icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
26/12/2013
06:02

Para “quebrar o gelo” e iniciar a entrevista por telefone, a reportagem do LANCE!Net perguntou a Léo, de 38 anos, como estavam sendo os dias em Campos dos Goytacazes, cidade natal do jogador e onde ele curte férias. A resposta veio ao melhor estilo Léo:

– Treinando muito, todo dia. Me dedicando ao máximo – afirmou.

Você pode até não concordar com a renovação de contrato do jogador com o Santos até o fim do Paulista, mas não pode lhe acusar de falta de profissionalismo. Próximo dos 40 anos e da aposentadoria, o antes lateral-esquerdo e hoje meia se empenha como se estivesse começando a carreira. Não perde treinos, chega no horário, é cuidadoso com a saúde mesmo nas horas vagas. Fora as broncas que leva da nutricionista do Peixe por comer pouco, o veterano é exemplo para os garotos do elenco. Mas ele não quer ser só espelho ou orientador dos mais novos. Acredita que ainda tem lenha para queimar e que pode até brigar pela titularidade. Por isso, corre contra o tempo nas férias.

– Se eu estiver bem fisicamente, sou mais eu – disse Léo, sem medo de soar prepotente ou arrogante.

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Em entrevista ao L!Net na última semana, o ídolo alvinegro falou sobre jogar mais uma temporada, os planos para quando pendurar as chuteiras, as metas para 2014 e outros assuntos relacionados à sua carreira e ao Santos. Confira:

Na última entrevista que nos deu, em novembro, você se mostrava chateado com a diretoria, que não queria renovar seu contrato, e já dava a aposentadoria como certa. O que mudou para que você renovasse até maio?
Foi uma coisa que me deixou muito feliz. Eu já não tinha mais esperanças, mas aí houve uma conversa com o doutor Odílio (Rodrigues, presidente do Santos) e o Zé Paulo (Fernandes, membro do Comitê de Gestão). Falei o que pensava e, no final da conversa, todos nós analisamos friamente e concluímos que daria para eu ter continuidade, que era possível fazer as coisas de uma maneira diferente. Estou contente, o torcedor também. Vão ser seis meses de muita luta e entrega minha.

O que você falou nessa reunião para convencê-los a renovar?
Não sei se convenceu, mas mostrei meu esforço em voltar, a história que tenho, minha empatia com o torcedor, liderança... são vários fatores! E, acima de tudo, a confiança que pedi para depositarem em mim, além da responsabilidade, que nunca fugi.

Essa responsabilidade para 2014 deve ser mais fora de campo, ajudando e orientando os mais novos, ou acredita que possa ser titular?
É natural pegar a reserva, não vejo problema algum nisso. Mas quero chegar numa situação igual aos outros, por isso estou treinando nas férias. Bem fisicamente, aí sou mais eu. Chegando de igual pra igual, acabou, confio muito em mim.

Acha, então, que pode ajudar até mais em campo do que fora?
50% cada, dentro e fora de campo. Eu não tinha muita noção da minha importância antes, hoje sei. Carrego muita coisa, desde a época da fila, que acabou em 2002, até agora. Peguei todas as fases. É uma responsabilidade boa, mas gostosa, que eu quero assumir, mostrar a quem está chegando agora o tamanho e a grandeza do Santos Futebol Clube.

Não sabia a importância que tinha? Quando e por que descobriu?
Foi agora, nesse momento difícil que passei. Recebi muita demonstração de carinho. Quando você está em alta, tudo é fácil, mas quando está em baixa – e eu tava mesmo, reconheço – é difícil. Foi tanto carinho que recebi, uma coisa monstruosa.

A renovação de contrato resolveu sua chateação com a diretoria?
O doutor Odílio foi espetacular. Não esperava uma reviravolta, mas ele foi muito coeso. Não digo isso só pela renovação, mas porque ele ouviu os dois lados, o que eu pensava, o que o Zé Paulo pensava e deu sua opinião. Foi uma decisão conjunta.

