icons.title signature.placeholder Rafael Valesi
27/02/2015
04:00


Esqueça a Associação dos Surfistas Profissionais (ASP). A partir de 2015, a entidade que comanda o surfe mundial tem um novo nome, e passa a ser denominada Liga Mundial de Surfe (WSL, em inglês). No entanto, apesar desta alteração sugerir uma transformação tão radical quanto os aéreos do brasileiro Gabriel Medina, pouca coisa vai mudar de fato.

A troca no nome da organização foi divulgada em setembro do ano passado. Em carta aberta, o diretor-geral da antiga ASP, Paul Speaker, explicou que o rótulo WSL surgiu pois era um nome mais fácil para ser compreendido pelos fãs do surfe, e veio no vácuo das ações para expandir o surfe pelo mundo.

"Muitas mudanças foram feitas nos dois últimos anos. Parte disso pôde ser visto na decisão de realizarmos competições para lugares diferentes, e nas transmissões ao vivo das baterias. Algumas dessas mudanças estão nos bastidores. Mas tudo foi feito sob orientação de dois objetivos, a preservação da cultura do surfe e a criação de uma base melhor para fazer o surfe crescer no futuro", escreveu Speaker no ano passado.

Apesar desta iniciativa de levar os principais surfistas do planeta a praias cada vez mais inusitadas, isso não irá se concretizar em 2015 na primeira divisão mundial. O Championship Tour terá o mesmo número de etapas de 2014, e os locais serão os mesmos do ano passado. Para não falar que tudo ficou igual, a segunda e a terceira etapas mudaram de ordem. Neste ano, a famosa competição em Bells Beach será antes de Margaret River (ambas na Austrália), o oposto da temporada passada. O Brasil segue com a etapa no Rio de Janeiro, no mês de maio, na praia da Barra da Tijuca.

O que também não vai mudar será o formato de disputa das etapas, assim como as regras de pontuação e a definição do campeão no fim do ano. As competições seguem com 36 surfistas (os 34 da elite mais dois convidados por etapa). Todos poderão descartar seus dois piores resultados no ano para a soma de pontos que determinará o melhor da WSL em dezembro, em Pipeline.

Então, o que vai mudar de fato?

A alteração mais nítida na elite do surfe será na relação de atletas. Como há "rebaixamento" para a segunda divisão (Qualifying Series), sete surfistas que competiram em 2014 não darão as caras neste ano: os brasileiros Alejo Muniz e Raoni Monteiro, além de Aritz Aranburu (ESP), Dion Atkinson (AUS), Tiago Pires (POR), Mitch Crews (AUS) e Travis Logie (AFS).

Enquanto isso, seis atletas subiram da "série B". Apesar da queda de Alejo e Raoni, a Brazilian Storm, nome dado à atual safra de surfistas brasileiros, seguirá com um time composto por sete nomes, já que Wiggolly Dantas e Ítalo Ferreira conseguiram vagas com suas campanhas. Eles se juntaram a Matt Banting (AUS), Dusty Payne (HAV), Ricardo Christie (NZL) e Keanu Asing (HAV) no time dos promovidos.

A premiação em dinheiro distribuída nas etapas também teve um pequeno acréscimo, mais precisamente US$ 25 mil. O montante passou de US$ 500 mil para US$ 525 mil (cerca de R$ 1,5 milhão na cotação atual).

A revolução, de fato, aconteceu na Qualifying Series. As competições eram divididas em sete níveis de importância (sistema utilizado desde 1992), e agora foram diminuídas para cinco. As etapas mais importantes (QS 10.000) darão 7.000 pontos ao campeão e premiações mais gordas. Enquanto isso, as competições de nível 1 (QS 1.000) proporcionará ao vencedor apenas 500 pontos e renderá menos dinheiro também.

- As mudanças que estão sendo feitas para o próximo ano foram projetadas para melhorar o processo de classificação já em vigor e tentar envolver ainda mais os nossos atletas, fãs, mídia e promotores dos eventos nesta nova experiência - disse Kieren Perrow, ex-surfista e comissário da WSL.