icons.title signature.placeholder Marcio Porto
24/12/2013
08:00

Nenhum outro jogador do São Paulo quer tanto que 2014 chegue logo quanto Roger Carvalho. O zagueiro não precisou viver em campo o fantasma do rebaixamento como os companheiros, só acompanhou de perto. No entanto, desde maio ele sofre por não poder fazer o que mais gosta e desde outubro vive a ansiedade de jogar pelo clube que considera o maior entre todos do Brasil.

Em maio, ele lesionou a coxa esquerda, problema do qual se recuperou apenas no fim da temporada. Mas, mesmo assim, o São Paulo o contratou, em outubro. Mais: dirigentes e comissão técnica acreditam que o zagueiro será um dos alicerces do time no próximo ano.

Tudo isso faz com que Roger não veja a hora de estrear. Nesta entrevista exclusiva, a primeira desde que chegou ao Tricolor, ele conta como foi a recuperação, projeta o ano que está por vir e se refere ao São Paulo mais de uma vez como “o gigante”. Confira abaixo.

Você ficou muito tempo fora. Como está a ansiedade para voltar a jogar futebol e, finalmente, estrear, vestindo a camisa do São Paulo?
É enorme. Voltar para o Brasil, ainda mais para um grande clube, de camisa pesada, tradição como o São Paulo, dá muita vontade de voltar. Sempre olhei as notícias do Brasil, e o São Paulo é sempre comentado. Tenho uma oportunidade bem importante agora.

Essa grandeza do São Paulo, mesmo no exterior, que você cita assusta?
Você escuta falar, vê na TV, mas depois que veste a camisa a sensação é muito boa, de querer agarrar muito a oportunidade.

Já teve contato com a torcida? Foi reconhecido?
Uma vez ou outra já aconteceu. A torcida é maravilhosa e espero que comece a sorrir. O São Paulo praticamente não brigava por títulos, mas colocava 50 mil pessoas no Morumbi. É para poucos, só gigantes como o São Paulo podem ter isso.

Gigante? É assim que define o clube?
Sim, o São Paulo é “o” gigante. Portanto, tem que entrar para disputar e ganhar qualquer campeonato.

Por que analisa assim?
Pelo conjunto. Estrutura, títulos, jogadores que foram revelados, profissionais do clube, o São Paulo é gigante no todo. Ganhou o Campeonato Brasileiro três vezes seguidas, o que ninguém nunca conseguiu, tem três Libertadores, três Mundiais. É impressionante!

Está encantado?
Você passa pelo corredor do clube, e vê foto de campeão, campeão, jogadores renomados, reconhecidos. E tudo isso foi fazendo do São Paulo este gigante que ele é.

Por tudo isso, você considera o maior do Brasil?
Acredito que sim, não tenho dúvidas, até pela história de títulos, tudo se baseia nisso. Títulos, conquistas e depois estrutura. E nisso o São Paulo tem o melhor conjunto.

O que fez durante todo o tempo que ficou lesionado?
Foi difícil, primeiro por ficar fora dos gramados, ver os companheiros só pela televisão, só passava na cabeça recuperar o mais rápido possível. Eu me agarrei nisso, fazer tratamento todo dia de manhã e à tarde, sem folga, fim de semana também.

Pelo momento complicado que o clube viveu, foi melhor você não ter voltado antes?
A gente sempre gosta de estar em campo. Mas é claro, venho de uma contusão, e para recuperar precisaria de um tempo, para ter ritmo. Não pude ajudar, mas pude fazer um fortalecimento muscular legal.

Como analisa essa fase que o clube passou?
Ninguém está acostumado a ver o São Paulo nessa posição na tabela. Foi um momento complicado no CT, fique até meio espantado, sem saber o que estava acontecendo. Mas o São Paulo acordou a tempo, aguerrido, e voltou ao normal. Todo mundo está sujeito a isso e este ano basta.

Por que você não deu certo na passagem pela Itália?
A passagem foi importante. Ganhei experiência, ainda mais internacional, na Europa, o que é um sonho. Mas tive essa lesão, que acontece. A adaptação complicou, lá é muito frio (risos). O jogador precisa de adaptação. Mas foi legal, válida, a lesão realmente atrapalhou.

Como prefere atuar e o que o torcedor pode esperar de você?
No esquema, sempre deixo para o treinador. Posso jogar tanto com três, como de quarto zagueiro, posso atuar pelos dois lados. Sou um atleta muito aguerrido, de muita vontade, raça. Isso que o torcedor pode esperar de mim. Vou dar sangue.

O que esperar para 2014?
O São Paulo aprendeu muito esse ano. Jogadores, diretoria, comissão. Espero um ano ano bem diferente, brigando por títulos. Vamos nos unir para recompensar os torcedores, pois se não fossem eles, nossa situação poderia ser diferente.