icons.title signature.placeholder Francisco Loureiro
29/07/2014
11:27

O Campeonato Brasileiro pode estar prestes a adotar a tecnologia mais comentada – e aprovada – da Copa do Mundo do Brasil: o GoalControl, ou tecnologia da linha do gol.

– Isso é um assunto para conversamos mais para frente – disse em tom de mistério ao L!Bizz Claudine Fronterotta, vice-presidente da filial brasileira da empresa alemã GoalControl. Mas o diretor de competições da CBF, Virgílio Eliseo, confirmou à reportagem que a entidade está em “conversas avançadas” com a empresa.

– Sim, estamos nos reunindo, mas ainda existem muitos pontos a serem resolvidos – afirmou Eliseo.

A preocupação da CBF não é financeira. Segundo a empresa, a instalação da tecnologia custa exatos R$ 897 mil por estádio, e pode ser instalado em qualquer tipo de arena, mesmo naqueles distantes do “padrão Fifa”. Fronterotta diz que a Premier League (ING) usa a tecnologia em vários tipos de arenas.

Se considerarmos a Série A do Brasileirão, a CBF precisaria instalar o GoalControl em 14 estádios – isto levando em conta que seis arenas usadas na Copa já contam com a tecnologia, que Flamengo e Fluminense joguem sempre no Maracanã e que o Botafogo tenha o Engenhão de volta. Resumindo: por R$ 12,1 milhões, todos os 20 times da primeira divisão poderiam usufruir da tecnologia em igualdade de condições.

– O ponto mais crítico é a questão da isonomia de condições, estamos estudando esta questão mais a fundo – disse o dirigente da CBF.

Vale lembrar que a quantia de R$ 12,1 milhões é pequena para a entidade, que arrecadou R$ 467 milhões em 2013, fechando o ano com R$ 85 milhões em caixa.

Além disso, a GoalControl não é um custo extra para quem transmite o jogo. Segundo Fronterotta, o sistema emite automaticamente as imagens para as emissoras de TV. A Globo foi questionada sobre a adoção da tecnologia mas direcionou o assunto à CBF por ser uma “ferramenta de auxílio ao juiz”.

Se a CBF quiser aproveitar os seis estádios usados na Copa que terão a tecnologia de graça até junho de 2015 – presente da Fifa para o país-sede – a entidade deve fechar o negócio até o fim da temporada.


POSSÍVEL ENTRAVE

Se financeiramente a tecnologia da linha do gol não parece ser um problema, do ponto de vista jurídico a adoção do GoalControl pela CBF pode esbarrar em normas do direito internacional e ser inviabilizada.

– Com certeza o fato de a Fifa ter usado e aprovado a tecnologia facilita, mas não sabemos se a International Football Association Board (IFAB) estará de acordo com o que a CBF quer – afirmou o advogado Gustavo Gelbin, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo.

Na visão dele, só haverá completa igualdade de condições se a CBF adotar o sistema em todas as competições que realiza durante o ano. Isso engloba as Séries A, B, C e D e a Copa do Brasil.

Com mais de 100 times obrigados a jogar sob condições iguais, o custo para a CBF adotar o GoalControl ultrapassaria R$ 100 milhões, o que provavelmente enterraria a ideia ainda no berço.

Para o advogado, ainda existem outras questões a serem discutidas pela CBF antes de bater o martelo.
– Não sei como ficaria a questão dos árbitros da linha do Gol, já que essa tecnologia substituiria o trabalho que eles fazem – completou Gelbin.