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09/02/2015
15:39

Principal palco do tênis na Bahia que já recebeu nomes como Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni com a famosa Copa Econômico na década de 90, o Clube Bahiano de Tênis voltará com tudo à ativa em 2015 após uma grande reestruturação que vem passando desde 2014.



Palco do início da Copa Econômico, tradicional competição que teve a participação de Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni, o Clube Bahiano de Tênis, sediado no tradicional bairro da Graça, área nobre de Salvador (BA), conseguiu dar a volta por cima, sanar dívidas e reestruturar a administração e gestão, após duas grandes negociações nos anos de 2006 com o arrendamento do prédio da sede e 2008 com a venda de uma parte do terreno pela gestão do ex-Presidente José Renato Lima,  após grande crise iniciada na década de 1990, conseguindo verba suficiente para viabilizar o projeto feito pelo renomado arquiteto baiano André Sá. O projeto partiu da relocação do antigo campo de futebol no eixo do clube, que se encontrava ocioso, construindo uma grande laje metálica, nivelando todo o clube em uma cota única e criando blocos simétricos de práticas esportivas e novas áreas sociais, compensando perdas pela locação e venda da parte superior do clube. Neste novo espaço vem sendo construído em cima da laje oito quadras ao todo, sendo quatro cobertas e quatro descobertas, todas de piso rápido de base asfáltica e sete delas com dimensões oficiais. A previsão é de conclusão das obras das quadras para junho e a reforma na parte social e futebol para outubro, e em baixo da laje, ampliação do estacionamento  ficando acima de 220 vagas.

 
"São 4.300 metros somente de estrutura metálica, de laje quatro quadras mais perto da piscina abertas para não fazer sombra na mesma e quatro cobertas pro outro lado com teto de 12 metros para ficar no regulamento da ITF/ATP para poder fazer futures e challengers", aponta Gian Biglia, presidente do Clube, diretor do Bahia Juniors Cup, principal competição nordestina juvenil e única da região com pontuação mundial para o ranking. Ele promete trazer grandes competições já no fim de 2015 ao clube que em 2016 completará 100 anos: "O tênis será o carro-chefe, mas o Bahiano tem o objetivo de revelar atletas , hoje vamos usar a estrutura daqui para realizar grandes eventos de tênis. Vamos revelar a meninada e colocá-los para jogarem eventos aqui . Além do Bahia Juniors Cup que poderá vir pra cá, estamos garantidos pros próximos três anos em patrocínios, a realização de torneios internacionais da série future de US$ 10 ou US$ 15 mil com a construtora Moura do Dubeux, maior empresa imobiliária do nordeste resgatando um evento nosso, criado por nós que é o Aberto do Bahiano que vinha sendo amador mas que já jogaram alguns profissionais como Rogerinho Silva, Júlio Silva, Gabriel Pita dentre outros e convidados para clínicas como Marcelo Saliola, Flávio Saretta e Dácio campos. Já sediamos o Citibank Masters e  Itaú Masters da Try Sports, torneio de veteranos com grandes nomes do passado do tênis nacional, e eles já demonstraram interesse de voltar no novo para o local", aponta Gian que destaca que com o advento das novas quadras e estrutura o núcleo de alto-rendimento na formação de atletas será ampliado.
 
Grande ícone do tênis baiano, Duda Catharino Gordinho, que enfrentou Gustavo Kuerten na Copa Econômico na categoria 16 anos, perdendo no terceiro set, é cria do Clube Bahiano e se diz entusiasmado com a revitalização: "Para quem vivenciou tudo no clube nos anos 80, a expectativa é grande para que volte a ter todo o glamour que teve,voltar a estar no cenário nacional e baiano. O clube Bahiano sempre teve muita tradição com tênis de competição, tínhamos horário reservado todas crianças com aulas normais, treinamento mais especifico íamos pros torneios uniformizados do clube, sempre muita criança. A Copa Econômico nasceu aqui, em 1985. Aqui fiz a final dos 12 anos com o Daniel Melo (atual treinador do top 6 de duplas Marcelo Melo, vice-campeão do ATP World Finals). Depois esta competição foi pro Costa Verde onde fiz a final contra o Guga perdendo por 7/5 no 3º set na categoria 16 anos.

Duda Catharino comanda a equipe de alto rendimento do clube e já tem planos para ampliá-la quando a reforma estiver pronta: "Hoje temos três garotos de destaque em nossa equipe como o Gustavo Schwebel, um dos melhores no 12 anos, e o resto com aulas sociais e escolinha. Com certeza com o espaço novo vamos ampliar e montar outras equipes a partir de 14 anos com nossa maior estrutura e criar um time sólido para competir mais e mais tanto aqui na Bahia como em todo o Brasil".

Ex-tenista e um dos diretores do Clube Bahiano, Jorge Radel Filho reforça a importância do clube na história e na formação dos jovens atletas : "A tradição do Bahiano é algo muito grande, por aqui passaram grandes nomes, a gente vinha treinar, competir e via a turma toda como o Meligeni,  Danilo Marcelino, entre outros se desenvolvendo e caminhando para se tornarem grandes. O clube  hoje em dia é o que forma os jogadores , é o espaço onde eles têm os primeiros contatos com a modalidade pelas aulas, escolinhas, equipes. Com os torneios então eles se inspiram para se tornar um atleta. Ter o Bahiano forte novamente, com ótima estrutura de tênis e eventos só ajuda no fomento do tênis baiano".  

 
Nostalgia é a palavra para definir Waldir Pinho Figueiredo, de 90 anos, diretor da área social do clube que trabalha no local desde 1948 e prepara os festejos para o centenário dentro de menos de dois anos: "Por aqui já passaram grandes personalidades como Getúlio Vargas, aqui dentro foi fundado o Vitória. Estavamos precisando dessas mudanças e sinto saudades da volta ao fomento do tênis aqui e grandes competições, você só jogar pra brincar não é o ideal ter competições importantes locais, nacionais e internacionais sempre foi a tradição do clube e ajuda no desenvolvimento dos atletas , o Fluminense no Rio por exemplo era um clube padrão de evento de tênis, sediou jogos de Copa Davis."