icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
18/03/2014
15:18

A primeira participação de Guilherme Dias Alves nos Jogos Sul-Americanos não rendeu o resultado esperado. Afinal, a eliminação logo na primeira luta após derrota para o chileno Ignácio Puentes não era esperada. Ainda mais para quem foi medalha de bronze no último mundial, ano passado. Mas o resultado não deve atormentar muito o brasileiro. A medalha na competição continental seria importante, mas seus objetivos são maiores que isso.

Atualmente com 21 anos, o brasileiro começou a praticar a modalidade com oito. Mas não por escolha própria. Como era hiperativo, sua mãe decidiu matriculá-lo em algum esporte. E a academia de taekwondo era a que ficava mais perto de sua casa em Brasília.

– Minha mãe precisava me acalmar e escolheu uma arte marcial. Como o taekwondo era perto da minha casa, foi o que ela escolheu. No começo, ainda jogava bola e fazia a modalidade. Mas o taekwondo me levava para mais viagens, então decidi optar pelo ele. Não conhecia o esporte. Minha mãe que escolheu e deu certo – afirmou o lutador ao LANCE!Net.

Alves não esconde que no início, o esporte não passava de uma diversão. Ele gostava de se divertir com os amigos e dar cambalhotas nas aulas. Mas hoje em dia, o assunto ficou sério. No Mundial do ano passado, foi o único atleta sul-americano a sair com uma medalha.

Apesar de estar em seu primeiro torneio desse nível, esperava mais. Agora, sonha em se tornar o primeiro medalhista de ouro do Brasil no taekwondo em uma Olimpíada, além de querer abrir uma academia para ensinar a modalidade.

– A pessoa sempre tem de planejar seu futuro. Nem sei se consigo fazer outra coisa que não seja o taekwondo. Meu sonho é abrir uma academia depois que eu parar. Posso até fazer isso antes, mas tem de ser depois dos Jogos Olímpicos. Não tem como ser antes – afirmou o brasileiro, que trancou a faculdade de Educação Física ano passado.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM GUILHERME DIAS ALVES:

LANCE!Net: O que mudou na sua carreira após a conquista da medalha no Mundial?
Guilherme Dias Alves: Isso me colocou melhor no ranking mundial, está me dando mais chances de chegar nos Jogos Olímpicos. Foi uma medalha muito importante na minha carreira, não é todo atleta que medalha em um mundial. A conquista me deixou muito feliz.

L!Net: Esperava essa conquista logo em seu primeiro mundial?
GDA: tenho 21 anos, estava muito bem treinado. Poderia ter saído como campeão, como achava que seria. Para a gente que estava acompanhando, sabia que tinha muita chance de eu chegar no ouro. Errei na hora que não poderia errar. Fui passivo em uma luta que estava ganhando e deixai o combate em aberto, com a possibilidade de ir para o golden score. No Mundial, não podemos cometer essas falhas, tem de estar bem preparado. Foi o que aconteceu na hora. Estava confiante porque tinha treinado bem, estava forte física e mentalmente. Tinha feito um trabalho forte para chegar até lá.

L!Net: Quando o taekwondo começou a ficar sério na sua vida?
GDA: Ficou mais sério mais tarde, em 2008, quando voltei a treinar. Vi que seria algo para ser profissional. Tinha parado em 2005 e voltei em 2008. Parei, porque estava cansado, era menino, moleque. Não tinha certeza se queria ou não.

L!Net: Como é sua rotina atualmente? Consegue viver só do esporte?
GDA: tranquei a faculdade ano passado. Pretendo voltar nesse ano para competir nos jogos universitários. Mas não é certo ainda, preciso arrumar tempo. Estudava Educação Física. . Futuramente, tenho de me formar, porque quero abrir minha academia, quero continuar nessa área do taekwondo. Atualmente, vivo só do esporte. Tenho salário da Seleção, Bolsa Atleta, sou da Marinha... Tudo isso me deixa confortavel.

L!Net: Qual a expectativa para os Jogos Olímpicos de 2016?
GDA: Quero ser o primeiro medalhista de ouro do Brasil em uma Olimpíada no taekwondo. Quero chegar preparado, fisicamente forte, mentalmente melhor. Já estou lutando contra os caras que estão ganhando. Estou muito perto disso. Falta um pouco mais de experiência, um pouco mais de tranquilidade. Não só nos combates, mas no ciclo de treinos.

O repórter viaja a convite do COB