icons.title signature.placeholder Roberto Assaf
11/11/2014
12:02

Você pode até não acreditar. Mas foram necessários 13 jogos entre Atlético e Cruzeiro para que o campeão mineiro de 1954 fosse conhecido. O Galo ganhou oito. E a Raposa dois. Mas o que decidiu o título só aconteceu em 1º de maio de 1955, no Independência, com arbitragem do carioca Mário Vianna, o melhor juiz do país na época.

O Atlético venceu por 2 a 0, gols de Ubaldo aos 16 minutos do primeiro tempo, e de Joel, aos 43 da etapa derradeira, e o título foi de grande importância para os alvinegros, pois representou o primeiro tri da história do clube. O time campeão teve Sinval, Afonso e Osvaldo; Geraldino, Zé do Monte e Haroldo; Ubaldo Miranda, Tomazinho, Joel, Gastão e Amorim. O centro-médio Zé do Monte e o atacante Ubaldo Miranda estão entre os maiores ídolos alvinegros de todos os tempos. E o uruguaio Ondino Vieira, que dirigiu o time, foi um dos mais respeitados técnicos do futebol sul-americano. Ganhou muitos títulos nacionais no Nacional, de seu país, e no River Plate, da Argentina, e cariocas no Fluminense e no Vasco.

O Atlético, no entanto, não parou no tri. Conquistou o tetra em 1955 e o penta em 1956, sendo obrigado a dividir o campeonato daquele ano com o Cruzeiro. Leia com atenção porque é confuso: o Atlético decidiu os dois turnos com o rival e ganhou ambos. Mas antes do terceiro duelo do segundo turno, em 23 de maio de 1957, os cartolas da Raposa, justificando o apelido, entraram com uma ação no Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais pleiteando o ponto perdido no empate de 0 a 0, na segunda partida, alegando que o jogador Laércio estava em situação irregular, porque o Alvinegro o inscreveu sem apresentar o Certificado de Reservista. O TJD-MG rejeitou por 6 a 0. Explicou que o erro era da Federação Mineira de Futebol e não do Atlético.

O terceiro jogo aconteceu. Em 2 de junho de 1957. O Galo fez 1 a 0 e comemorou. Em março de 1959, é isso mesmo, 1959, o Cruzeiro ganhou o recurso no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, e a FMF tentou marcar novo jogo, mas o Alvinegro não aceitou, alegando que haviam se passado dois anos e que a situação era bem distinta daquela que se apresentava em 1957. E a entidade acabou sendo obrigada a proclamar os dois como legítimos campeões de 1956. Ufa!