icons.title signature.placeholder Felippe Rocha
12/06/2014
06:01

O Colégio Brasil-Croácia, em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio, é só parte do legado deixado pelo padre croata Damian Rodin no Brasil. Após escapar das perseguições dos tempos de guerra na região da antiga Iugoslávia, o religioso chegou ao Brasil em 1954, e, a partir de então, desenvolveu a saúde, educação, e, é lógico, a fé no país. Registrou presença. Fez o que a seleção croata tentará nesta quinta-feira: deixou sua marca.

O padre morreu em 1968, mas, como a história que queria preservar era a de seu país, seu nome não consta em nenhuma das obras, que não foram poucas: nomeado padre da igreja Nossa Senhora da Lapa, em Senador Camará, geriu a primeira reforma do local, que foi ampliado; construiu o abrigo Vila Croácia, no Jabour (não existe mais, substituído posteriormente pelo abrigo que tem o mesmo nome da igreja; ergueu Casa de saúde República da Croácia, no bairro de Sepetiba; e o colégio, vizinho à igreja, e que carrega, até hoje, traços do trabalho de Rodin.

O brasão da instituição, esculpido sobre uma parede na entrada do colégio foi preservado. A tinta da primeira pintura do piso da quadra sobreviveu à segunda mão, de uma reforma mais recente. E, no ensino, as crianças da educação infantil ao ensino médio aprendem sobre a bárbara história do país de seu fundador, e decoraram o Colégio Brasil-Croácia com as cores dos times que se enfrentam hoje, na abertura do Mundial.

Brasão é conservado (Foto: Cleber Mendes/Lancepress)


- Os alunos, quando chegam na escola, sempre perguntam o motivo do nome do colégio e os professores explicam - comenta Diego Brasil, do 8º ano, sobre a natural curiosidade e sobre o amplo conhecimento dos estudantes.

- Meu avô e minha avó conheceram o padre e dizem que ele era muito legal. Meu pai e um primo dele também estudaram aqui - afirma Sabrina Freitas, do 4º ano, lembrando que o colégio foi a primeira grande obra do padre, em 1956.

Conhecedores de muitos jogadores do adversário da Seleção Brasileira hoje, os alunos ficam na torcida, também, pelo país natal de Rodin.

Torcida está dividida (Foto: Cleber Mendes/Lancepress)


- O padre foi um grande homem. Torço para a Croácia conseguir a segunda colocação no grupo - confessa Caio Nogueira, do 9º ano.

Já o padre Walnei de Moura, atual responsável pela paróquia, lembra que a marca deixada pelo croata é um exemplo que contraria a lógica da chegada de outros estrangeiros no Brasil:

- O Damian foi um pioneiro. Trouxe, diferentemente de outros estrangeiros que aqui chegaram, uma contribuição. Obviamente, não sei quem vai ganhar, mas, na fé, Brasil e Croácia deram muito certo.

A ligação do colégio com o futebol já vem de antes. Isso porque na Copa do Mundo da Alemanha, o Brasil também estreou contra a Croácia.

- Em 2006, foi praticamente a mesma festa aqui - lembra Caio Casula, do 8º ano.

Ex-atacante foi aluno (Foto: Cleber Mendes/Lancepress)


Um pouco antes no tempo, o colégio teve como aluno o atacante, à epoca ainda sem bigode, Valdir, multicampeão pelo Vasco da Gama.

Mas a diretora do colégio, Eliane de Assis Almeida, valoriza, sobretudo, o que padre Rodin deixou de inspiração.

Padre é muito querido (Foto: Cleber Mendes/Lancepress)


- Ele trouxe ensinamentos e vontade de melhorar o país. Na educação, saúde e amparo às crianças, que são as coisas mais importantes.

Não precisamos crer que Modric e companhia queiram tão bem ao Brasil. Porém, a marca deixada pelo compatriota no país é grandiosa assim como a que eles pretendem deixar em São Paulo, a partir das 17h.