icons.title signature.placeholder Rafael Valesi
05/11/2014
06:00

Em 1978, Flavio Perillo foi bandeirinha na extinta pista de Jacarepaguá quando Emerson Fittipaldi levou a Copersucar ao inesperado segundo lugar no GP do Brasil da Fórmula 1. Treze anos mais tarde, agora em Interlagos e como membro da equipe de resgate, Perillo viu de perto Ayrton Senna ganhar de forma dramática pela primeira vez em casa pelo Mundial. Estas são algumas das maiores recordações automobilísticas deste homem de 56 anos, que neste domingo assumirá o posto de diretor de prova no GP brasileiro.

Perillo substituirá Carlos Montagner, que comandou o GP do Brasil nos últimos 19 anos. Os dois tiveram trajetória semelhante na história da corrida. Ambos começaram como bandeirinhas, passaram a desempenhar outras funções maiores, até que chegaram ao lugar de diretor de prova. Líder da etapa brasileira desde 1995, Montagner foi alçado a um cargo de supervisão da corrida em São Paulo.

- Tenho 36 anos de Fórmula 1. Até 1990, fui comissário desportivo na Fasp (Federação de Automobilismo de São Paulo), depois fiquei só com a Fórmula 1. Fui diretor adjunto de boxes até o ano passado, mas passei por todas as áreas. E neste ano recebi essa joia de virar o diretor de prova - disse Perillo, em entrevista ao LANCE!Net concedida nesta terça-feira, por telefone.

A função de Perillo neste domingo não se resumirá a agitar a bandeira quadriculada para o vencedor do GP do Brasil. Ele atuará como braço direito de Charlie Whiting, diretor de corridas da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e responsável pelas decisões mais importantes da corrida, como a entrada de safety car em caso de algum incidente. O brasileiro terá a incumbência de liderar o lado "nacional" da organização da corrida, que envolve equipe de resgate, fiscais de pista, entre outros membros.

- Basicamente, serei um elo entre a organização nacional e a FIA. Quando tem um carro de Fórmula 1 na pista, quem cuida do evento é o Charlie Whiting. Por meio dele, eu passarei as instruções para nossas comissões nacionais - explicou Perillo, que também desempenha funções técnicas de corrida em categorias nacionais, como a Stock Car.

Segurança não deve ter mudanças

Uma das principais diferenças do GP do Brasil deste ano em relação a 2013 será o grid menor. Enquanto na corrida passada 22 carros alinharam na reta de chegada em Interlagos, desta vez serão 18 pilotos na pista. E a mudança, segundo Flavio Perillo, será positiva para a parte operacional.

– Para nós ficará até  um pouco mais fácil. Quem assistiu o GP dos Estados Unidos  viu que os carros andaram mais juntos e teve muito mais disputa. Dará até para relaxar um pouquinho, pois não haverá tanto problema de trânsito. Mas, por outro lado, é ruim esportivamente falando – falou Perillo, sobre as ausências de Marussia e Caterham no GP do Brasil, devido a uma crise financeira.

Outro fator variável que deve marcar a corrida domingo é o clima. A previsão do tempo indica chuva para o GP. Se o grid menor ajuda o trabalho de Perillo, a água tem tudo para atrapalhar suas tarefas.

– Não seria o ideal para nós, mas  o pessoal está preparado para fazer a corrida que for preciso, e está bem treinado e motivado. Em uma  corrida com chuva, pode acontecer um acidente e estragar a prova até para o público – disse o novo diretor.

Perillo também sinalizou que não deverá haver nenhuma mudança profunda nos protocolos de segurança da corrida após o grave acidente de Jules Bianchi no GP do Japão. Segundo ele, a FIA ainda não mencionou qualquer alteração.

- Não recebemos nenhuma recomendação. O Charlie Whiting chega amanhã (hoje), então se houver alguma novidade, só depois dele chegar. Sobre o acidente, é difícil dizer algo sem estar lá -