icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
17/02/2015
08:00

Danilo é grande em decisões. É gigante em Majestosos. Nesta quarta-feira, na Arena Corinthians, pela Libertadores, a bola do jogo pode estar com ele de novo. Nos últimos cinco anos, sua estrela brilha com as cores alvinegras. Arrependimento que até os dias de hoje ainda mexe com o rival.

No fim de 2009, com o contrato para acabar com o Kashima Antlers, do Japão, o meia negociava o retorno para o São Paulo. O então presidente Juvenal Juvêncio e o ex-diretor João Paulo de Jesus Lopes desistiram por considerá-lo "muito velho" - na época, o jogador tinha 30 anos. O empresário Gilmar Rinaldi conversou o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez e Danilo foi contratado para ser o camisa 10 no centenário do Timão.

- Eu sempre quis trazê-lo de volta. Eu queria repatriar o Danilo, o Lugano... Mas tem gente no São Paulo que não gosta de "déjà vu". O pessoal se acha moderno, mas às vezes anda para trás. Entenderam que não deviam contratá-lo. Lamentavelmente, dentro do São Paulo existe arrogância de certas pessoas que não enxergam os erros. Justificaram que estavam certos, mas com certeza não estavam. Danilo teria sido extremante útil. Foi sorte dele ter ido para o Corinthians, construído uma bela história lá, ter sido campeão do mundo. Ele mostrou que alguns atletas são tão grandes que conseguem fazer história em dois clubes rivais - disse Marco Aurélio Cunha, conselheiro vitalício do São Paulo, na época superintendente de futebol do clube.

Como sempre, Danilo consultou a esposa Mirian, que estava em Goiânia, onde ambos se conheceram há 15 anos e passam as férias até hoje. O novo desafio seria aceito.

- Ele me ligou e falou que tinha proposta do Corinthians. Se ele voltasse para o São Paulo e não ganhasse nada, a história dele poderia se apagar ali. Era um risco sair ganhando tudo e voltar mal. Ele sabia que seria difícil ir para um rival, e ele sempre fazia gol no Corinthians (risos). Mas foi o que ele escolheu - afirmou Mirian.

- Ir para o Corinthians foi um divisor de águas para a vida dele. Era muito difícil ser ídolo vindo de um rival. Nem no melhor cenário imaginaríamos isso. Ele é um predestinado - completou.

Pelo Corinthians, o jogador repetiu os mesmos títulos pelo São Paulo (Paulista, Brasileiro, Libertadores, Mundial) e ainda levou a Recopa Sul-Americana - por sinal, sobre o rival tricolor e, claro, fazendo gol. A admiração pelo seu futebol é crescente. São títulos e mais títulos na carreira, sempre como protagonista, e com a mesma humildade, seja titular ou reserva. Aos 35 anos, ainda consegue ser útil para Tite e deve ser mantido no ataque, improvisado, substituindo Guerrero, que está suspenso pela Conmebol.

Em 2014, sua passagem pelo Timão quase foi encerrada. A diretoria já havia decidido dispensá-lo ou deixar o contrato acabar, no meio do ano. Goiás, Vitória e Vasco o procuraram. Nelsinho Baptista, técnico hoje do Vissel Kobe, do Japão, também o sondou. Mas a preferência era ficar. As saídas de Ibson e Douglas, o mau desempenho de Rodriguinho e o receio por Renato Augusto, que ainda não estava bem fisicamente, fizeram o técnico Mano Menezes e o diretor Ronaldo Ximenes renovar o contrato até 31 de dezembro deste ano.

Reserva com Mano, ele foi decisivo no Majestoso do ano passado, pelo Brasileirão, ao dar passe para Guerrero marcar o gol da vitória por 3 a 2, na Arena Corinthians. E fez gol do empate por 1 a 1 com o Palmeiras, no Pacaembu, nos acréscimos. Nesta temporada, fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Verdão, pelo Paulistão, no primeiro Dérbi do reinaugurado Allianz Parque.

Danilo após gol em Dérbi pelo Brasileirão de 2014 (Foto: Ari Ferreira/LANCE!Press)

- Desde quando ele voltou para o Brasil falam que ele está velho e, graças a Deus, até hoje consegue jogar bem. Danilo quebrou essa barreira. Acho que ninguém mais estipula quando um jogador deve parar. Ele mesmo diz que vai continuar enquanto estiver se dedicando no dia a dia. Sempre falam que ele está velho e ele ressurge. Só temos de agradecer a Deus. Ele é um cara que nasceu com uma estrela, está sempre no lugar certo e na hora certa - completou a esposa.

No fim deste ano, mais uma vez o futuro dele estará em aberto. Quando assumiu o cargo de coordenador de seleções da CBF, o empresário Gilmar Rinaldi deixou de cuidar de sua carreira. O ex-sócio de Rinaldi e amigo de longa data do meia, Álvaro Serdeira faz o alerta.

- O Corinthians não pode comer bola. É um jogador que não tem reposição, ainda decide. Se Seleção Brasileira é momento, ele deveria ser visto sempre. É um jogador que é muito difícil achar, é fundamental para qualquer equipe. Quem sabe ele brilhe mais dez anos (risos) - afirmou.

FRASES

"O que é bonito no Danilo é ver sua performance, o fator decisivo, a simplicidade... Sou um fã incondicional dele. Em cinco anos de Corinthians, ele nunca criou uma imagem negativa no São Paulo, nunca comemorou um gol provocando, nunca fez um gesto, nunca comparou torcida, falou mal do ex-clube, criou hostilidade... Essa é a linha de conduta ideal. Quando você exalta muito suas qualidades, está mais perto da fraqueza. Eu prefiro um silencioso como o Danilo."

- Marco Aurélio Cunha

"Pastel se come quente. Na época, o Danilo estava prometido ao São Paulo. O São Paulo cochilou, o Corinthians entrou e fez a negociação. Tem alguns tipos de jogador. Tem o jogadorzinho e o jogadorzão. Ele é jogadorzão. É cara pra time grande"

- Álvaro Serdeira