icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
20/03/2014
10:02

Mais de cem medalhas de ouro (mais que o dobro do segundo colocado), 258 láureas no total e segundo título na história da competição. Esse foi o resultado do Brasil nos Jogos Sul-Americanos, em sua décima edição. Em uma análise fria, tal desempenho brasileiro chega a impressionar. Mas quando é feita uma análise global, tendo em conta resultados olímpicos, é melhor colocar o pé no freio.

Não dá para desmerecer o resultado do Time Brasil. Afinal, das 41 modalidades em disputa (o país participou de 39), apenas golfe e hóquei sobre a grama passaram em branco. Além disso, foi a primeira vez que uma delegação nacional foi montada no atual ciclo olímpico de olho na Olimpíada de 2016.

– Tivemos maior adequação do programa sul-americano ao dos Jogos Olímpicos, com menos provas não olímpicas em disputa e, consequentemente, menos medalhas. Essa adequação favorece uma análise mais realista do estágio olímpico dos países participantes. E nesse aspecto, o resultado do Time Brasil em Santiago mostra que o trabalho dos últimos quatro anos tem correspondido ao planejamento feito para a Rio-2016 – afirmou o diretor-executivo de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire.

Mas apesar do discurso otimista, o COB tem a ciência de que os resultados nos Jogos Sul-Americanos precisam ser analisados com calma. Modalidades como judô e vôlei de praia, que sempre deram frutos ao país, seguiram em alta. Mas outras, que até então vinham de resultados ruins, renasceram. Mas é bom ter calma. Afinal, após passar em branco em Londres-2012 e no Mundial do ano passado, o atletismo conquistou 41 medalhas no Chile. Um resultado fora da realidade em termos olímpicos.Ou seja, ser uma potência continental não quer dizer que os resultados se repetirão mundialmente.

Até por isso, o Comitê trabalha primeiro para aumentar o número da participação brasileira em fase final de mundiais, onde as avaliações ficariam mais próximas da realidade. Se ano passado foram 13, a intenção é atingir por volta de 30. Para assim, conseguir chegar na Olimpíada de 2016 com 18 modalidades com chances de conquistar pelo menos uma medalha.

– Estamos trabalhando para ampliar o número de modalidades com medalhas em 2016. Contamos com as que tradicionalmente já conquistaram, como judô, vôlei, vôlei de praia natação e atletismo, e ouras que estão sendo desenvolvidas para este fim – declarou o gerente de performance esportiva do COB, Jorge Bichara ao LANCE!Net.

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BATE-BOLA COM JORGE BICHARA, GERENTE DE PERFORMANCE ESPORTIVA DO COB

1 - O Brasil contou com equipes em 41 modalidades e só não conseguiu medalhas no hóquei sobre a grama e no golfe. Isso já era esperado ou foi acima da expectativa?

- São modalidades muito novas no cenário olímpico brasileiro e que estão em seu processo natural de evolução. O resultado dessas modalidades foi dentro do esperado.

2 - Em muitas modalidades, os Jogos Sul-Americanos não contam com equipes fortes. Assim, o que esse resultado realmente representa para o Brasil de olho em 2016?

- Países como Colômbia, Equador, Venezuela e Argentina apresentam resultados em algumas modalidades superiores ao do Brasil, como por exemplo ciclismo, levantamento de peso e lutas. Portanto, esta é uma excelente competição para avaliarmos alguns parâmetros. Os principais objetivos do COB em Santiago 2014 foram dar continuidade ao processo de preparação da equipe para 2016, proporcionar experiência a vários atletas que estão vivenciando pela primeira vez o ambiente olímpico e consolidar jovens potenciais atletas com resultados expressivos nos últimos dois anos.

3 - Agora, com o fim dos Jogos Sul-Americanos, como está a programação do COB para o restante do ano?

- 2014 é um ano de consolidação de resultados individuais e de avaliação dos resultados nos esportes coletivos, que em sua maioria terá seus respectivos Campeonatos Mundiais. Vamos dar sequência à preparação dos atletas e intensificar as ações que contribuam para a excelência do treinamento dos atletas e equipes.

