icons.title signature.placeholder Jonas Moura
07/11/2014
08:03

A Superliga Feminina de vôlei começa hoje com grandes expectativas em relação aos dois clubes de maior tradição no esporte no Brasil. Novidade? Nenhuma. Atual campeão e dono de nove taças, o Rexona-Ades mais uma vez chega com algum favoritismo ao lado do Molico/Osasco, com cinco. De 2004/2005 até 2012/2013, só o time de Bernardinho e a equipe de Luizomar de Moura decidiram o título do principal torneio nacional.

Só pela Seleção Brasileira que foi ao Campeonato Mundial da Itália, com fim em outubro, o time carioca e o paulista largam em vantagem: o primeiro tem três atletas do seleto grupo, e o segundo, quatro. Nenhum outro clube conta com mais do que uma “selecionável”.

Na equipe do Rio de Janeiro, estão as ponteiras Natália e Gabi e a central Carol. Isso sem contar a oposto Andréia, que fez parte da Seleção no Grand Prix deste ano, a líbero Fabi, que anunciou aposentadoria da Seleção em abril, e a experiente levantadora Fofão, campeã olímpica em Pequim-2008.

Jogadoras e comissão técnica do Rexona posam com o Cristo Redentor ao fundo (Foto: Divulgação)

Já as centrais Thaisa e Adenízia, a líbero Camila Brait e a levantadora Dani Lins vestem as cores do estrelado elenco de Osasco. Depois de um amargo terceiro lugar na edição passada, a equipe reformulou peças importantes. Além de Dani, trouxe a cubana Kenia Carcaces e a campeã olímpica Mari.

– Quando cheguei do Mundial da Itália, com a Seleção, o único entrosamento que tinha no clube era com a Thaisa e a Adenízia. O primeiro jogo com as outras jogadoras (no Paulista) foi complicado. Mas a mistura de experiência e juventude do grupo é muito boa – disse Dani Lins, ao LANCE!Net.

As demais medalhistas de bronze no Mundial estão espalhadas. A central Fabiana é a única do Sesi-SP que foi à Itália. O mesmo vale para a ponteira/oposto Tandara no Dentil/Praia Clube, time que promete ir longe. A líbero Léia defende o Pinheiros. Já a ponteira Jaqueline ainda não decidiu seu futuro, mas pode colocar o Camponesa/Minas em um nível mais alto se um patrocinador exclusivo bancar seu salário.

– O Sesi-SP manteve uma base, o Osasco conseguiu se reforçar com a Dani Lins. No Praia, a Tandara é uma jogadora de força, que vai trazer dificuldades. Vai ser uma Superliga bem complicada – afirmou a ponteira Gabi.

Molico começa a Superliga embalado pelo 12º título do Campeonato Paulista (Foto: João Pires/Fotojump)

A extinção do Vôlei Amil, de Campinas (SP), tirou de cena o que seria mais uma equipe de ponta na Superliga. O time, idealizado pelo técnico da Seleção Feminina, José Roberto Guimarães, perdeu o patrocinador master e não conseguiu dar sequência às atividades. Com menos participantes, as estrelas não tiveram muitas opções.

Três jogadoras que estiveram no Mundial disputarão a temporada fora do país: a levantadora Fabíola e a ponteira Fernanda Garay se transferiram para o Dinamo Krasnodar, da Rússia, e a oposto Sheilla deixou Osasco rumo a Fenerbahçe, da Turquia.

Na temporada passada, o Amil tinha Natália e Tandara, enquanto o Sesi-SP contava com Fabiana e Dani Lins. O quadro ajudou a descentralizar as estrelas, e o público viu uma final diferente depois de nove anos: o Sesi eliminou o Molico, mas perdeu o título para o Rexona (então chamado Unilever). E agora? Quem barra os favoritos?

Campeão mineiro, Praia Clube tem Tandara como destaque e promete incomodar (Foto: Divulgação)

Rexona abre torneio contra o Rio do Sul e com novidades

O Rexona-Ades começa hoje a luta pelo décimo título da Superliga com uma novidade. O time carioca recebe o Rio do Sul/Equibrasil, às 21h30, no Ginásio do Tijuca Tênis Clube, que será o palco de todos os duelos das comandadas de Bernardinho.

Quem for ao ginásio encontrará uma fanzone, onde poderá ver de perto os uniformes das últimas dez temporadas, as medalhas conquistadas pela equipe e o troféu de campeão da Superliga 2013/14.

Haverá no local uma exposição de vídeos e fotos dos triunfos passados. Os ingressos custarão R$ 10 (arquibancada) e R$ 15 (cadeira). A partida terá transmissão do SporTV.

Conforme o LANCE!Net publicou no dia 1º de novembro, a equipe carioca e a concessionária Maracanã S.A. não chegaram a um acordo financeiro sobre o uso do local para confrontos com maior público.

Os ingressos no Tijuca custarão R$ 10 para arquibancada e R$ 15 para cadeira. Idosos acima de 65 anos ganham cortesia, assim como crianças até 12 anos (acompanhadas por um responsável), mediante comprovação.

