icons.title signature.placeholder Michel Castellar
16/06/2014
18:00

Na Copa das Confederações no ano passado, Brasília foi um dos principais pólos de manifestações em que houve confronto com a polícia mas, na Copa do Mundo, após a realização de dois protestos, a paz reinou. A explicação foi um acordo feito entre o Comitê Popular da Copa do Distrito Federal e os ativistas ligados ao movimento dos Black Blocs.

Um dos líderes do Comitê Popular da Copa-DF, Thiago Ávila explicou que os manifestantes sentiram que a violência espantava, principalmente, a população. Por isso, ao término da Copa das Confederações, adeptos dos Black Blocs foram procurados em uma tentativa de construção de um discurso único e pacífico.

- Conseguimos fazer com que eles viessem construir com a gente. Então, eles passaram a respeitar a decisão coletiva e, neste momento, entendemos que o movimento Black Bloc não é a tática ideal - explicou Ávila.

Ávila garantiu que os Black Blocs continuam presentes nas manifestações de Brasília. Mas, desta vez, têm cumprido o acordo de não partirem para a violência.

No primeiro protesto realizado, na estreia do Brasil na Copa, contra a Croácia, na quinta-feira, cerca de cem pessoas participaram, Houve apenas um princípio de tumulto com duas pessoas mascaradas presas, por desacato.

Já no domingo, durante a primeira partida realizada no Mané Garrincha, a vitória da Suíça sobre o Equador, o protesto reuniu cerca de 150 participantes. Além dos discursos usuais, os manifestantes inovaram e, ante o cordão policial que estabelece o perímetro máximo que podem chegar perto do estádio, começaram a jogar bola.

- Jogamos bola em um dos locais mais militarizados do planeta e passamos a nossa mensagem. Estamos com mais qualidade em nossos protestos. Não somos contra o futebol e o megaevento por si só não é problema. A luta é contra esse modelo de desenvolvimento que exclui - afirmou Ávila.

Apoio popular

O líder do Comitê Popular da Copa-DF explicou que a qualidade da manifestação em prol do fim da violência é uma maneira de chamar de volta a população para as ruas. O número de participantes dos protestos caiu bruscamente se comparado a 2013. 

- Os atos tiveram menor adesão mas ainda temos o apoio popular. Sentimos que o apoio às nossas causas aumentou mas as pessoas ficaram com medo da repressão que, na nossa opinião, parte do Estado. Por isso, vamos para as ruas com alegria, sem violência, confronto - frisou Ávila. 

O próximo protesto está previsto para ocorrer na quinta-feira, dia da segunda partida no Mané Garrincha, entre Colômbia e Costa do Marfim. O tema será: Contra a Desmilitarização da Polícia e Contra o Extermínio da Juventude Negra. A intenção será a de realizar mais uma manifestação pacífico para que, no dia 23, data do jogo do Brasil contra Camarões, em Brasília, a adesão popular seja maior.