icons.title signature.placeholder Daniela Caravaggi
11/11/2013
17:15

Imagine morar a quase 2 mil km quilômetros de seus pais. Imagine encontrar sua família apenas no fim do ano e ter contato somente uma vez por mês. Agora, imagine viajar para a cidade deles e não poder encontrá-los. Essa é a situação que Adriele Amaral. A atleta, de 15 anos, é natural de Belém (PA), mas estuda em um colégio interno em Brasília (DF) desde os 12. Ela participa pela segunda vez dos Jogos Escolares da Juventude, que neste ano têm como cidade-sede a capital paraense. No ano passado, na categoria de 12 a 14 anos, Adriele conseguiu duas medalhas - de prata no arremesso de peso e de bronze no disco. Neste, porém, ela subiu de categoria e não conseguiu um lugar no pódio.

A jovem atleta vive uma realidade totalmente diferente da maioria das brasileiras de sua idade. Ela só pode assistir televisão aos fins de semana, não pode entrar na internet e muito menos tem um celular à sua disposição. Essas são as regras do colégio de irmãs em que ela estudará até os 18 anos. Porém, quem pensa que isso partiu de uma imposição está muito enganado. Adriele decidiu que se mudaria para a capital do país por vontade própria, após seus pais se separarem.

- Essa vontade partiu de mim. Pra não escolher nem um nem outro decidi que ia me dedicar aos estudos, ter algo na vida, fiz a prova e fui. Não vejo meu pai há três anos e posso falar com a minha mãe apenas uma vez por mês. No fim do ano eu posso ficar com a minha família, passo em torno de três semanas - disse Adriele, que completou:

- Minha mãe não sabe que estou aqui em Belém, porque não tivemos comunicação ainda. Tenho saudade, né? Mas acho até bom eu não falar, fim do ano está logo aí, fico pensando que poderia ter vontade de voltar, então acho melhor não.

Embora sinta falta da família, a jovem atleta recorda com mais saudade ainda do tempo de convivência com os colegas. Ela conta que no internato tem hora pra tudo e que conversar com as amigas, por exemplo, só é permitido na parte da tarde.

- Para as irmãs, dormir é uma hora sagrada e precisamos respeitar. Sinto falta de ficar com os meus colegas. Lá, dedicamos o tempo para estudos. Não podemos ficar conversando com as amigas. O único momento que temos é um pouco da parte da tarde. A gente tem dois períodos e à tarde é que podemos brincar  - disse.

Em uma vida cheia de sonhos, Adriele quer continuar no esporte e fazer faculdade de direito. Ela diz também que sentirá saudade do tempo de escola e que pretende voltar após se formar para ajudar as irmãs.

- Eu mudei muito quando desde quando fui pra lá. Eu era pequena em tudo. Mudei em maturidade. O único momento triste foi quando eu fui pra lá, porque não tinha ficado sem minha mãe tanto tempo, mas logo me acostumei. Meu sonho é ser advogada e morar em Madrid (Espanha). Mas já pensei em voltar pra escola depois para ajudar, sabe? - finalizou.

As competições individuais dos Jogos Escolares da Juventude terminaram neste domingo. Esta semana será a vez dos esportes coletivos no evento estudantil, que é organizado pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

*A repórter viaja a convite do COB