icons.title signature.placeholder Igor Siqueira e Michel Castellar
05/12/2013
08:35

A Adidas se cercou de cuidados para evitar que as reclamações por causa da bola oficial da Copa voltem a ocorrer no Brasil, como aconteceu com a Jabulani, durante o Mundial da África do Sul, em 2010. O diretor de Copa do Mundo da empresa, Rodrigo Messias, contou que a primeira providência foi a de intensificar todos os testes na criação do ícone esportivo.

– Independentemente de qualquer coisa, a cada Copa temos sempre a intenção de melhorar tecnicamente – disse Messias.

Em 2010, os atletas, principalmente os goleiros, reclamaram da Jabulani por causa de sua trajetória. A principal queixa era a de que a bola tinha um percurso imprevisível, argumento que chegou a ser comprovado em um estudo da agência espacial americana, a Nasa.

– No túnel de vento, a Brazuca tem uma aerodinâmica quase perfeita. E esse voo assimétrico não deve complicar a vida dos goleiros – afirmou o diretor de Copa da Adidas.

Durante o seu processo criativo, a multinacional alemã, que produz a bola oficial do Mundial desde 1970, levou à exaustão os testes com a Brazuca. Simetria, durabilidade e design foram alguns pontos que receberam atenção especial.

A Brazuca foi testada por dois anos e meio em um processo que envolveu 600 jogadores, de 30 equipes, em dez países do mundo. E colocar à prova o ícone foi a principal decisão após os problemas com a Jabulani.

– No Brasil, os testes envolveram o Fluminense e o Palmeiras. O Flamengo não participou porque, na época, ainda não era patrocinado por nós – explicou Messias.

Nas demais partes do mundo, a Brazuca foi testada em campeonatos que utilizam a bola da multinacional alemã, como nas competições alemã, portuguesa e argentina. E em todas foi aprovada.

– Claro que os atletas não sabiam que utilizavam a futura bola oficial da Copa. Sempre dissemos que era um novo modelo que estava em teste, algo que é muito comum fazermos – salientou Messias.

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Culpa da Jabulani?

Inglaterra
Gerrard colocou a culpa na bola pelo frango do goleiro inglês Green, que não conseguiu segurar chute fraco de Dempsey no 1 a 1 contra os EUA.

Gana
O técnico da seleção de Gana, Milovan Rajevac, elegeu a bola como culpada pelo gol sofrido pelo goleiro Kingston diante da Austrália. O jogo foi 1 a 1.

Argentina
Segundo os goleiros Romero e Andujar, o fato de Messi ter deixado a Copa-2010 sem ter feito um gol sequer foi culpa da Jabulani.

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Bate-Bola

Rodrigo Messias
Diretor de Copa do Mundo da Adidas

No Brasil, a Brazuca foi testada por Fluminense e Palmeiras. Onde foram esses testes?
Durante os treinos, nos coletivos e rachões. Pois não patrocinamos nenhum campeonato no país.

E como foram esses testes?
Os jogadores recebiam bolas brancas. Em um primeiro momento, eram diversas bolas. Queríamos ter a certeza de que a Brazuca seria a escolhida por todos como a melhor e se destacaria entre todas nos treinamentos.

Por que usar bolas brancas?
Pode não parecer, mas até a cor pode influenciar na decisão de um atleta. Queríamos ter a opinião técnica mais precisa. Saber qual era realmente a melhor. Então, nada de cor, e todas brancas.

Os atletas não desconfiaram que testavam a bola da Copa?
Muito difícil. Pode até ter tido algum, mas não houve alguém que descobrisse. Até porque, como produtores de material esportivo, é muito comum que façamos testes com uma nova bola a ser lançada no mercado.

A Brazuca será a melhor bola de todas as Copas?
Nos esforçamos para isso.

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Multinacional deseja vender um mínimo de 15 milhões de Brazucas

A Adidas espera aumentar em pelo menos 10% o número de bolas vendidas da Copa no Brasil. Em 2010, foram comercializadas 13 milhões de Jabulanis.

Para atingir esse objetivo, foram criadas sete faixas de preços. A mais cara custa R$ 399, e a de menor valor, a mini-bola, R$ 29.

A réplica mais barata da Brazuca vai custar R$ 79. A partir de amanhã, a multinacional alemã inicia as trocas das bolas de sua promoção, que ofertou gratuitamente um ícone para cada bebê nascido no país na terça-feira.