icons.title signature.placeholder Felipe Mendes
10/04/2014
20:15

O Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu antecipar a vinda ao Rio de Janeiro do diretor executivo dos Jogos Olímpicos de 2016 a fim de acompanhar de perto os problemas enfrentados pela organização do evento. Gilbert Felli, que viria em setembro, chega na próxima semana após acordo em reuniões nos últimos dias entre o presidente do COI, Thomas Bach, e o prefeito carioca Eduardo Paes.

– Há um ambiente ruim, de crise e cobranças. É o momento mais difícil da Olimpíada. O COI está preocupado com os prazos dos equipamentos esportivos. E há um sinal vermelho com relação a Deodoro. Então, eu e o Bach combinamos a vinda do Felli. A presença permanente do COI é importante e muito bem vista – afirmou Paes, em entrevista coletiva no início da noite desta quinta-feira.

Mais cedo, em evento em Belek (TUR), Bach anunciou não só a vinda mais cedo de Felli como também a criação de uma consultoria especial para a tomada de decisões ao lado do Comitê Organizador dos Jogos e das três esferas de governo (município, estado e União). O presidente do COI havia apoiado as críticas feitas pelas Federações Internacionais Olímpicas de Verão sobre os problemas na preparação dos Jogos.

– Nós acreditamos que o Rio pode e vai realizar os Jogos muito bem se essas medidas apropriadas forem tomadas agora. O que posso dizer de forma categórica é que continuaremos fazendo de tudo para fazer destes Jogos um sucesso – disse Bach.

Felli deve chegar ao Rio logo após a Semana Santa. Seu período de permanência ainda não está definido, mas, no que depender de Paes, ele fica até a realização dos Jogos. Ao contrário do que algumas agências internacionais disseram, o prefeito do Rio negou que a vinda de Felli seja uma intervenção do COI. A entidade fez o mesmo em nota.

– Gosto do estilo de trabalho do COI e o acompanhamento de perto é importante. Diante das reclamações, e não vou minimizar as cobranças, pedi para o Felli estar aqui. Não sei se a desconfiança tem a ver com os atrasos em estádios da Copa do Mundo – afirmou Paes.

Em nota, o Comitê Rio-2016 disse que a iniciativa do COI é oportuna e que a criação de grupos de trabalho faz parte do relacionamento permanente do COI com a entidade. “Sabemos que não há tempo a perder”, diz trecho da nota.

Felli será respaldo para prefeitura

A presença de Gilbert Felli no Rio não tem somente a intenção de acompanhar o andamento da organização da Olimpíada. O prefeito Eduardo Paes quer o respaldo do dirigente na tomada de decisões sobre os equipamentos esportivos.

Segundo Paes, além de poder informar às federações esportivas internacionais sobre o andamento das obras, Felli ajudará na hora de se discutir sobre detalhes de um determinado equipamento esportivo.

– Cada federação quer o melhor para o seu esporte. Mas o Rio e o Brasil não podem gastar milhões de dinheiro público para atender todas as exigências das federações internacionais. Não podemos nos dar ao luxo de ter um aquário voador. E nem de construir elefantes brancos. Não há condição de termos o padrão chinês – afirmou Paes, referindo-se aos Jogos de Pequim-2008.

Para o prefeito, vão acontecer atritos com as federações nos próximos meses por conta de divergências nos projetos:

– Atenderemos os requisitos básicos para realizar cada esporte.