icons.title signature.placeholder Bernardo Cruz, Igor Siqueira e Luiz Signor
17/11/2014
12:39

Uma das caras novas da Seleção Brasileira na convocação para os dois últimos amistosos do ano, Roberto Firmino já conseguiu estrear com amarelinha, no segundo tempo contra a Turquia. Mas ainda quer muito mais. O impulso para esse sonho começou a ser dado há alguns anos, quando o meia-atacante chegou ao Figueirense. O técnico Hemerson Maria, hoje no Joinville, se impressionou com o que viu.

- Eu que aprovei ele aqui no Figueirense. Logo no primeiro treinamento (pelo time juvenil), ele fez dois gols de bicicleta. Já era fora de série naquele momento. Não tenho dúvida que vai estar na próxima Copa do Mundo. Trabalhei com ele no time juvenil, no júnior e também no profissional, como auxiliar. Observei de perto a evolução dele - revelou o treinador ao LANCE!Net.

O jogador guarda com carinho aquela experiência. E, assim como impressionou Hemerson, espera que o mesmo aconteça com Dunga nas apresentações com a amarelinha. Se já der certo contra a Áustria, neste terça-feira, ótimo para Firmino.

- Com ele (Hemerson), aprendi muito taticamente, a ser mais cabeça. Ele é demais. Realmente fiz dois gols de bicicleta no primeiro treino. No coletivo, tava todo mundo querendo me bater. Foi legal. É sempre bom fazer gols assim bonitos. Estou sempre tentando. Eu espero começar (a trajetória na Seleção) com os pés no chão, no dia a dia com o treinador. Se acontecer (gol de bicicleta), vou aproveitar a oportunidade. Espero que eles gostem - contou Firmino, também em entrevista exclusiva ao L!Net.

Roberto Firmino já deu uma prova recente de que a capacidade para golaços de bicicleta ainda está afiada. Ele fez uma obra prima pouco depois de ter recebido a notícia da convocação, na vitória do Hoffenheim sobre o Frankfurt, na Copa da Alemanha.

Sobre a bagagem que já conseguiu na Europa e a experiência no país campeão do mundo é que ele fala nesta entrevista.

COMO RECEBEU PRIMEIRA CONVOCAÇÃO?

- Foi mais um sonho realizado na minha vida, depois de muito trabalho. Por incrível que pareça, em todas as convocações da Seleção eu acompanhei. Só nessa que não. Eu tava na sala, com minha família e não sabia que ia ter convocação. Depois de uns 10 minutos, já começaram a mandar um monte de mensagens. Meu empresário ligou... Foi uma surpresa. Foi melhor ainda.

QUERIA TER IDO ANTES?

- Antes da Copa tinha uma expectativa. A gente sonha, não para de sonhar, ainda mais porque se trata de Seleção Brasileira. Não fiquei chateado por não ter ido; Se não fui, porque não era o momento certo. Mas acho que agora é. Quero aproveitar a oportunidade.

REAÇÃO NO CLUBE COM A CONVOCAÇÃO?

- Eles sempre iam para as seleções deles e perguntavam se eu não iria também. Eu falava que ainda não, que estava trabalhando e que a oportunidade apareceria. Agora eles me deram parabéns, fui bastante festejado, como se fosse aniversário. Ficaram felizes porque lutei bastante para conseguir esse espaço.

BRIGA POR POSIÇÃO NA SELEÇÃO

- É minha primeira vez. Tem outros também. A disputa vai ser normal. O Dunga é que sabe. Eu sou um meia-atacante, chego bastante no gol, estou sempre na área. Me dedico bastante, corro muito. Gosto de fazer gols e dar passes.

JOGAR NA ALEMANHA AJUDOU?

- A escolha pela Alemanha não foi a toa. Durante os três anos e meio que estou aqui, eu pude trabalhar bastante. Deu tudo certo até agora. Aprendi muito taticamente, a defender também. Então, estou sempre melhorando. A Alemanha é um país ótimo. Nada comparado ao Brasil, mas eu gosto bastante de estar aqui.

CULTURA DO PAÍS

- Aprendi a postura alemã, a cultura mais defensiva. Demorei um mês ou dois para começar a jogar. E estou até agora, tenho evoluído. A língua é muito ruim. É muito difícil. É muita coisa, palavras que nunca escutei. Mas estou aprimorando. Ainda não arrisquei entrevista, mas vou tentar qualquer dia desses.

7 A 1

- Eu já tinha voltado das férias. Durante a maior parte da Copa eu estava no Brasil, mas nas semifinais já tinha voltado para a pré-temporada. Estava com os alemães no jantar. Não foi nada bonito para mim tomar 7 a 1. Riram de mim, mas é normal, acontece. O que foi escandaloso foi o placar alto. Não estava lá, não posso falar.

CARTILHA, DUNGA...

- Ninguém tinha entrado em contato comigo. Me apresentei e comecei a conversar. Todo o treinador tem regrinhas. Tem que cumprir. Ele é o chefe, ele que manda. Ele é um excelente técnico. Entende bastante taticamente. Foi um excelente jogador.

TRANSFERÊNCIA

- Renovei o contrato até 2017. Minha cabeça é só trabalhar, fazer uma boa temporada. Eu não sei de nada do futuro. Vamos ver o que vai acontecer.

ORIGEM

- Eu venho de família humilde, batalhadora, lá de Maceió. Minha infância foi só futebol, a partir dos sete anos. Até hoje. Foi bastante sofrido para chegar aqui. Eu tenho pai, mãe e uma irmã mais nova, que tem 11 anos. Eles vivem no Brasil, mas uma ou duas vezes ao ano eles vêm me visitar. Passam um tempo e voltam. Nunca estamos muito tempo longe.