Como avalia o seu ano de 2013?
Eu esperava mais. O que me atrapalhou não foi nem a mudança de posição, da lateral para o meio. Eu respeitei o que o Claudinei fez e acho que fui bem nos jogos que atuei no meio. O problema agora foi no final, quando estava pegando gosto no meio e me machuquei. Foi um banho de água fria. Espero que em 2014 não tenha mais problemas com isso.

Os médicos dizem que você está recuperado ou pode ter esse problema novamente? É crônico?
O que tive no joelho pode acontecer com qualquer um, até um menino de 18 anos. Eu não tenho problema muscular, trabalho muito, faço periodicamente o que precisa ser feito. Estou treinando forte para chegar na pré-temporada em condição de brigar de igual para igual.

Se estiver bem, pode propor uma nova renovação até dezembro?
Aí é outra história. Não procuro viver assim, prefiro fazer meu trabalho bem feito e esperar. É outra conversa e, para pensar numa coisa dessa, tenho de estar muito bem fisicamente. Estou trabalhando pra isso!

O que achou da contratação de Oswaldo de Oliveira?
Ele é muito profissional. Com ele, joga sempre o melhor. Do tempo que convivi com ele, posso falar que é uma pessoa extraordinária. Bom treinador, paizão, amigo... Quando eu me machuquei, ele foi até o hospital falar comigo. Fiquei muito feliz com a contratação dele. Admiro o seu trabalho


Como avalia a montagem do elenco para o ano que vem? O clube está atrás de reforços de peso, como Damião, Vargas, Diego...
Fico muito feliz. Pela grandeza do Santos, não poderia ser diferente. A cidade, a torcida, todo mundo cobra, pois se trata de um time acostumado a chegar no que disputa. Por isso, penso que é natural que o Comitê de Gestão vá atrás desses reforços.

Com a equipe que está sendo montada, o Peixe entra como favorito nos campeonatos de 2014?
É difícil falar em favoritismo, seria até um desrespeito. Mas o Santos vai entrar forte, com um time de peso e tamanho à altura do clube.


Jogador pensa em estudar à distância

Apesar da renovação contratual, Léo segue planejando a carreira como dirigente depois de pendurar as chuteiras. Como revelado pelo L!Net em novembro, o jogador procurou a Trevisan Escola de Negócios para se especializar em gestão esportiva. Com a rotina de treinos, jogos e concentrações, no entanto, ele não conseguirá frequentar todas as aulas. Mesmo assim, ele pensa em estudar à distância.

– Estou correndo para estudar, mesmo que seja pelo computador. Se puder ser presencial, melhor, mas o importante é ter essa especialização – afirmou o atleta.


O veterano fala que ainda não sabe qual cargo pretende ocupar após a aposentadoria, mas diz que só pensa em trabalhar no Peixe. Segundo Léo, o clube também já demonstrou interesse na permanência dele como cartola.

– Penso em representar o Santos, clube que tenho amor, carisma... O Odílio foi muito franco comigo, disse que tenho que seguir representando essa camisa. “Você é a cara do clube”, me falou.

Apoio sem aderir ao Bom Senso

Léo é favorável ao Bom Senso FC, movimento de jogadores que propões melhorias no futebol brasileiro e seu calendário, mas não aderiu ao grupo. Ao LANCE!Net, o veterano fez diversos elogios à iniciativa e sobretudo a Paulo André, zagueiro do Corinthians que é um de seus líderes. No entanto, em nenhum momento ele citou Edu Dracena, zagueiro do Peixe que é um dos “cabeças” do Bom Senso. O Guerreiro da Vila e o capitão alvinegro já tiveram alguns problemas no passado e não são grandes amigos.

– Eu apoio o Bom Senso, acho isso muito correto. Mas penso que precisa ser grupo de discussão também com dirigentes, não só jogador. Sabe por quê? Jogador fica só dentro de campo, quem manda são eles. Se parar pra pensar, é muita coisa em torno disso. Mas essa iniciativa está no caminho certo, eu só tenho a parabenizar o Paulo André. Ele tem sido perfeito, espetacular – disse.