icons.title signature.placeholder Leo Burlá
20/06/2014
07:10

Enquanto a Fifa faz de suas Fan Fests oficiais mais um território demarcado por seus interesses comerciais, em Salvador, não muito distante da festa chancelada pela entidade, o governo da Bahia promove exibições públicas de todos os jogos da Seleção Brasileira.

No bairro do Imbuí, quem quiser assisitir Neymar & cia. encontra campo aberto para consumir o que bem entender. Ao invés da cerveja que patrocina o Mundial, ambulantes que oferecem todas as marcas da bebida convivem na mais perfeita desordem.

O cardápio também é variado. Se no evento próximo ao Farol da Barra até a atuação das baianas do acarajé foi alvo de restrições, no Imbuí o trânsito é livre. E quem não gostar do mais tradicional quitute baiano pode optar por churrasquinho, amendoim com casca, pipoca e vários outros ícones da gastronomia de rua.

Apesar da grande aglomeração popular, não há paranóia excessiva com a segurança. A Polícia Militar atua quase que anonimamente no local, e nenhum incidente grave foi verificado enquanto a bola rolava para Brasil x México.

Livre comércio na festa popular em Salvador (FOTO: Leo Burlá)



- Fui na Fan Fest da Barra, mas achei aqui mais democrático e divertido justamente por não ter a questão do monopólio da Fifa - disse a decoradorsa Marta Caruso.

A exibição pública não está restrita à capital. Por meio de incentivo da Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo (SECOPA-BA), 30 municípios baianos foram contemplados com a festa. A secretaria repassou R$ 30 mil para auxiliar na montagem da infraestrutura necessária para o evento nestas cidades.

Em tempos de padrão Fifa, a Bahia driblou a entidade com o velho jeitinho brasileiro.



COM A PALAVRA

Ney Campello, secretário da Copa na Bahia, em entrevista exclusiva ao LANCE!

'A Fan Fest da Fifa é uma estrada com pedágio'

A intenção é democratizar o acesso aos jogos, pois a população é muito maior do que a capacidade dos estádios da Copa. Esta celebração conjunta também é uma forma de fazer com que o turista conheça a nossa identidade cultural, já que a exibição pública se assemelha muito mais ao jeito brasileiro de fazer as coisas.

O fato de não haver preservação de marcas ou controle de acesso torna a festa muito mais democrática, e aumenta o envolvimento da população. Não critico que a Fifa tenha um produto à sua moda, mas temos de oferecer outras possibilidades à população. A Fan Fest é uma estrada com pedágio, enquanto a exibição pública é uma rota alternativa.