Footstats, Bressan atuou em 34 partidas das 36 jogadas e lidera diversas estatísticas entre os defensores. Ficou fora de duas partidas por suspensão. No restante, foi o titular da defesa, embora tenha tido uma queda - que ele mesmo reconhece - no meio da competição, ou entrou no decorrer das partidas. Tem 84 desarmes certos, mais que o dobro de Rhodolfo, com 45. Tem 286 rebatidas, contra 206 do companheiro de zaga. Acertou 70 lançamentos, contra 62 do camisa 44. São 720 passes, contra 488 do outro titular e líder do elenco.

O bom momento, principalmente nas últimas partidas, despertou o interesse de clubes europeus. Com passaporte italiano, o zagueiro é valorizado no Velho Continente. Seu empresário, Marcelo Lipatín, ex-centroavante gremista, esteve viajando pela Alemanha e Itália para se reunir com clubes e discutir sobre Bressan.

- Procuro nem pensar nisso. Minha vontade é ficar aqui - diz Bressan

Em algum momento, Bressan terá de pensar. A tendência é que pelas características e pelo tour do agente a Europa, cheguem propostas concretas. Apesar da vontade de permanecer do zagueiro, o Tricolor passa por um momento delicado financeiramente. Os dirigentes já admitiram que vão precisar de uma venda para equilibrar as finanças. Bressan é quem está mais perto de receber uma proposta - Alex Telles tem apenas sondagens e Ramiro conversas menores que isso.

Bressan ascendeu rapidamente no clube (Foto: Ricardo Rímoli/LANCE!Press)

Você lidera uma série de estatísticas do Footstats. Você chega acompanhar isso internamente com a comissão?

Eu olho. Costumo olhar até para me avaliar também. Saber onde estou rendendo mais e onde posso melhorar. Na época do Juventude tinha muito scout, a gente fazia a cada jogo. Sempre me apeguei muito na questão do desarme, acho que com isso conseguimos nos autoavaliar e onde podemos evoluir.

E quando aparece alguma abaixo do que você espera, faz um trabalho diferente para isso?

Com certeza, até o Roger faz muito isso. O Victor Hugo também. Junto com os zagueiros, trabalhos de tempo de bola, cruzamentos, todas as situações que nós enfrentamos nos jogos. Estamos sempre em evolução.

Esse ano, sendo titular absoluto, aconteceu mais rápido do que o esperado?

Foi uma surpresa, o início principalmente. Cheguei no final de dezembro e já em janeiro joguei contra a LDU na pré-Libertadores. As coisas aconteceram rápido. Me preparei para isso, mas não sabia que seria tão rápido assim. Dentro de um clube grande temos que estar sempre em evolução. Sempre chegam jogadores, a pressão e a responsabilidade são grandes. Tenho que manter meus pés no chão e saber que não conquistei nada ainda.

Você disse que tinha que estar preparado. O que é estar preparado?

Para mim o se preparar é se dedicar nos treinamentos. Só nos treinamentos conseguimos render dentro dos jogos. A cabeça estar descansando também, estar de bem fora também, para pensar apenas só no futebol, coisas boas. E estar treinando, para poder evoluir e crescer para que quando chance aparecesse eu pudesse estar bem preparado.

Bressan (C) atua com Rhodolfo (E) (Foto: Lucas Uebel)

Já falou que Rhodolfo é um líder. Como tem casado as características de vocês?

Rhodolfo é um cara bem técnico, acaba passando tranquilidade para mim. É experiente, como eu tinha falado, que é um líder no grupo e vem ajudando. Sempre me espelhei muito, acho que casa bastante bem as características. Ele é um jogador um pouco mais alto, e eu mais leve para zagueiro, estou procurando aprender muito com ele.

Qual o papel que achas que os jovens estão tendo na campanha deste ano?

Importante essa mistura, essa mescla. Essa vivência dos jogadores experientes com a juventude e a busca, que estamos correndo atrás, para aparecer. Eles nos ajudam e nós ajudamos eles. É o que está dando certo para a gente estar no G4 e buscando a vice-liderança do Brasileirão.

Se o Grêmio alcançar a segunda colocação, dá para considerar uma conquista quase como um título, uma conquista forte?

Com certeza, vamos comemorar muito se chegarmos em segundo lugar. Vai ser uma conquista muito grande. O Cruzeiro foi o único clube que destoou dos outros. Fez uma campanha irretocável, era difícil chegar nele. Conseguindo terminar em segundo, vem muita coisa boa para gente e será por mérito. É difícil chegar em um segundo lugar em um Brasileirão, que é tão disputado.

Seu nome tem circulado e seu empresário está na Europa. Como você lida com a possibilidade de sair?

Procuro não pensar nisso, isso fica a cargo do meu empresário, Marcelo Lipatin. Se for bom para o Grêmio, é algo a se conversar depois do Brasileiro. Passei por muita dificuldade para chegar até aqui, então não posso desvalorizar o momento que eu vivo aqui no Grêmio. Tenho que valorizar ao máximo, respeitar a diretoria que apostou em mim. Meu pensamento é total no Grêmio, minha vontade é ficar aqui. Conquistei uma coisa que a um ano atrás parecia muito distante. Estar aqui hoje me deixa muito feliz.

Seria importante então disputar mais uma Libertadores, mais ambientado ao clube, a situação de entrar como favorito?

Nem por pensar em sair, mas o importante é ter uma evolução dentro do Grêmio. O começo foi bom, tive um momento difícil no meio do ano e consegui recuperar meu espaço. Na minha avaliação, é o meu melhor momento no Grêmio. Quanto mais ambientado no clube e com o grupo, a tendência é que o jogador cresça. A parte técnica dentro de campo. Procuro pensar que o melhor para mim é ficar aqui no Grêmio.

Bressan lidera estatísticas de desarmes, rebatidas e lançamentos entre zagueiros (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)


Você citou o momento difícil que teve no clube. O que acha que foi determinante para conseguir superar?

Acho que a confiança do Renato e do grupo, que me acolheu. A cobrança estava sendo bem forte e o pessoal me apoiou. Eu me cobro muito, assisti aos jogos depois, na madrugada, e procurava me avaliar para ver o que eu estava errando. O que podia melhorar. Foi assim que consegui passar por essa fase e retomar meu bom futebol.

E qual era a nota do Bressan para as suas atuações?

Sou um pouquinho rígido. Às vezes assistia junto com o meu pai, que sempre fala e dá a opinião dele para mim. Isso é importante. Tem que ter uma autoavaliação e saber que não acertamos tudo, que podemos evoluir sempre.