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15/11/2014
17:57

José Oliveira da Silva, poderia ter nascido craque de futebol igual Edson Arantes do Nascimento (Pelé), ou Gustavo Kuerten ídolo do tênis, ou até mesmo com o brio de Ayrton Senna. José de Oliveira da Silva, nasceu como José Oliveira da Silva em 23 de janeiro de 1928, e 86 anos depois passa de um simples desconhecido para estabelecer um marco no voleibol brasileiro, oxalá do esporte nacional.

O militar aposentado do bairro do Campo Grande, no Rio de Janeiro, já nadou, lutou boxe, capoeira, praticou corrida e nunca abandonou a atividade física. Só depois de completar 50 anos é que ele conheceu o voleibol, e, pode aparentar pouco tempo, mas o Brasil naquela época não tinha expressão mundial e nem mesmo o voleibol era difundido na terra tupiniquim. No início da década de 1980 ele se tornou um apaixonado pelo vôlei e viu pela televisão nascer um grupo de ídolos como Bernard, Renan, Badalhoca, William, Bernardinho. Acompanha diariamente o noticiário esportivo, assiste jogos pela TV e foi um dos mais de 90 mil espectadores no lendário jogo no Maracanã em 1983 entre Brasil e URSS.

Em Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio, José Oliveira da Silva encontrou um projeto esportivo para a terceira idade no Complexo Esportivo Miécimo da Silva. Atividades voltadas para o desenvolvimento motor é o que atrai dezenas de idosos a participar do voleibol adaptado, conhecido como câmbio. Nele os atletas executam o objetivo do voleibol que é jogar a bola para o lado adversário, mas com o fundamento de segurar e lançar, sem golpes de ataque, saque ou bloqueio. A equipe do CEMS chegou a disputar competições de câmbio, mas os idosos queriam mais.

Há 7 anos, a chegada do professor Sérgio Alan foi ao encontro do sonho dos velhinhos de Campo Grande. Treinamento de fundamentos três vezes por semana, saque, recepção, levantamento, ataque e bloqueio, noções de posicionamento e regras básicas.

Para o CEMS (RJ), o Vôlei Master 2014 foi a primeira competição oficial da equipe masculina. Para José Oliveira da Silva, foi a primeira competição oficial de vôlei da vida:

- Nunca tinha jogado com árbitro profissional, com placar, com tudo que um jogo normalmente tem. Embora dificuldade no deslocamento pela minha idade e a derrota no final, para mim esse jogo é marcante, é meu primeiro na vida. Pensei que ia morrer e não ia jogar vôlei - disse.

O ancião de 86 anos foi a sensação no primeiro dia da categoria 63+. Embora mais velho 23 anos do que a maioria dos adversários, José era ovacionado a cada toque na bola, que nem sempre resultavam em ponto para sua equipe, mas isso era o que menos importava.

O técnico Sérgio Alan treina mais de 25 atletas acima de 50 anos no complexo esportivo em Campo Grande. A decisão de jogar o Vôlei Master em Saquarema com a equipe masculina só foi possível porque um ano antes a equipe feminina do projeto disputou a categoria 59+. Ao lado da quadra, Sérgio que aniversariou na sexta-feira, se emocionou:

- Ver o brilho nos olhos de cada um deles é meu maior presente. Eles vieram aqui para jogar, dentro das suas limitações motoras fizeram o que podiam. Para mim eles são vencedores, mais do que isso, esses servem de exemplo para muitos de que é possível continuar.