icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena
30/11/2013
08:21

Thiago Martins chegou a se convencer de que ainda era cedo para jogar em clube grande, mas a primeira partida de sua carreira profissional será com a camisa do Palmeiras. Às 16h20 deste sábado, contra a Chapecoense, fora de casa, o Verdão se despede da Série B e o jovem de 18 anos mostra o seu cartão de visitas. Antes de assinar contrato até junho de 2016, o defensor passou pelas categorias de base de São Paulo e Cruzeiro, mas não se firmou.

- Como não deu certo, coloquei na cabeça que o melhor era tentar a sorte em um clube menor antes. Aí apareceu o Mogi Mirim e consegui me destacar na base - disse ele, ao L!Net.

Thiago chegou ao clube do interior aos 15 anos e saiu de lá depois de três temporadas, sem jogar entre os profissionais. Ele chegou ao Verdão em junho e disputou a Copa do Brasil e o Paulistão com o time sub-20, mas passou mais tempo convivendo com o elenco principal na Academia.

Muito elogiado por membros da comissão técnica, terá a chance de mostrar que pode integrar o elenco do centenário antes de se juntar ao sub-20 mais uma vez, agora para disputar o Brasileiro, em dezembro, e a Copa São Paulo Júnior, em janeiro.

- Só de integrar esse elenco, com centenário, estádio novo e Série A, já será um orgulho muito grande. Quero fazer alguns jogos, entrar bem e, se Deus quiser, virar titular - planeja o zagueiro, que já teve seu perfil de liderança destacado por Gilson Kleina e sonha mais alto para o futuro.

- Costumo falar bastante no campo, tenho esse perfil de liderança. Todos os técnicos que tive me ajudaram nisso. Lá no Mogi sempre fui capitão, no sub-20 do Palmeiras também fui, em alguns jogos, e agora estou aqui para ajudar. Se Deus quiser vou ser capitão um dia - declarou.

Apesar do discurso firme, Thiago ainda mostra timidez para conceder entrevistas. Ele conta que ainda não é reconhecido por torcedores na rua e que nunca deu um autógrafo, mas sabe que aproveitar a chance de hoje lhe dará reconhecimento. Para isso, contará com a ajuda de um velho conhecido. Tiago Alves, seu provável parceiro de zaga, também estava no Mogi Mirim antes de acertar com o Palmeiras.

- Conheço o Tiago desde o Mogi, já treinamos juntos lá e aqui ele sempre me ajudou, me integrou com o grupo, me dava carona quando era preciso. Sou muito grato e espero fazer uma boa dupla com ele - completou um dos vários garotos que terão chance em Chapecó.

O vaivém de Thiago

São Paulo
Aos 12 anos, ficou oito meses treinando em Cotia. Como não tinha idade para ficar alojado, ia e voltava para Minas, sua terra natal. Não vingou.

Desportivo Brasil
Depois de deixar o Tricolor, fez um teste no clube da Traffic e foi aprovado, mas também não se firmou por lá.

Cruzeiro
Foi bem em um teste e chegou a organizar a troca de colégio para começar a treinar por lá, a pedido de um diretor. Técnico da base não quis.

Mogi Mirim
Aos 15 anos, jovem decidiu tentar a sorte em um clube menor e conseguiu: ficou três temporadas no Mogi e foi direto para o time principal do Verdão.

Confira um bate-bola com Thiago Martins:

LANCE!Net: Você diz que costuma orientar os colegas em campo, mas ainda vai estrear no Palmeiras. Pretende dar bronca se achar necessário?
Thiago Martins: Com certeza. Vou gritar com os caras se for preciso. Tenho esse perfil, não hesito nunca.

Está ansioso com a proximidade do primeiro jogo no profissional?
A responsabilidade é grande. O bom é que já estamos na Série A e fomos campeões, então ameniza. O elenco apoia muito, o Gilson Kleina também, fica mais tranquilo.

Você chegou do Mogi Mirim direto para o profissional do Palmeiras. Chegou a ficar surpreso?
Um pouco, porque nem tinha estreado no profissional ainda. Agradeço pela confiança, mas é fruto do meu trabalho também, da minha dedicação. Joguei duas Copas São Paulo, Paulista sub-15, sub-17 e sub-20.

Quais são suas catacterísticas? Algum zagueiro serve de inspiração?
Sou destro, mas jogo pelos dois lados da defesa. Me considero um jogador de velocidade, tenho uma boa impulsão também. Me inspiro no Thiago Silva (do PSG, da França).

O que mudou desde junho, quando você chegou ao clube?
Muda muita coisa. O que eu vivia no Mogi Mirim era completamente diferente disso aqui. Só de estar integrado a esse elenco do Palmeiras já é uma vitória muito grande.

Ficou tímido diante dos jogadores que você via pela televisão?
Foi uma emoção muito grande, via pela TV e falava: “Nossa, os caras são f... mesmo”. Agora estou aqui com eles, treinando todos os dias. Todos me acolheram muito bem, são muito gente boa. Em uma semana, já estava conversando com todo mundo, foi tranquilo.

Como foi sua trajetória?
Com 12 anos, decidi que seria jogador. Aí comecei a rodar, fazer testes. Passei no São Paulo, fiquei oito meses treinando e não fiquei. Passei no Desportivo Brasil e não fiquei. Fui no Cruzeiro, o diretor ligou para o meu pai, falou que eu tinha passado, mas não fiquei, porque o treinador não quis trocar de zagueiro. Foi quando surgiu a oportunidade de fazer teste no Mogi Mirim. Passei e fiquei.