icons.title signature.placeholder Rodrigo Ciantar
26/03/2014
07:22

Da quase aposentadoria para uma semifinal de Carioca. Muita coisa mudou na vida de Fabricio Carvalho em um curto espaço de quatro meses. Aos 36 anos, o atacante já havia decidido pendurar as chuteiras, quando surgiu o convite da Cabofriense. Mesmo reticente – e 10kg acima do peso – aceitou o chamado e, ainda com faro de artilheiro, ajudou na classificação da equipe.

No início de 2013, Fabricio foi rebaixado no Campeonato Mineiro com o Araxá. A queda, somada à idade avançada, o fez decidir parar. Desanimado, ficou seis meses sem clube, apenas se dedicando a projetos sociais, palestras e principalmente música, outra paixão dele. Naquele momento, não pensava que ainda teria algo a dar dentro das quatro linhas.

– Já havia decidido colocar um ponto final, mas Deus quis que fosse uma vírgula. Cheguei em dezembro, acima do peso, mas me dediquei e consegui superar – disse ele.

A classificação e a volta por cima não chegam a ser um milagre, mas Fabricio, religioso, coloca na conta de Deus essa nova guinada na vida dele, pois já é mais do que acostumado a superar dificuldades.

Em 2005, pelo São Caetano, quando atravessava a melhor fase da carreira, descobriu um problema no coração. Na época, havia recebido proposta do São Paulo. Ficou dois anos parado até ser liberado e perdeu espaço no mercado.

Falar sobre o problema cardíaco não o incomoda. Pelo contrário. Ele costuma citar o próprio exemplo em palestras, algo que tem feito até com o elenco da Cabofriense no dia a dia, além de comandar cultos.

– Não foi fácil, eu estava no auge, com convites de equipes grandes. Fiquei muito preocupado, mas hoje uso como exemplo de superação. Busco algo maior. Desistir, jamais. Esse é meu lema – contou.

Fabricio bateu gigantes e foi campeão paulista em 2004

Em 2004, Fabricio enfrentou uma situação parecida com a de agora e saiu vitorioso. Na época defendendo o São Caetano, bateu dois clubes grandes antes de conquistar o título do Paulistão.

Nas quartas de final da competição, o Azulão passou pelo São Paulo, com uma base que no ano seguinte seria campeã mundial. Já na semifinal, passou pelo forte Santos de Diego e Robinho. Fabricio espera levar este exemplo para o jogo de desta noite.

Veja abaixo a entrevista completa de Fabricio Carvalho:

O que falar desse momento no Carioca?
É um momento mágico que estou vivendo, nosso time surpreendendo muitos na competição, batendo de frente com os chamados grandes. Traçamos desde início uma meta, confiando no nosso potencial. Graças a Deus as coisas fluíram.

E o que tem achado da cidade de Cabo Frio?
Cheguei em dezembro e até me espantei pelo paraíso que vim morar. Uma oportunidade muito boa, eles abriram as portas e me receberam bem. Não conhecia a cidade, depois do primeiro contato da diretoria que fui buscar no google imagens, mas vendo ao vivo, é um paraíso. A família está adaptada e eu também. E quem não consegue se adaptar morando perto da praia (risos).

Você nunca atuou num clube grande, mas já aprontou quando enfrentou equipes de maior expressão...
Nos jogos contra grandes, pude fazer gols. É um jogo que tem grande repercussão. É diferente. Já tive chance de jogar contra times grandes em outras situações e costumo fazer gols, conquistar vitórias. Aqui da mesma forma. Aos 36 anos ainda tenho vitalidade e saúde para fazer mais, ajudando os mais jovens quando possível. Passei pro situações difíceis, mas sempre olhando para o alto.

Mesmo aos 36 anos, tem feito gols. O que faz para se cuidar?
Cuido da alimentação, até porque tenho tendência... Cheguei um pouco inchado, fiquei seis meses parado. Não foi fácil. Estava mesmo querendo parar de jogar, só seguindo projetos, tenho uma associação que ajuda moradores de rua e famílias menos favorecidas, além de trabalhos na igreja, que vou para cantar, dar palestras. Aí surgiu essa oportunidade. Estava cansado do futebol, mas Deus ainda me queria aqui dentro. Vim com uma missão de transmitir algo positivo, querendo fazer a diferença, sempre foi assim por onde passei.

E porque decidiu parar no ano passado?
Joguei o Campeonato Mineiro pelo Araxá no ano passado e não foi uma experiência boa. Caímos de divisão. Fiz meus golzinhos, mas não fizemos uma campanha boa. Depois, bateu uma tristeza grande, pois nunca tinha passado por isso, essa mancha, infelizmente. Mas Deus ainda queria me usar no futebol. Eu achava que não seria mais útil. Estava em Andradina, minha cidade, brincado, fazendo academia, que não é nada comparado a um treinamento profissional. Aceitei o convite e cheguei sonhando alto, com alegria no coração, alegria de jogar novamente.

Sobre o problema cardíaco, como superou?
Às vezes pensam que eu me sinto incomodado com isso. Mas hoje em dia, na minha palestra o foco é voltado para isso. Não foi fácil, eu estava no auge da carreira, com convite de equipes grandes e, de repente, recebo essa notícia triste. Fiquei dois anos afastado, sem um diagnóstico exato. Isso me deixou preocupado na época. Lembro com tristeza, mas ao mesmo tempo foi uma experiência enriquecedora e procuro transmitir isso para as pessoas. Meu lema é: desistir, jamais.

E na Cabofriense, tem dado essas palestras?
Tenho dado palestras, mensagens para o grupo. Sempre que posso, faço isso nos clubes em que passo.