O Rio do Sul tem um elenco renovado. Este ano, a equipe é comandada por Spencer Lee, ex-Praia Clube, e tem de volta a oposto Neneca como referência.

– Vamos estrear contra as campeãs e fora de casa, mas vamos entrar com muita alegria, que é a cara do nosso time – disse a atacante, de 26 anos, nascida no Rio de Janeiro.

Com a palavra

‘Quero ganhar tudo agora pelo Osasco’

Dani Lins
Levantadora do Molico/Osasco



Quando cheguei do Campeonato Mundial da Itália, com a Seleção Brasileira, o único entrosamento que tinha no clube era com a Thaisa e a Adenízia. O primeiro jogo com as outras jogadoras (no Paulista) foi complicado. Mas a mistura de experiência e juventude é muito boa. Acho que posso somar. Quero ganhar tudo. Agora que voltei a Osasco, entrarei com a mesma garra de quando joguei pelo Rexona e pelo Sesi-SP. Sempre joguei em times com torcidas maravilhosas. A do Molico é como uma torcida de futebol mesmo, que briga, às vezes xinga, mas isso é bom, porque levanta a gente. Jogamos por nós e por eles, que não faltam a um jogo, independentemente contra quem seja. Mas nunca me xingaram. Cheguei pela primeira vez em 2000 e tenho amizade com todos. É uma linda torcida.

Com a palavra

‘Nosso time mudou de característica’

Fofão 
Levantadora do Rexona-Ades

Mudou a característica do nosso time. Temos uma oposto totalmente diferente da Sarah Pavan, que é a Andréia. Ela joga com velocidade. Estamos buscando um padrão de jogo em função dessa característica. Mas, ao mesmo tempo, é uma equipe que, quando se entrosar, vai ter mais qualidade. Vou torcer para que o passe seja redondinho, para me facilitar no meu último ano nas quadras. Foi um problema no ano passado. Pelo fato de ser minha despedida, acredito que a meninas de alguma forma irão fazer de tudo para que seja um ano feliz. Mas não quero impor qualquer tipo de pressão a elas. Graças a Deus, elas estão presentes neste momento da minha carreira. Será uma Superliga equilibrada. Venho cuidando da panturrilha desde o início dos trabalhos para não sofrer mais o que sofri.

AS EQUIPES

Rexona-Ades

Levantadora: Fofão
Ponteiras: Natália* e Gabi*
Oposto: Andréia
Centrais: Juciely e Carol*
Líbero: Fabi

Molico/Osasco

Levantadora: Dani Lins*
Ponteiras: Mari e Carcaces
Oposto: Ivna
Centrais: Thaisa* e Adenízia*
Líbero: Camila Brait*

Dentil/Praia Clube

Levantadora: Karine
Ponteiras: Sassá e Tandara*
Oposto: Ramirez
Centrais: Natália e Letícia Hage
Líbero: Tássia

Sesi-SP

Levantadora: Claudinha
Ponteiras: Suelle e Pri Daroit
Oposto: Monique
Centrais: Fabiana* e Bia
Líbero: Suelen

Camponesa/Minas

Levantadora: Camila Torquette
Ponteiras: Mari Paraíba e Carla
Oposto: Lia
Centrais: Carol Gattaz e Walewska
Líbero: Tica

Brasília Vôlei

Levantadora: Pri Heldes
Ponteiras: Paula Pequeno e Érika
Oposto: Elisângela
Centrias: Edna e Angélica
Líbero: Verê

Pinheiros

Levantadora: Macris
Ponteiras: Cibele e Ellen
Oposto: Rosamaria
Centrais: Vivian e Fernanda Isis
Líbero: Leia*

São Cristóvão Saúde/São Caetano

Levantadora: Carol
Ponteiras: Silvana e Thaisinha
Oposto: Paula
Centrais: Mara e Dani Suco
Líbero: Nine

Rio do Sul/Equibrasil

Levantadora: Yael
Ponteiras: Vanessa e Neneca
Oposto: Natiele
Centrais: Mimi Sosa e Paracatu
Líbero: Juliana

São Bernardo

Levantadora: Kátia
Ponteiras: Ciça e Mari Hellen
Oposto: Wime
Centrais: Vivi Goes e Laísa
Líbero: Dalila

Maranhão Vôlei/Cemar

Levantadora: Ana Maria
Ponteiras: Nikolle e Talita
Oposto: Eli Paulino
Centrais: Adriani e Larissa
Líbero: Fernanda

São José dos Campos

Levantadora: Francine
Ponteiras: Déborah Villar e Maiara
Oposto: Danielle
Centrais: Jéssica Suelen e Edna
Líbero: Vitória

* Defendeu a Seleção no Mundial

Sistema de disputa

A competição será disputada em quatro fases: classificatória (turno e returno, em que todos enfrentam todos), quartas-de-final, semifinal e final. As equipes formam um grupo único e foram elencadas de acordo com o seu nível técnico. A final será em um único jogo, no estado da equipe finalista com melhor índice técnico na primeira fase.