icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
29/06/2014
08:06

Você consegue imaginar Felipão tirando uma “selfie” com a presidente Dilma Rousseff? E Muricy Ramalho chutando as nádegas de um de seus comandados durante o treinamento? E que tal Joel Santana fantasiado de Papai Noel? Miguel Herrera, técnico da seleção mexicana, faz isso e muitas outras coisas inimagináveis para um treinador brasileiro – e de quase todas outras nacionalidades. Foi assim que ele cativou os torcedores de seu país, ganhou fãs no Brasil e tornou-se um dos grandes personagens da Copa.

Com 1,68m e bastante fora de forma, Herrera carrega desde os tempos de jogador um apelido que não precisa de muita explicação: Piolho.

Pequenino, porém cheio de energia, ele se descabela à beira dos gramados, pula como garoto nas comemorações de gols e ainda mantém um pouco do estilo explosivo dos tempos de jogador, quando chegou até a trocar sopapos com torcedores e um gandula. Embora mais tranquilo hoje em dia, ele não foge de polêmica, sobretudo quando tem de defender seus comandados.

– Ele é encrenqueiro (risos). Defende sempre os atletas. Se alguém desmerece sua equipe, ele não só rebate como usa isso para motivar – conta Rosinei, volante dirigido por Herrera no América-MEX.

Motivar, aliás, é uma das especialidades de Herrera. Embora sua inteligência e visão tática sejam elogiadas, o ponto forte do treinador está em fazer os jogadores acreditarem que são capazes de tudo.

O dom da oratória poderia ser útil para Herrera realizar o sonho de infância: ser presidente do México. Porém, ele nunca levou adiante a ideia de ser político. Quando jovem, para ajudar a família trabalhou de vendedor e até como figurante em filme, mas nunca desgrudou da bola. Primeiro a de basquete, logo substituída pela de futebol, a qual ele nunca mais largou.

Neste domingo, contra a Holanda, ele tenta levar o México às quartas de final da Copa após 28 anos. Seria o maior salto do Piolho.

Com a palavra: Rosinei, volante dirigido por Herrera no América-MEX

O Herrera é muito próximo dos jogadores, brincalhão e amigo. Como jogou, então sabe como pensa o atleta. Porém, sempre soube se impor. Na hora de cobrar, falava alto, xingava... No geral, os técnicos mexicanos são assim, mais próximos do grupo.

Ele é bom de tática, aplicado nos treinos e gosta de jogar para frente. Sempre estuda muito os adversários.

No clube, reunia as famílias para almoços e encontros, adotava um estilo “paizão”.