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SOBE E DESCE:

Atletismo:
Após resultados ruins nas últimas competições internacionais outdoor, o Brasil deixou os Jogos Sul-Americanos com 41 medalhas. Foram 14 ouros, 13 pratas e 14 bronzes. Fabiana Murer, Keila Costa (com duas conquistas), Augusto Dutra e o revezamento 4x100m foram alguns destaques. Já Mauro Vinícius da Silva, o Duda, ficou com o bronze após o título mundial indoor.

Natação:
Outra modalidade coletiva em que o Brasil mostrou superioridade em relação aos outros países. Foram 37 medalhas: 18 de ouro, seis de prata e 13 de bronze. Thiago Pereira e Bruno Fratus se destacaram em suas provas. O jovem Matheus Santana também não perdeu rendimento em sua primeira grande competição e levou os 100m livre. As mulheres levaram sete láureas douradas.

Judô e boxe:
Nas duas modalidades de lutas, o time brasileiros levou medalhas em todas. Foram 14 no judô (cinco ouros, duas pratas e sete bronzes) e 11 no boxe (seis ouros uma prata e quatro bronzes). Destaques para David Moura e Robson Conceição, que confirmaram o favoritismo e ficaram em primeiro lugar na disputa.

Vôlei de praia:
Quatro duplas do Brasil entrou em quadra e o país saiu com quatro medalhas. Foram dois ouros e dois bronzes. O desempenho só não foi melhor, porque, pelo regulamento, equipes do mesmo país não poderiam fazer a final. Então, os brasileiros tiveram de se enfrentar nas semifinais

DESCE

Golfe:
Nem mesmo com a estreia de Angela Park na equipe, o Brasil conseguiu sair com medalhas. Após anos afastada das competições, a golfista ainda sente falta de ritmo e tenta recuperar a boa forma. Assim, ficou na última colocação entre as 13 participantes da disputa feminina.

Hóquei sobre a grama:
A modalidade ainda cresce no Brasil. Mas a expectativa era ficar pelo menos entre os três primeiros colocados, principalmente na disputa masculina. Não deu. Os homens e as mulheres brasileiros perderam a disputa pela terceira colocação e ficaram fora do pódio.

Taekwondo:
Guilherme Dias Alves, terceiro colocado no mundial do ano passado em sua categoria (menos de 58kg), era o favorito na disputa. Mas ele mesmo admite ter sentido um pouco da pressão ao estrear diante de um chileno. Foi eliminado logo na primeira luta. O Brasil conquistou cinco medalhas na modalidade, quatro de prata e uma de bronze. Natalia Falavigna, em busca de retomar a boa fase, foi a segunda colocada no peso mais de 67kg.

Basquete:
Uma das únicas modalidades, ao lado da patinação de velocidade, que o Brasil não mandou representantes. O calendário das competições nacionais foi a justificativa para não mandar equipes. Assim, uma das modalidades mais tradicionais do país ficou sem competidores e, consequentemente, sem medalhas.

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SUB PAN-AMERICANO

Competição valeu vagas no Pan de 2015

Além de afirmar o Brasil como uma potência continental, os Jogos Sul-Americanos tiveram uma outra importância para alguns esportes: a competição foi classificatória para o Pan-Americano de 2015, que será em Toronto (CAN).

Segundo o COB, o Time Brasil conseguiu vaga em sete modalidades: boliche (dupla masculina), handebol  (femimino e masculino), hipismo adestramento (equipe), hipismo saltos (equipe), caratê (quatro categorias ,– mais de 84kg masculino; até de 60kg masculino /mais de 68kg feminino/ até 55kg feminino), luta olímpica (até 69kg e até 75kg, ambas feminina), pentatlo moderno (feminino e masculino) e rúgbi de sete (feminino).

Como esperado, a Seleção Feminina de handebol confirmou o favoritismo e saiu com o título. Mas não foi tão dominante quanto o esperado. Após empatar com a Argentina no número de pontos, as brasileiras levaram vantagem nos critérios de desempate, pois conseguiram marcar mais gols durante o torneio.

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NÚMEROS

0
Medalhas
Conquistou Guiana nos Jogos Sul-Americanos. Entre os 14 países na disputa, foi o único que não conseguiu subir ao pódio.

110
Medalhas de ouro
Levou o Brasil na competição. A Colômbia, que terminou a competição na segunda colocação no número de láureas douradas, ficou com 53.

O repórter viajou a convite do COB