icons.title signature.placeholder Daniel Bortoletto e Rodrigo Cerqueira
03/07/2014
07:47

Bola para Hugo, que toca para Robben. Gol do Groningen. Era assim a formação ofensiva do meio-campo do pequeno clube holandês, na temporada 2000/2001, na tentativa de atrapalhar Ajax, PSV e Feyenoord. Um brasileiro em busca de espaço na Europa, após ser formado pelo Flamengo e passar pelo rival Fluminense, sem grande sucesso. E um jovem holandês, à época com 17 anos, na estreia como profissional. Nesta quarta-feira, os dois voltaram a se encontrar, na Gávea, sede do Rubro-Negro, coincidentemente, o primeiro clube de Hugo.

Com as duas filhas, o brasileiro, que parou de jogar há oito anos, foi ver o treinamento do ex-companheiro, que lidera a Holanda na Copa. Antes, já havia estado no hotel onde a delegação da Laranja está hospedada no Rio. E lembrou de momentos vividos com o craque. Em março de 2001, em um empate em 3 a 3 com o Ajax, Hugo fez o 1º gol com passe de Robben. O holandês também deixaria sua marca, sete minutos depois.

– Naquela época já dava para perceber que ele era diferenciado. Felizmente, sempre tivemos um bom relacionamento e continuamos nos falando até hoje. Nossas esposas se conhecem, as minhas filhas estudavam no mesmo colégio dos filhos dele... Sempre que ele vai para Groningen, já que ainda tem casa lá, nos encontramos – contou Hugo, atualmente treinador dos times de base do próprio Groningen, ao LANCE!Net.

Hugo, que passou por Fla e Flu, jogou com Robben no Groningen (Foto: Rodrigo Cerqueira)

Ao relembrar a parceria que formavam, o brasileiro cita um Robben que mudou bastante a forma de jogar após passagens por PSV (HOL), Chelsea (ING), Real Madrid (ESP) e Bayern de Munique (ALE). E por isso briga pela artilharia da competição. Com três gols, está atrás do colombiano James Rodríguez, que fez cinco, além do alemão Müller, do argentino Messi e do brasileiro Neymar, todos com quatro.

– Ele sempre foi esse jogador muito veloz, um clássico ponta esquerda. Com o passar do tempo, foi ganhando mais experiência. Antigamente Robben ia muito para o fundo, e tomava muita pancada. Agora ele consegue proteger a bola e partir em direção ao gol. Ele gostava de dar mais passes, mas mudou e busca mais o gol – analisa.

Veja jogadas do início da carreira de Robben pelo Groningen


O próximo encontro entre os dois amigos que o futebol formou deve acontecer no sábado, em Salvador. Hugo já conseguiu ingressos para o jogo e agora está atrás de passagens aéreas para ver Robben enfrentar a Costa Rica pelas quartas de final da Copa. O que esperar?

– Ele está jogando demais.

Palavra de quem sabe.

Bate-bola: Hugo, ex-jogador e companheiro de Robben no Groningen

1- Robben cresceu muito nos últimos anos, mas sempre carregando suas características principais. Na sua avaliação, quais são os méritos do trabalho na base feito na Holanda para o sucesso do atacante?

R: Na Holanda, eles são muito estudiosos na área de treinamento. Eles estudam muito, observam os outros times. Investem muito nos jovens, nas divisões de base. Esses jogadores que estão subindo agora têm uma qualidade muito boa, falta mesmo é um pouco mais de experiência. E a Holanda sempre foi taticamente muito forte. Hoje em dia, eles conseguem conciliar a questão da tática com a técnica.

2- A Holanda sempre revela muitos jogadores talentosos. Então, desde a base eles trabalham essa relação entre tática e técnica?

R: A questão da tática é da escola holandesa. Eles dão liberdade com disciplina tática. Taticamente, eles chegam no profissional conhecendo todos os sistemas de jogo. Antes havia a discussão de que era preciso deixar os jovens com mais liberdade, para não ser feito apenas um trabalho tático desde as categorias inferiores. Hoje, eles conseguem fazer essa relação da melhor forma.

3- Você trabalha com categorias de base há quanto tempo? Pensa em assumir o time profissional?

Estou há oito anos trabalhando com as categorias de base do Groningen. Eu tenho a ambição de ser um treinador profissional.