icons.title signature.placeholder Luis Fernando Ramos
09/11/2014
09:03

Ele é o melhor do resto, o único piloto que foi capaz de derrotar a dupla da Mercedes neste ano – e o fez em três ocasiões. Também colocou no bolso seu companheiro de equipe, ninguém menos do que o tetracampeão Sebastian Vettel. Às vésperas do GP do Brasil, Daniel Ricciardo atendeu ao L!Net com exclusividade, fazendo um balanço de sua temporada e projetando seu futuro na Fórmula 1.

Das três vitórias neste ano, você gostou mais de alguma?
Claro que eu gosto de todas. Mas em termos de minha emoção depois da corrida, a vitória na Hungria foi a maior. Ali, soltei todas as emoções que não tinha conseguido no Canadá, quando vivi uma espécie de “choque” pela primeira vitória. Em Budapeste, soltei tudo. E foi uma corrida em que meus amigos da Austrália estavam presentes, o que foi legal. Era o início da pausa de verão, fizemos uma festa enorme... Foi uma boa corrida para se vencer!

As vitórias do Canadá e da Hungria vieram com você atacando de trás. Já na Bélgica foi um triunfo com um ritmo de corrida constante, controlando a liderança. Foi importante saber que você é capaz de vencer das duas maneiras?
Certamente. Claro que as duas primeiras vitórias foram mais emocionantes, mas a corrida da Bélgica foi uma pilotagem mais madura, que exigiu muito controle de minha parte. Na última volta, ainda fiz meu melhor tempo da corrida só para carimbar! Foi legal.

Você provou ser capaz de brigar com os pilotos de ponta. Mas ainda não recebe como eles. Como pretende equilibrar isso com um contrato e um salário que você mereça?
Nunca tive numa posição assim antes (risos)! Com o sucesso, as coisas podem evoluir. Estarei com a Red Bull ano que vem e veremos o que vai acontecer. Algumas coisas podem ser negociadas mas, de maneira geral, estou muito feliz. É verdade que eles me deram a chance de estar aqui e existem pontos que você precisa “pagar de volta” pelo que eles fizeram por minha carreira. Espero que as vitórias deste ano tenham tido esse efeito e espero que outras virão no ano que vem.

Agora que você não tem mais chances de título, quais são seus objetivos? E para 2015?
Quero subir ao pódio. Foi muito bom ter conseguido isso em Austin (EUA) e, se eu pudesse encerrar o ano com três pódios consecutivos, seria excelente. Claro que uma vitória seria ainda mais incrível. Em pista seca, os carros da Mercedes são rápidos demais, mas se chover aqui no Brasil, temos uma condição genuína de desafiá-los. Ano que vem, se a Mercedes não for tão mais veloz como neste, espero lutar pelo título.

Para muitos especialistas, você e o Valtteri Bottas representam o futuro da Fórmula 1. Vi um vídeo de um duelo intenso entre vocês na Fórmula Renault em 2008, em Silverstone, quando você o ultrapassou pela vitória na última volta. Naquela época, já se imaginavam na F-1?
Antes deste ano, essa corrida que você citou era a minha favorita. Agora, tenho vitórias na F-1, mas aquela prova foi muito divertida. Nunca conversamos sobre isso, mas acho que nós dois sabíamos que se um chegasse à F-1, o outro chegaria. E que se um tivesse sucesso, o outro teria, porque nossos resultados eram sempre parecidos e sempre conseguíamos boas performances em quaisquer condições. Somos pilotos com habilidades similares e não estou surpreso que ele obteve alguns pódios este ano. Está sendo legal nos ver crescendo juntos.

Da nova geração de pilotos, você vê nele seu principal rival nos próximos anos?
Valtteri com certeza é, a meu lado, um exemplo de piloto jovem que está crescendo. Com certeza, virão outros, mas ele certamente estará andando por um bom tempo. Provavelmente, vamos nos aposentar no mesmo ano (risos)!

Você aproveita qualquer chance para ultrapassar. Por isso, muita gente o apelida de “O assassino sorridente”. Você reconhece ter essa habilidade?
Neste ano tem sido assim, com certeza. Quando corria no kart, também era assim, especialmente nos últimos anos. É algo que surge junto da confiança. Este é meu quarto ano na Fórmula 1, tenho muita confiança no carro e nas pessoas à minha volta. Então, se vejo uma porta se abrindo numa disputa, ataco. Muitas vezes, nos últimos anos, ia dormir domingo à noite pensando: “Deveria ter tentado isso ou aquilo”. Mas se você não tenta, nunca vai saber. Então vou manter essa nova postura. É divertido!