icons.title signature.placeholder Luis Fernando Coutinho
12/11/2013
14:00

Quem hoje vê Rorion divulgando o livro da "Dieta Gracie", o que ele mesmo chama de "a segunda revolução da família", pode não imaginar que o mesmo foi o criador do UFC, evento que hoje movimenta milhões de reais pelo mundo e empolga fãs de tantos países. Íntegro e satisfeito com a missão cumprida ao provar nas primeiras edições do show que o jiu-jitsu brasileiro se destacava ao ser colocado em confronto com outras artes marciais, o filho mais velho de Hélio Gracie, hoje, não tem sua imagem relacionada ao Ultimate de forma promocional, apenas quando é procurado para falar sobre a criação do show.

Mas, após longos anos longe do espetáculo, Rorion Gracie já tem data para reencontrar seu "filho". O criador do Ultimate foi convidado por Dana White para assistir de perto ao UFC 167, evento que acontece neste sábado, em Las Vegas, em comemoração ao aniversário de 20 anos da franquia. E, apesar de discordar de algumas regras impostas a seu show ao longo do tempo, ao ser perguntado pela reportagem, Rorion confirmou ao LANCE!Net que aceitará o convite e assistirá de perto ao evento.

- Sim (estarei no UFC 167), o Dana White me convidou e vou estar lá em Vegas para assistir ao evento de 20 anos. Nem me lembro quando foi a última vez que vi um evento. Falo com o Dana de vez em quando, e já lhe disse que respeito muito trabalho que ele faz. Dana tem uma visão grandiosa e tem feito um ótimo trabalho de marketing pelo UFC - declarou Rorion.

O membro mais experiente do clã ainda falou sobre o sucesso atual do Ultimate e comentou a declaração de Royce Gracie, que recentemente disse que mesmo se não tivesse vencido as primeiras edições, o show seria um sucesso.

- Estou muito feliz por ter conseguido realizar meu sonho de demonstrar a eficiência do jiu-jitsu brasileiro e ver que sua popularidade não para de crescer. Eu sabia que o UFC seria um sucesso, Porém, não poderia imaginar que seria nestas proporções. Sobre o que o Royce falou, eu concordo. Mesmo se ele não tivesse vencido, o conceito do evento é muito radical, então seria sucesso de qualquer maneira - finalizou.

Rorion diz que sua segunda missão é expandir a Dieta Gracie (FOTO: Alvaro Rosa/LANCE!Press)

Bate-bola com Rorion Gracie
Como surgiu a ideia de criar o Ultimate? E o desenho do octógono? 
Meu pai (Hélio Gracie) sempre nos passou a missão de expandir nosso jiu-jitsu pelo mundo. Sabia que, para isso, teria de ir para os Estados Unidos. Lá, usava minha garagem para promover desafios. “Você acha que sua arte marcial é melhor do que a minha? Então venha e vamos tirar isso a limpo!" Nosso jiu-jitsu sempre ganhava. Assim, fomos coletando novos seguidores e chamando a atenção. Muitas vezes, fazíamos gravações disso e se tornava um sucesso entre praticantes de lutas. Foi quando conheci as pessoas certas e tivemos a ideia de levar esse desafio entre artes marciais para a televisão. Pensei no octógono, pois percebi que esse modelo evitaria que lutadores fugissem da luta. 

E qual era seu objetivo com isso?
Quando criei o UFC em 93, foi com a intenção de comparar os vários estilos de lutas para que a audiência pudesse avaliar a eficiência de cada uma delas. O Royce demonstrou, sem sombra de dúvida, que o nosso jiu-jitsu era a mais eficiente dentre todas as artes marciais. 

Você acha que conseguiu o que queria?
Claro. E como consequência do que o Royce fez no primeiro UFC, todos passaram - como eu previa - a adotar o jiu-jitsu, que continua sendo ensinado por um número cada vez maior de membros da Família Gracie e seus representantes ao redor do mundo.

Qual a sua opinião em relação ao UFC 20 anos após a criação?
O que vemos atualmente não é mais uma comparação de estilos de luta e sim uma comparação entre atletas, já que todos - sem exceção - praticam o jiu-jitsu brasileiro. Portanto, quando um Gracie entra no ringue para brigar hoje, ele está competindo com um outro representante de jiu-jitsu que pode ter melhores condições físicas. Muitas vezes, resulta numa derrota, que frequentemente é mal interpretada. Isso não reflete na diminuição dos Gracies e, sim, na melhora dos adversários que, direta ou indiretamente, só estão onde estão por causa do trabalho da família.